Toxoplasmose: o que é, transmissão, sintomas e como se proteger

30 de julho de 2018

|

POR Vinícius De Vita

Toxoplasmose, popularmente conhecida como “doença do gato“, é um problema de saúde que ocorre quando uma pessoa entra em contato com fezes infectadas de gatos ou outros felinos.

Abaixo, entenda melhor como se dá a transmissão da toxoplasmose e quais riscos ela oferece, especialmente para mulheres grávidas:

O que é toxoplasmose?

Toxoplasmose é uma doença caracterizada pela infecção pelo parasita Toxoplasma gondii, um dos mais comuns no mundo.

Grande parte dos casos não apresenta sintomas, mas quando se manifestam costumam ser semelhantes aos da gripe, como febre, sensação de mal-estar e dor de garganta. No entanto, alguns grupos de pessoas podem desenvolver formas mais graves da doença.

Formas de transmissão

formas de transmissão toxoplasmose
Joana Lopes/Shutterstock

O protozoário, que é um dos mais comuns no mundo, apresenta cistos capazes de infectar quase todas as partes do organismo humano.

No entanto, se a imunidade estiver boa, o corpo consegue se defender da ação do parasita muito mais facilmente. Não é à toa que estar com o sistema imunológico enfraquecido é um dos principais fatores de risco para toxoplasmose.

É possível ser infectado pelo Toxoplasma gondii de pelo menos seis formas distintas:

Contato direto com fezes de gato contaminadas

Sem querer, a pessoa pode tocar em uma superfície contaminada e levar a mão à boca em seguida.

Por que gatos?

Os felinos são os únicos animais nos quais o parasita consegue completar seu ciclo, por isso são chamados de hospedeiros definitivos do Toxoplasma gondii.

De todos os felinos, os gatos são os mais comumente domesticados e, por isso, também são os que mais têm contato com seres humanos.

No entanto, é importante deixar claro que gatos que nasceram ou que passaram a maior parte da vida dentro de casa apresentam chances muito reduzidas de serem infectados pelo protozoário.

Ingestão de água ou alimentos contaminados

Ocorre principalmente com carnes cruas ou mal passadas e laticínios não pasteurizados.

Ingestão de frutas e verduras não lavadas

Consumir frutas e verduras sem higienização correta pode ser perigoso, pois muitos destes alimentos estão contaminados por coliformes fecais de animais.

Uso de utensílios contaminados

Do mesmo modo, deve haver atenção especial para objetos de cozinha, que sempre devem ser bem lavados para evitar a contaminação.

Transmissão placentária

A toxoplasmose na gravidez afeta cerca de 40% dos fetos cujas mães foram infectadas.

Transplante de órgãos ou transfusões de sangue

Esta é a única forma de transmissão de toxoplasmose de humanos para humanos — com exceção da placentária — e é bastante rara.

Período de incubação

O período de incubação do protozoário, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento eventual dos sintomas, costuma ser de 5 a 20 dias quando houver contato com coliformes fecais de gatos e de 10 a 23 dias quando a infecção se der por ingestão de alimentos contaminados (principalmente carne).

Fatores de risco

Praticamente todos os principais fatores de risco para a toxoplasmose estão relacionados à imunidade baixa.

Pacientes com HIV que não fazem tratamento e pessoas com câncer que passam por sessões de quimioterapia, por exemplo, têm mais chances de desenvolverem a doença por estarem com o sistema imunológico enfraquecido.

Além disso, o uso de alguns medicamentos e a própria gestação também podem reduzir a imunidade.

Tipos de toxoplasmose

Ao todo, existem seis tipos da doença:

  • Toxoplasmose febril aguda;
  • Linfadenite toxoplásmica;
  • Toxoplasmose ocular;
  • Toxoplasmose neonatal;
  • Toxoplasmose no paciente imunodeprimido
  • Toxoplasmose generalizada.

Cada um deles se manifesta de forma diferente no organismo e exige cuidados médicos específicos.

Quando a toxoplasmose é congênita?

A toxoplasmose é congênita quando a criança nasce com a doença. Isso ocorre em casos em que a mãe foi infectada pelo parasita e o transmitiu por meio da placenta.

Quando a mulher apresenta o problema pouco antes ou durante a gravidez, as chances de passar para a criança são de aproximadamente 30%. A probabilidade é ainda maior quando a infecção ocorre durante o terceiro trimestre de gestação.

No entanto, quanto mais cedo a infecção ocorrer, piores serão os resultados para o bebê: em alguns casos, infecções precoces podem levar a partos prematuros ou até mesmo a abortos espontâneos.

Sinais e sintomas de toxoplasmose

sintomas de toxoplasmose
Irina Bg/Shutterstock

A toxoplasmose quase sempre passa despercebida. Quando surgem sintomas, eles costumam ser semelhantes aos da gripe — especialmente em pessoas consideradas saudáveis. Os mais comuns são:

  • Dor de cabeça
  • Dor de garganta
  • Linfonodos inchados
  • Febre
  • Coriza
  • Dor no corpo
  • Sensação de cansaço

Já em pessoas que estão com o sistema imunológico enfraquecido, os sintomas tendem a ser mais graves:

  • Confusão
  • Dor de cabeça
  • Convulsões
  • Coordenação motora comprometida
  • Visão turva (em casos de toxoplasmose ocular)
  • Doenças pulmonares, como pneumonia e tuberculose (mais comuns em pacientes com Aids)

Já em bebês, os sinais podem ser ainda mais sérios. Apesar disso, apenas uma pequena parte deles apresentam os sintomas logo nos primeiros dias de vida. É mais comum que se manifestem somente na adolescência:

  • Convulsões
  • Fígado e baço aumentados
  • Icterícia
  • Infecções oculares graves

Diagnóstico de toxoplasmose

O diagnóstico se dá de maneiras diferentes para pessoas saudáveis, gestantes e bebês.

O primeiro e o segundo caso geralmente incluem exames para testar a resistência dos anticorpos ao protozoário. Já no terceiro, são realizados testes ainda durante a gravidez, como a amniocentese — pela qual é colhida uma pequena amostra da placenta para análise — e a ecografia — que usa ondas sonoras para produzir imagens do feto dentro do útero.

No entanto, é preciso esperar algumas semanas após o eventual contágio para fazer os exames, uma vez que eles podem dar resultado falso negativo.

Também é muito importante dizer que um resultado negativo não isenta que a gestante permaneça atenta a bons hábitos de prevenção à toxoplasmose.

Quando o tratamento é necessário?

O tratamento de toxoplasmose nem sempre é necessário. Isso é definido com base em alguns critérios, como sintomas apresentados, locais de infecção no organismo e nível de comprometimento do sistema imunológico.

Em geral, o tratamento costuma ser indicado em pelo menos duas circunstâncias: imunossupressão com presença de infecção aguda e infecções agudas em gestantes.

Ele ocorre pelo uso de alguns medicamentos específicos, que devem obrigatoriamente ser prescritos por um médico.

Quem já teve toxoplasmose fica imune à doença?

A maioria das pessoas que já foram infectadas pelo parasita ficam imunes a ele e não podem desenvolver a doença novamente.

No entanto, o protozoário permanece no organismo, ainda que de forma inativa. Isso significa que ele pode “despertar” caso o paciente apresente algum problema de saúde que comprometa seu sistema imunológico.

Complicações da toxoplasmose

Em gestantes e bebês

Os maiores riscos para mulheres grávidas e bebês com toxoplasmose são os de parto prematuro e aborto espontâneo.

Em pacientes imunodeprimidos

No caso de pacientes imunodeprimidos, em especial soropositivos que não fazem tratamento para redução da carga viral de HIV, um quadro da condição pode acarretar em problemas graves de saúde, como:

Coriorretinite

Inflamação no olho que pode levar à cegueira e é mais comum em casos de toxoplasmose ocular.

Encefalite

Inflamação no cérebro que pode levar à confusão mental, problemas na linguagem e sonolência extrema, entre outros.

Miocardite

Inflamação cardíaca, mais especificamente no miocárdio.

Pneumonite

Infecção parasitária das áreas mais externas dos pulmões.

Como prevenir

prevenir toxoplasmose
spass/Shutterstock

Muitas pessoas podem pensar que a melhor maneira de prevenir a toxoplasmose, especialmente na gravidez, é evitar o contato com gatos. Entretanto, é possível contornar a situação para não precisar abrir mão do carinho no bichinho.

Cuidar bem do felino, levá-lo ao veterinário com frequência e alimentá-lo com ração, e não com carne crua, são ótimas maneiras de prevenir que ele se contamine com o Toxoplasma gondii.

Também existem outras medidas de prevenção importantes que não podem ser deixadas de lado:

  • Lave bem todos os alimentos
  • Cozinhe ou asse bem a carne —  principalmente na gravidez, evite o consumo de carnes mal passadas
  • Lave sempre bem as mãos

Também é muito importante fazer exames para saber se alguma vez já teve contato com o protozoário. Se sim, ao invés de seguir as dicas acima, se consulte regularmente com um médico, invista em uma dieta rica em nutrientes e faça atividade física com frequência para garantir que sua imunidade esteja em dia.