Tomografia: o que é, riscos e como é feito o exame?

22 de fevereiro de 2019

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POR Manuela Sampaio

A tomografia computadorizada é um exame de imagem que se tornou possível graças ao avanço da tecnologia e, claro, dos computadores. Ele permite a visualização dos chamados tecidos moles – como músculos, veias e órgãos – e possíveis alterações, como tumores e coágulos.

Entenda tudo sobre o exame de tomografia a seguir.

O que é tomografia?

O radiologista Gustavo Meirelles, gestor médico de radiologia do Grupo Fleury, explica que a tomografia computadorizada é um exame que utiliza imagens reconstruídas por meio de um computador, a partir da emissão de vários feixes de raios-X por um tubo que gira em torno do paciente de forma contínua.

“As imagens da tomografia computadorizada têm muito mais detalhes do que as da radiografia tradicional e permitem reconstruções em diferentes planos, além de aquisições milimétricas de imagens do corpo humano”, ressalta o médico.

História

De acordo com a International Society of Computed Tomography, no início dos anos 1900 o radiologista italiano Alessandro Vallebona inventou a tomografia usando filme radiográfico para ver um simples “tomo” (que significa o mesmo que “seção”, “fatia” ou “parte”) do corpo. Apesar do avanço, na época o experimento foi ineficaz para analisar tecidos moles, como músculos, nervos e vasos.

Com o avanço dos computadores, foi possível que Godfry Hounsfield inventasse o primeiro tomógrafo em 1967. Entre as décadas de 1970 e 1980 o exame se popularizou e, de lá para cá, se torna cada vez mais utilizado.

O radiologista Gustavo Meirelles conta que a primeira tomografia demorava muito tempo para gerar uma única imagem, mas avanços tecnológicos tornaram o processo muito mais simples: “Os aparelhos de hoje conseguem escanear o corpo inteiro em menos de um minuto”.

Como funciona?

O paciente deita em uma superfície acoplada a um túnel que emite feixes de raios-x, a mesma energia das radiografias comuns. As imagens obtidas são enviadas a um computador, que as reconstrói, permitindo que o radiologista observe como estão as estruturas do organismo.

Para que serve?

Há inúmeras indicações clínicas para tomografia computadorizada, entre elas: avaliação de pacientes com traumas e fraturas, detecção de pneumonias, tumores, embolia pulmonar, aneurismas e avaliação das artérias coronárias.

Como é feita?

Preparo

O preparo dependerá da área do corpo a ser analisada e da necessidade do uso de contraste. Em alguns casos, por exemplo, pode ser indicado jejum prévio.

Quando é preciso contraste?

O meio de contraste à base de iodo pode ser administrado por via oral para avaliação do esôfago, estômago e intestino ou por via intravenosa para análise de artérias, veias e vascularização de órgãos e lesões.

Para demais casos, dificilmente ele é aplicado.

Procedimento

Já no laboratório, o paciente deve responder a um questionário ou uma entrevista médica sobre seus sintomas, alergias e problemas de saúde.

Depois, devem ser retirados quaisquer objetos de metal do corpo e colocado um avental hospitalar.

Caso haja necessidade de contraste intravenoso, o acesso venoso é inserido.

Ao entrar na sala da tomografia computadorizada, o paciente é acomodado na maca e deve ficar imóvel enquanto o radiologista escolhe os planos de corte e a máquina capta as imagens.

Durante o processo, o paciente pode receber instruções específicas, como encher o peito de ar e segurar a respiração.

Dói?

Tomografia computadorizada não dói e nem causa incômodo.

O único desconforto possível é para pacientes com claustrofobia, ou seja, aversão a locais fechados.

Resultados possíveis

Tomografia computadorizada do crânio.
sfam_photo/Shutterstock

Os resultados da tomografia estão relacionados à detecção de alterações nas áreas específicas que foram avaliadas.

Em geral, esses acometimentos podem ser detectados por mudanças da cor ou pelo tamanho das estruturas investigadas nas imagens geradas pela tomografia.

Assim, uma tomografia do crânio, por exemplo, pode indicar a presença de um acidente vascular cerebral, enquanto uma tomografia pulmonar pode revelar pneumonia.

Quais as vantagens em relação aos outros métodos?

A tomografia computadorizada apresenta mais detalhes que uma radiografia comum.

Em comparação com a ressonância magnética, ambas são métodos complementares, mas a tomografia é muito mais rápida e permite melhor avaliação de algumas estruturas, como pulmões e artérias coronárias.

Riscos

O principal risco relacionado à tomografia é a exposição à radiação. Nos últimos anos, esforços vêm sendo feitos para diminuir a liberação desta energia – que pode estar relacionada, por exemplo, à formação de tumores – durante o exame.

Atualmente, considera-se que o risco do exame é menor em relação aos benefícios, já que permite diagnóstico e tratamento de uma série de doenças.

Tem alguma contraindicação?

Para o exame propriamente dito existem as mesmas contraindicações do raio-X, ou seja, grávidas.

Quando necessário, devem ser levadas em consideração as contraindicações relacionadas ao contraste, como para pacientes que têm alergia a iodo ou para que já tenham apresentado alergia ao contraste.

Há efeitos colaterais?

Pode haver efeitos colaterais em relação ao contraste, entre eles alergia, náusea e sensação de calor.

Média de preço da tomografia

O exame geralmente é coberto pelos planos de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para pagamentos particulares, os valores variam de acordo com as áreas a serem avaliadas. Em média, o preço varia de R$ 100 (áreas pequenas) a R$ 1.000 (grandes regiões, como tomografia de abdômen total).

Fontes

Radiologista Gustavo Meirelles, gestor médico de radiologia do Grupo Fleury. CRM 95420/SP

International Society for Computed Tomography. Half A Century In CT: How Computed Tomography Has Evolved. Disponível em: www.isct.org/computed-tomography-blog/2017/2/10/half-a-century-in-ct-how-computed-tomography-has-evolved