Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): sintomas e tratamentos

08 de julho de 2019

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POR Bruno Botelho dos Santos

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um distúrbio comum, crônico e de longa duração que gera pensamentos e comportamentos incontroláveis ​​e recorrentes. O problema, que afeta diversas esferas da vida do indivíduo, não tem cura, porém seu tratamento é eficaz no controle dos sintomas.

A seguir, saiba tudo sobre TOC:

O que é TOC?

Transtorno obsessivo-compulsivo, conhecido popularmente como TOC, é uma síndrome de ansiedade na qual estão presentes obsessões e/ou compulsões que têm impacto considerável no funcionamento da vida do indivíduo e de seus familiares.

O acometimento geralmente está ligado a pensamentos ou atitudes repetitivas que surgem de maneira quase incontrolável.

Tipos

Transtorno obsessivo-compulsivo: obsessões permanecem até a pessoa praticar o ritual compulsivo.

Transtorno obsessivo-compulsivo subclínico: obsessões e rituais se repetem com frequência, só que não estão vinculadas a rituais, de modo a atrapalhar de maneira indireta a vida do indivíduo.

Quais são suas causas?

Dedo da pessoa organizando os lápis com linha de pinos de borracha e caneta no fundo branco
Andrey_Popov/Shutterstock

As causas da síndrome ainda não foram totalmente descobertas, mas acredita-se que envolvam fatores biológicos, ambientais e psicológicos.

O problema tem forte papel genético, embora também tenha como frequente causa alterações cerebrais e infecções no sistema nervoso. Por fim, crenças inadequadas cultivadas desde a infância frequentemente o desencadeiam.

Fatores de risco

Como grande parte dos transtornos psiquiátricos, o TOC sofre influência de elementos genéticos, ambientais e psíquicos.

Genéticos

Na causa biológica predomina a herança genética, demonstrada pelo fato de pessoas com histórico de TOC em parentes de primeiro grau terem maior risco de desenvolver a doença.

Ambientais

Indivíduos que passaram por abuso físico e/ou sexual na infância ou outros traumas de igual intensidade correm maior risco de desenvolver TOC.

Além disso, pessoas que sofreram traumatismo, derrame, acidente vascular cerebral (AVC), encefalite e infecções pelo estreptococo beta hemolítico apresentam mais risco de desenvolver sintomas de TOC do que aquelas que não enfrentaram tais condições.

Psíquicos

Os mecanismos psicológicos que estruturam o quadro neurótico muitas vezes estão ligados a conteúdos inconscientes e reprimidos.

Aprendizagens e crenças errôneas, que geralmente se originam na infância, desempenham papel importante no aparecimento do transtorno, levando a interpretações negativas da realidade. Por exemplo, pessoas com TOC são perfeccionistas pois acreditam que falhas têm consequências graves. Além disso, creem que pensar em determinada tragédia aumenta a probabilidade que ela ocorra.

Sinais e sintomas de TOC

Embora os sintomas do transtorno incluam obsessão e compulsão, nem todos os pacientes apresentam ambos, podendo manifestar apenas um tipo.

Obsessão

Obsessões são definidas como ideias, pensamentos, impulsos ou imagens vivenciadas de maneira intrusiva e inadequada, as quais causam acentuada ansiedade ou sofrimento.

Podem se manifestar por diversas maneiras, sendo as mais frequentes:

  • Medo de germes ou contaminação
  • Pensamentos indesejados sobre sexo e morte
  • Necessidade de organização excessiva, com objetos de forma simétrica e em perfeita ordem

Compulsão

Compulsões são comportamentos ou atos mentais repetitivos cujo objetivo é prevenir ou reduzir ansiedade. Em geral, são excessivas e não tem conexão realista com aquilo que visam evitar, mas mesmo assim proporcionam prazer ou sensação de gratificação.

Os conteúdos das compulsões podem abranger qualquer teor de pensamento, sendo comuns:

  • Lavar as mãos excessivamente
  • Organizar coisas de maneira precisa e específica
  • Verificar repetidamente determinados aspectos, como se a porta está fechada
  • Contar compulsivamente números

Como diferenciar hábitos e rituais de compulsão?

É importante saber que nem todos os rituais ou hábitos são compulsões provenientes do TOC, visto que são caracterizadas por:

  • Incapacidade de controlar pensamentos ou comportamentos, mesmo quando são reconhecidos como excessivos e irreais
  • Gastar pelo menos uma hora por dia com pensamentos ou comportamentos inadequados
  • Sentir breve alívio da ansiedade ao realizar comportamentos compulsivos
  • Vivenciar problemas significativos diariamente devido aos pensamentos ou comportamentos inadequados

Condições associadas

Não é incomum encontrar pacientes com TOC que também apresentem tiques, como piscar os olhos excessivamente ou limpar a garganta, muitos beirando a Síndrome de Tourette.

Como é feito o diagnóstico?

Pode ser difícil diagnosticar o TOC porque seus sintomas são semelhantes aos de outros transtornos, como ansiedade generalizada, depressão e esquizofrenia. Além disso, é possível ter TOC conjuntamente com outra síndrome mental.

O diagnóstico é obtido pela história clínica, sendo indicados exames complementares apenas para descartar a possibilidade de outras doenças, como:

Exame físico: realizado no próprio consultório, visa investigar a existência de outros problemas de saúde relacionados ou não ao TOC.

Testes de laboratório: pode incluir hemograma completo, verificação de função tireoidiana e triagem de álcool e drogas.

Avaliação psicológica: discute pensamentos, sentimentos, sintomas e padrões de comportamento do paciente. Se houver consentimento, pode incluir conversas com família e amigos.

Critérios

Para o diagnóstico, o transtorno deve atender aos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, que são:

  • Compulsões e/ou obsessões presentes por pelo menos duas semanas
  • Obsessões ou compulsões causam angústia e interferem com a vida do paciente
  • Sintomas não são resultado de outros transtornos mentais
  • Obsessões e compulsões compartilham os seguintes aspectos:
  1. São fruto da mente do paciente e não impostas por pessoas ou influências externas
  2. Repetitivas e desagradáveis
  3. Pelo menos uma é reconhecida como excessiva e irracional
  4. Paciente tenta resistir às obsessões e compulsões, mas não consegue
  5. Pensamento obsessivo ou a realização do comportamento compulsivo não é prazeroso em si

TOC tem cura?

TOC não tem cura, mas pode ser controlado com o tratamento adequado.

Tratamentos

O TOC é tipicamente tratado com medicação, psicoterapia ou combinação dos dois.

Embora a maioria dos pacientes responda bem ao tratamento, alguns pacientes continuam a apresentar sintomas. Nesses casos, pode ser indicada eletroconvulsoterapia (ECT) – técnica que que provoca alterações na atividade elétrica do cérebro – ou neurocirurgia.

Medicamentos

Alguns medicamentos receitados por psiquiatras podem ajudar a controlar as obsessões e compulsões do TOC. Basicamente, o tratamento é feito em primeira linha com antidepressivos que agem sobre a serotonina (como Fluoxetina e Clomipramina) e antipsicóticos.

Psicoterapia

Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é um tipo de psicoterapia muito eficaz para TOC. Ela age por meio da exposição gradual a um objeto ou obsessão temida, levando o indivíduo a lidar de maneira saudável com a ansiedade.

O técnica exige esforço e prática, mas permite aprender a administrar obsessões e compulsões. Pode ocorrer em sessões individuais, familiares ou em grupo.

Prognóstico

O TOC sem tratamento tende a ser crônico, prejudicando de maneira cada vez mais intensa a qualidade de vida do paciente. Já o tratamento do transtorno evitar sintomas e crises.

Complicações

As complicações estão ligadas aos prejuízos funcionais e sociais dos sintomas sob diversos campos da vida, como trabalho, estudo, família e relacionamentos.

Algumas pessoas podem ficar gravemente incapacitadas pelos sintomas da doença.

Prevenção

Não existe uma maneira específica de prevenir a síndrome, embora seja indicado tentar evitar fatores de risco ambientais, além de traumas e infecções no sistema nervoso.

Bons relacionamentos são fundamentais para uma estruturação mais saudável do psicológico.

Além disso, terapia para lidar com questões naturais da vida alivia muito a carga emocional e previne desequilíbrios patológicos.

Fontes

Psiquiatra Roney Vargas Barata, da Aliança Instituto de Oncologia – CRM 21720/DF

Psicóloga e psicanalista Gabriela Malzyner, membro do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

National Institute of Mental Health. Obsessive-Compulsive Disorder. Disponível em: www.nimh.nih.gov/health/topics/obsessive-compulsive-disorder-ocd/index.shtml#part_145347