Sintomas de depressão: saiba como identificar a doença

11 de junho de 2018 ● POR Amanda Grecco

Depressão protagoniza a maior causa de incapacidade trabalhista no mundo. Chamada de “mal do século”, seus casos têm ganhado notoriedade devido ao aumento repentino nos últimos dez anos. Tristeza e perda de prazer são os principais sintomas de depressão, saiba quais outros:

Aumento dos casos de depressão

De 2005 a 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou o crescimento de mais de 18% dos casos de depressão.

“O aumento dos registros é uma questão polêmica, pois não quer dizer que existam mais pessoas com o distúrbio, mas que quem tem a doença está sendo diagnosticado. Outro fator importante de ser considerado é que o estigma da doença também é menor”, explica o psiquiatra Pedro Mario Pan, doutor pela escola Paulista de Medicina.

Ele ainda complementa que, assim como o câncer de mama, há 30 anos não se falava em depressão. Contudo, atualmente, existem campanhas que trazem o assunto à tona.

O que é a depressão?

A depressão é um transtorno mental caracterizado por um sentimento de tristeza e perda da vitalidade que dura, no mínimo, duas semanas. Como outros distúrbios do gênero, ela engloba um conjunto de sinais e sintomas que acarretam em sofrimento, além de prejuízos no funcionamento da vida social, familiar e profissional.

O psiquiatra explica que antes de fechar o diagnóstico com base em entrevista clínica, faz-se necessária uma avaliação para excluir possíveis causas orgânicas como, por exemplo, hipotireoidismo ou outras doenças que levem a alterações de humor.

Como identificar sintomas de depressão

Os sintomas de depressão são comuns a todos os pacientes que sofrem com a doença, mas cada um os manifesta de formas diferentes de acordo com as próprias individualidades.

“A forma como eu manifesto o desânimo é diferente da de outra pessoa e isso varia muito de acordo com o background cultural, econômico e etário. Um jovem, por exemplo, pode apresentar a irritabilidade em vez da tristeza, que é mais comum em adultos”, explica o psiquiatra.

Os sintomas de depressão não costumam começar de repente, mas surgem aos poucos. O importante é tentar identificá-los e tratá-los logo nas fases iniciais, que embora incluam manifestações leves, já podem causar prejuízos.

Falta de prazer e baixa libido

Dentre os sintomas de depressão, são frequentes os relatos de que atividades  que antes davam prazer aos pacientes se tornaram desinteressantes, adquirindo o caráter de obrigação caso sejam executadas.

Também é comum a descrição de falta de apetite sexual entre os afetados pela depressão.

Fadiga e alterações no sono

Mesmo sem a necessidade de executar esforços físicos, é usual que o cansaço crônico seja um dos sintomas de depressão.

Quadros de lentidão e sonolência são frequentes, assim como a insônia e dificuldade de relaxar dependendo do caso.

Falta de concentração e isolamento social

A complexidade para tomar decisões simples, manter o foco no trabalho e dedicar atenção às relações também pode ocorrer.

O paciente com sintomas de depressão pode desencadear problemas sociais por possíveis desinteresses e falta de possibilidade de alimentar os vínculos afetivos.

Alterações no apetite

Como cada indivíduo se comporta de maneira diferente, é comum que aconteça falta de apetite ou que se inicie uma compulsão por alimentos que ofereçam prazer imediato, como doces e carboidratos.

Grupos de risco

São diversos os fatores de risco que podem levar à depressão, porém, é possível ressaltar condições específicas que servem de alerta para o surgimento da doença.

“Traumas e abusos precoces podem ser gatilhos para quadros depressivos surgirem na vida adulta. Além disso, estudos mostram que a desigualdade social pode ser um marcador que está associado ao maior risco de transtornos mentais de uma forma geral”, explica.

Além disso, outros fatores também devem ser considerados, como:

  • Portadores de doenças crônicas – casos de hipertensão, câncer e diabetes, por exemplo – devem ficar atentos;
  • Portadores de doenças inflamatórias – como lúpus e a artrite reumatoide – também se encaixam no grupo de fatores de risco para o surgimento de um quadro depressivo.