Sintomas da febre chikungunya: atenção para as articulações!

12 de março de 2018 ● POR Lucas Coelho

Os sintomas da febre chikungunya são muito parecidos com os da dengue e da infecção por zika vírus, principalmente no início, mas depois de um tempo começam a surgir inflamações nas articulações — que são sinais bastante característicos da chikungunya, além da febre alta.

O que é a febre chikungunya?

A febre chikungunya é uma doença infecciosa provocada pelo vírus CHIKV e transmitida por picada de mosquito, como o Aedes aegypti e o Aedes albopictus.

Ela foi identificada pela primeira vez em 1952 na Tanzânia, país da África Oriental. Apesar disso, o vírus é relativamente novo em solo brasileiro. Começou a se espalhar pelo norte e pelo nordeste do Brasil somente em 2014 e ganhou o noticiário ao lado do zika vírus.

Hoje, todos os estados brasileiros sofrem com surtos concentrados de febre chikungunya. Acredita-se que o vírus tenha chegado na América do Sul pelo Caribe, onde foram registradas epidemias em 2013.

De acordo com o site do Ministério da Saúde, “a alta densidade do vetor, a presença de indivíduos susceptíveis e a intensa circulação de pessoas em áreas endêmicas contribuem para a possibilidade de epidemias em todas as regiões do Brasil”.

Diante deste cenário, é importante que todos tenham informações sobre como prevenir, identificar e tratar a febre chikungunya. Para isso, o Ativo Saúde conversou com o infectologista Jessé Alves, integrante do corpo clínico do laboratório Lâmina, no Rio de Janeiro.

Sintomas da febre chikungunya

O especialista nos ajudou a listar os principais sintomas da febre chikungunya. São eles:

  • Dores nas articulações;
  • Dores musculares (mialgia);
  • Inchaço (edemas) nas articulações;
  • Inchaço de nódulos do pescoço;
  • Febre alta, acima dos 39°;
  • Manchas vermelhas pelo corpo;
  • Alteração no número dos glóbulos brancos (leucócitos);
  • Dores nos olhos;
  • Possível conjuntivite.

De acordo com Jessé, a infecção pelo vírus CHIKV costuma provocar sintomas muito parecidos com os da dengue e do zika, por exemplo. “Em geral, os pacientes se queixam de febre, mal-estar e dor de cabeça”, explica ele.

No entanto, apesar da semelhança com outras viroses, a febre chikungunya vem acompanhada de um sintoma bastante característico: inflamação nas articulações.

Evolução dos sintomas

Em pouco tempo, este problema se torna ainda mais pronunciado, com as dores ficando mais fortes. Pode aparecer vermelhidão na região afetada e as articulações dos joelhos, cotovelos e ombros podem ficar maiores também.

“Uma característica marcante da chikungunya é a tendência de ocorrer ‘cronificação’ dos sintomas, ou seja, a persistência destas dores por semanas e até meses”, completa o especialista.

Ele explica também que este é outro fator que diferencia a febre de outras doenças provocadas por vírus e transmitidas por insetos. Em outros casos, os sintomas não permanecem por tanto tempo.

Mas da mesma forma que a maioria das infecções por vírus, a febre chikungunya atinge um ápice, e esse é um momento crucial para o paciente.

A fase aguda da doença é muito intensa e as dores articulares podem até ser incapacitantes. Após algumas semanas, há melhora dos sintomas, que podem se resolver totalmente ou evoluírem para a forma crônica da doença, tornando a artrite um problema recorrente.

Pode ser fatal?

Como explica o infectologista, o desenvolvimento da doença é diferente de pessoa para pessoa. Além dos grupos de risco habituais – pacientes que já lidam com problemas que afetem o sistema imunológico, idosos e crianças mais novas – indivíduos com alguma lesão articular prévia, como artrose, estão mais propensos a desenvolver a manifestação crônica da febre chikungunya.

É importante salientar que, mesmo afetando o número de glóbulos brancos, a doença não evolui para uma forma hemorrágica, como ocorre com a dengue.

“Existem relatos de óbitos associados à doença, mas em geral isso acontece com pessoas que tinham outras doenças ou que já estavam em idade avançada”, diz o especialista.

Transmissão

O jeito de se evitar a febre chikungunya basicamente segue o mesmo protocolo de prevenção contra a dengue, que muitos de nós já conhece.

O cuidado primordial é minimizar a reprodução do Aedes aegypti e do Aedes albopictus, principais transmissores do vírus CHIKV.

Entre as ações que devemos tomar estão:

  • Eliminar focos de proliferação do mosquito, como água parada em vasos, calhas, pneus etc;
  • Fazer uso de repelentes específicos e eficientes contra o mosquito causador;
  • Criar barreiras físicas para o mosquito, como colocar telas nas janelas e portas;
  • Utilizar roupas compridas (claras, pois as escuras atraem o mosquito).

Por fim, Jessé Alves alerta que, assim como outras infecções transmitidas por insetos, a febre chikungunya também pode ser transmitida por meio de transfusão de sangue, mesmo quando o doador ainda não está manifestando sintomas.

Números oficiais da febre chikungunya no Brasil

Segundo dados do governo brasileiro, em 2016, o país registrou 196 óbitos decorrentes da febre chikungunya. A grande maioria das mortes aconteceu na região nordeste, com destaque para os estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba e Ceará. A média de idade das vítimas foi de 62 anos.

Os números de 2017, felizmente, são bem menos graves. Foram notificados pouco mais de 180 mil casos prováveis no país, com uma taxa de incidência próxima de 90 infectados a cada 100 mil habitantes. No mesmo período de 2016, essa taxa era 32% maior.

Essa melhora também implicou numa redução significativa nos óbitos, que caíram para apenas cinco no ano passado.

O Ministério da Saúde tem aumentado investimento no combate ao mosquito Aedes aegypti, especialmente em razão destas novas doenças que passaram a se proliferar por meio dele. Segundo informações oficiais, os recursos para essa finalidade saltaram de R$ 924,1 milhões em 2010 para quase R$ 2 bilhões em 2017.

Diagnóstico e tratamento

Por ter sintomas mais característicos, o diagnóstico da febre chikungunya pode ser feito primeiramente com uma avaliação clínica mais detalhada. Obviamente, a presença do vírus só será confirmada por exames laboratoriais, geralmente com a análise de amostras do sangue.

Já o tratamento é sintomático, ou seja, focando na melhora dos sintomas. Nas formas agudas, deve ser feito basicamente um controle da dor e de outros incômodos que o paciente se queixar.

Jessé explica que, caso o paciente desenvolva um problema crônico, o acompanhamento precisará ser feito por um reumatologista para lidar com as dores nas articulações.


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