Síndrome das pernas inquietas é mais comum do que se pensa

11 de janeiro de 2018 ● POR Bruno Botelho dos Santos

Imagine chegar em casa após um dia cansativo de trabalho e na hora de deitar você não conseguir relaxar porque está sentindo uma vontade incontrolável de mover as pernas. Parece agoniante, não? Quando isso acontece com frequência, é bom ficar atento, porque pode ser a síndrome das pernas inquietas.

Apesar do nome estranho, ela não é tão incomum quanto você possa pensar. Estimativas dão conta de que pelo menos uma em cada 20 pessoas têm essa doença, que é considerado um distúrbio do sono por se manifestar à noite, quando o indivíduo já está na cama.

Só que como nem todos conhecem a síndrome, muitas vezes acabam negligenciando os sintomas e confundindo com os da ansiedade.

Abaixo, separamos algumas informações úteis sobre a síndrome das pernas inquietas. Confira!

O que é a síndrome das pernas inquietas?

A síndrome das pernas inquietas (várias vezes abreviada como SPI) é uma desordem neurológica comum que causa uma necessidade incontrolável de se mexer, principalmente à noite, e uma forte sensação de desconforto nas pernas.

Ela é provocada por uma atividade motora involuntária dos membros inferiores que em casos mais raros e graves também pode se manifestar nos braços.

Os sintomas costumam ocorrer à noite, fazendo com que quem sofra da síndrome durma mal ou muitas vezes não consiga nem dormir.

Isso afeta significativamente a qualidade de vida e compromete todo o dia da pessoa, deixando-a cansada e sem disposição para executar as suas atividades diárias.

A síndrome das pernas inquietas é mais frequente em mulheres — costuma aparecer cerca de duas vezes mais do que em homens.

Causas

Ainda não se sabe qual é a causa exata dessa síndrome. Ela pode estar relacionada com um desequilíbrio de dopamina no cérebro, um neurotransmissor responsável por enviar e receber as mensagens que controlam os movimentos musculares do corpo.

Há, ainda, a tese de que a doença pode estar relacionada a um fator genético.

No entanto, enquanto não descobrem o que exatamente causa a síndrome das pernas inquietas, especialistas apontam para algumas condições e fatores que podem acarretar ou até mesmo agravar os sintomas.

É o caso da gravidez, de doenças como anemia, artrite, diabetes, neuropatias periféricas, doença de Parkinson e algumas doenças reinais, do baixo nível de ferro no sangue e de hábitos ruins, como o tabagismo e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

Sintomas

O principal sintoma da síndrome das pernas inquietas, e que também é sua principal característica, é a vontade incontrolável de mover as pernas, principalmente à noite na hora de dormir. Junto dele, também costumam aparecer sintomas secundários, como:

  • Dores locais nas pernas;
  • Dificuldade em dormir e insônia;
  • Sonolência excessiva durante o dia;
  • Inquietação e fadiga;
  • Formigamento/coceira e queimação na região das pernas;
  • Vontade incontrolável de se mover.

Outras doenças que podem ter sintomas parecidos são a Doença de Parkinson, a fibromialgia e alguns tipos de neuropatia.

Geralmente, as primeiras manifestação começam na infância, mas o quadro tende a piorar com a idade, sendo que a maioria dos casos é diagnosticado bem tarde, por volta dos 50 ou 60 anos de idade.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome é basicamente clínico, fechado depois que o paciente relata ao médico seus sintomas.

Se você apresentar essa vontade incontrolável de mexer as pernas, principalmente à noite, é fundamental que você procure um médico para saber do que se trata. Somente ele pode dizer se é realmente caso de síndrome das pernas inquietas ou outro problema semelhante.

Para fazer o diagnóstico, a pessoa deve procurar um clínico geral, que a encaminhará para um neurologista.

Exames necessários

Em alguns casos, pode ser que o especialista solicite que o paciente realize alguns exames físicos e neurológicos para confirmar o diagnóstico. Eles podem ser:

  • Eletromiografia: para checar a atividade elétrica durante as contrações musculares;
  • Exame de velocidade de condução nervosa: uma corrente elétrica fraca é usada para estimular os nervos, e é medido quanto tempo eles levam para responderem a esse impulso;
  • Polissonografia: também conhecida como exame do sono, é um exame para estudar a qualidade do sono do paciente e as suas variáveis fisiológicas;
  • Dosagem dos teores de ferritina e transferrina: o objetivo é calcular a dosagem das substâncias que transportam o ferro no sangue periférico. A ferritina é a mais importante proteína de reserva do ferro e a transferrina, por sua vez, é uma glicoproteína do sangue que transporta o ferro. Caso a dosagem seja baixa, pode ser anemia.

Os sintomas podem, ainda, indicar outro tipo de problema que não seja necessariamente a síndrome das pernas inquietas.

Por isso, os exames são fundamentais para entender exatamente o que se passa e verificar qual a extensão real do problema.

Tratamentos

Assim como ainda não existe uma causa conhecida para a síndrome das pernas inquietas, ainda não existe uma cura para a doença, mas existe tratamento. Se feito corretamente, ele pode ajudar a controlar os sintomas a ponto de alguns pacientes não manifestarem mais os sinais da doença.

Em geral, o tratamento consiste em uma mudança no estilo de vida e/ou no uso de alguns medicamentos específicos.

Exercícios físicos

A prática de exercícios físicos, principalmente de atividade aeróbica, é muito importante e recomendada como forma de tratamento para a síndrome.

Praticar pelo menos 20 a 30 minutos durante cinco dias na semana já melhora consideravelmente a condição cardiovascular do indivíduo, ajudando também a amenizar os sintomas.

Caso a pessoa tenha uma lesão que a impossibilite de praticar atividades físicas, porém, o ideal é praticar atividades que evitem usar as partes do corpo lesionadas.

De qualquer forma, abandonar o sedentarismo é essencial.

Mudanças de alguns hábitos

Alguns hábitos ruins favorecem a recorrência dos sintomas que caracterizam a síndrome, então é importante diminuir ou parar (de preferência) com o consumo de tabaco, álcool, café e chás, refrigerantes e até mesmo chocolates.

Antes disso, porém, é melhor conversar com um médico e entender de fato o que pode estar provocando os sintomas e o que é possível fazer para melhorá-los.

Técnicas de relaxamento

Diversas técnicas relaxantes podem ajudar a amenizar os sintomas, principalmente os que visam a diminuição do estresse — um fator de risco que pode agravar a síndrome.

Aposte em yoga, meditação e em outras atividades relaxantes para ajudar no tratamento.

Uso de medicamentos

  • Narcóticos: servem para aliviar a dor, entorpecem os sentidos e causam sonolência. Se usados de forma incorreta, porém, podem viciar;
  • Suplementos alimentares: atua isolada ou juntamente com outros tratamentos para melhorar a saúde do paciente;
  • Anticonvulsivos: usados na prevenção e tratamento de crises convulsivas e epiléticas, neuralgias e transtornos de humor, eles também podem ajudar a aquietar as pernas;
  • Promotor da dopamina: ele estimula os receptores de dopamina no cérebro, “cortando pela raiz” o mal que provoca os sintomas da síndrome das pernas inquietas.

Tratamento para dor neuropática

Esse tratamento bloqueia a dor intensa causada pelo rompimento de nervos ou por sua danificação, que também pode acontecer em quem sofre desta doença.