Rubéola: o que é, sintomas, vacina e riscos na gravidez

19 de dezembro de 2018

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POR Manuela Sampaio

Dada a abrangência que a vacina contra rubéola conquistou, hoje a doença está restrita no Brasil. No entanto, a versão congênita, que pode ter consequências graves para a gestante e o feto, ainda representa um risco para muitas mulheres. Entenda tudo que a rubéola causa e como deve ser tratada.

O que é rubéola?

Também conhecida como sarampo alemão, a rubéola é uma doença infecciosa causada pelo rubella vírus.

Em geral, ela costuma se resolver sozinha, sendo necessário apenas acompanhamento para aliviar os sintomas. No entanto, a infecção durante a gravidez pode ser mais perigosa para o feto.

Rubéola na gravidez

A infectologista Marinella Della Negra, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que a rubéola na gravidez pode causar aborto e malformação, como alteração cardíaca e catarata, por exemplo.

A chamada Síndrome da Rubéola Congênita ainda tem ligação com autismo e doenças crônicas, como diabetes e disfunções da tireoide, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por isso, é indicado que antes de engravidar a mulher faça exames para avaliar se está imunizada. Caso não esteja e contraia rubéola enquanto gestante, ela deve receber anticorpos que podem combater a infecção, mas não eliminam a possibilidade de o bebê desenvolver sequelas.

Causas

A rubéola é causada pelo vírus do gênero Rubivirus da família Togaviridae. Ele é transmitido de pessoa para pessoa por meio de gotículas expelidas ao tossir, falar ou espirrar, por exemplo.

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença é transmitida durante o período que envolve os 7 dias anteriores e os 7 dias posteriores ao aparecimento dos sintomas na pele.

Fatores de risco

Atualmente, por causa da abrangência que a vacinação contra a doença alcançou, o principal fator de risco para ser infectado é não vacinar-se.

É sempre importante também evitar contato com pessoas sabidamente doentes, principalmente no caso de recém-nascidos, que ainda não foram imunizados pela doença, e pessoas que não receberam a dose de reforço.

Sinais e sintomas

 

Rubéola no bebê.

fotohay/Shutterstock

A doença se manifesta com febre, aumento e dor nos gânglios cervicais (na região do pescoço) e atrás das orelhas. Surgem também manchas vermelhas pelo corpo (exantema).

Quando ocorre em crianças e grávidas, a rubéola causa também febre e mal-estar.

O período de incubação é de em média 17 dias, ou seja, esse é o tempo que leva para a doença se manifestar após a infecção.

Diagnóstico

Como as lesões causadas pela rubéola podem ser confundidas com as de outras infecções virais, somente o exame físico não é suficiente para diagnosticá-la.

Sendo assim, o profissional da saúde pode pedir exames laboratoriais, como os de sangue, que medem a quantidade de anticorpos IgM específicos, que combatem a rubéola, e IgG, que indica imunidade adquirida. Ter uma grande quantidade de IgM indica que há uma infecção recente ou em curso.

Qual profissional procurar?

Se possível, vá a um centro de infectologia, visto que o infectologista é o médico mais apto a tratar a rubéola. Contudo, clínicos gerais, pediatras e dermatologistas também podem cuidar do quadro.

Complicações

A rubéola é em geral uma doença inofensiva e autolimitada, ou seja, o próprio corpo a combate.

Mas a chamada rubéola congênita, ou Síndrome da Rubéola Congênita, pode gerar graves consequências, entre elas aborto, natimortalidade, malformações e doenças crônicas, como diabetes.

De acordo com a OMS, o risco deste tipo de rubéola em bebês é maior em países em que as mulheres não são imunizadas.

Prognóstico

Em geral, a rubéola não deixa sequelas, exceto nos casos em que atinge gestantes e chega ao feto.

Tem cura?

A rubéola é uma doença autolimitada, o que significa que o próprio corpo é capaz de eliminá-la sem a necessidade de medicações antivirais ou de qualquer outro tipo.

Deste modo, após o inícios dos sintomas, a cura demora cerca de uma semana.

Tratamentos

Não há nenhum tratamento específico contra a rubéola, apenas medidas para ajudar a lidar com os sintomas. Entre elas, estão manter hidratação adequada e o uso de medicamentos para aliviar dor, febre e mal-estar.

Prevenção: vacina de rubéola

A imunização contra a rubéola faz parte do calendário vacinal do país.

Segundo a Fiocruz, o esquema é feito na infância com a vacina tríplice viral, que protege ainda contra sarampo e caxumba, em duas doses: a primeira com um ano de idade e a segunda entre quatro e seis anos.

Adolescentes e adultos também podem tomar a tríplice viral ou a dupla viral (sarampo e rubéola).

Mulheres que pretendem engravidar e que não estejam imunizadas – o que pode ser descoberto por meio de exame de sangue – devem ser vacinadas com antecedência de pelo menos 30 dias. De acordo com a Fiocruz, seus filhos estarão automaticamente imunizados até os  9 meses de idade. Gestantes não devem ser vacinadas.

Efeitos colaterais

A vacina de rubéola raramente causa efeitos colaterais. Cerca de 15% das pessoas desenvolvem febre entre sete e 12 dias da dose e 5% erupção leve. Menos de 1 em 1 milhão de doses provoca reação alérgica grave.

Há especulações de que a vacina aumente a chance de desenvolvimento de autismo, mas extensos relatos da Academia Americana de Pediatria e da Academia Nacional de Medicina concluem que não existe uma ligação cientificamente comprovada entre a imunização e a doença.

 

Fontes

Infectologista Marinella Della Negra, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia. CRM 17264.

World Health Organization. Rubella. www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/rubella

Ministério da Saúde. Rubéola. portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/rubeola

Fiocruz. Rubéola: sintomas, transmissão e prevenção. www.bio.fiocruz.br/index.php/rubeola-sintomas-transmissao-e-prevencao