Rinite: o que é, sintomas, gatilhos, remédios e cuidados caseiros

31 de agosto de 2019

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POR Mariana Amorim

Rinite é a inflamação da mucosa nasal, que pode ser aguda ou crônica, geralmente causada por alergia. Os gatilhos das crises são mais conhecidos do que as causas propriamente ditas, como poeira doméstica, pelos de animais, ácaros, perfumes, tempo seco e mudanças bruscas de temperatura.

Trata-se de uma condição comum para muitas pessoas. Não à toa, segundo dados do Ministério da Saúde, que a rinite é uma das doenças de maior prevalência entre as enfermidades respiratórias crônicas e acomete aproximadamente 25% da população no mundo todo.

O que é rinite?

Rinite é uma doença inflamatória das mucosas do nariz que pode ou não ser alérgica, aguda ou crônica.

Embora apresente sintomas clássicos, tidos como menos graves, é listada entre as dez razões mais frequentes pelas quais as pessoas são atendidas em locais de Atenção Primária em Saúde, conforme dados do Ministério da Saúde.

A condição afeta a qualidade de vida dos pacientes e pode até mesmo interferir em momentos importantes, como lazer e trabalho.

Qual é a diferença entre rinite e sinusite?

A rinite e a sinusite podem ser facilmente confundidas, pois apresentam sintomas muito parecidos, embora sejam condições bem diferentes entre si.

A rinite é uma inflamação da mucosa do nariz que pode ter várias causas, desde uma alergia a poeira ou pelo de animal. Entre os sintomas mais frequentes, estão coriza, espirros e coceira no nariz.

Já a sinusite é uma inflamação da mucosa que reveste os seios da face e, por isso, apresenta sintomas um pouco mais intensos, como pressão na face e até febre. A doença pode ser uma complicação da gripe.

Tipos

Alérgica

Em algumas pessoas, o organismo libera células inflamatórias quando entra em contato com alguma substância identificada como irritante, como poeira, poluição, fumaça do cigarro, mofo, perfume, pelos de gato ou cachorro e pólen. Esse processo é denominado rinite alérgica.

Infecciosa

A rinite infecciosa é fruto de uma inflamação da mucosa que reveste as fossas nasais, normalmente causada por infecção, como resfriado ou gripe.

Rinite crônica

Trata-se de uma forma grave da rinite alérgica, a qual á inflamação das fossas nasais se manifesta frequentemente por meio de crises alérgicas intensas que duram mais de três meses.

Rinite vasomotora

A rinite vasomotora pode ser definida por um estado de reatividade aumentada aos gatilhos que causam a condição. É o caso de mudanças de temperatura e umidade, odores fortes, poluição e poeira.

Rinite idiopática

Na rinite idiopática, o paciente apresenta reações alérgicas mesmo após exames de rastreio para alergias darem negativo, assim como a pesquisa do histórico familiar. Nesse caso, geralmente há a obstrução nasal e coriza abundante.

Causas

Principalmente no caso da rinite alérgica, o que causa a doença é uma reação do sistema imunológico ao componente tido como invasor, que pode ser de qualquer natureza, como poeira e pelo de animal. No entanto, a doença também pode surgir após processos infecciosos, como gripes e resfriados.

Fatores de risco

Estão mais propensos a ter rinite crianças, adolescentes e adultos jovens, em especial aqueles que têm pais alérgicos.

Existem hábitos que também despertam crises de rinite, como viver em lugares com muita poeira e propensão à proliferação de ácaro e mofo.

Sinais e sintomas

Embora os sintomas de rinite pareçam inofensivos, podem afetar drasticamente a qualidade de vida. Entre eles, estão:

  • Espirros
  • Coriza
  • Congestão nasal
  • Lacrimejamento
  • Coceira nos olhos e no nariz
  • Dor facial
  • Diminuição do olfato e do paladar
  • Tosse

A rinite crônica, além dos sintomas listados acima, pode causar mal-estar generalizado, dores de cabeça, roncos e noites mal dormidas.

Diagnóstico

O diagnóstico é basicamente clínico, mas existem exames para elucidar cada caso e definir o melhor tipo de tratamento.

Podem ser realizados exames de sangue para identificar a substância causadora de alergia, assim como a nasofibrolaringoscopia para visualizar doenças da laringe, faringe e mucosa nasal.

Qual profissional devo procurar?

Para o tratamento da rinite, um otorrinolaringologista deve ser procurado.

É contagiosa?

Não, a rinite não é contagiosa.

Tratamentos para rinite

Mulher com rinite usando descongestionante nasal.
puhhha/Shutterstock

Lavagem nasal

O médico pode receitar soro fisiológico diário para melhorar a hidratação das fossas nasais, assim como o uso de umidificador de ar.

Medicamentos

Antialérgicos, descongestionantes nasais e corticoides são remédios comumente usados para tratar rinite. Eles podem ser comprimidos para via oral ou sprays nasais e, como outras drogas, podem gerar reações adversas.

Imunoterapia

Os comprimidos sublinguais e vacinas para rinite consistem em métodos que geram exposição gradual do paciente aos alérgenos, o que pode ser muito eficaz no controle da rinite alérgica.

Os programas podem durar de três a cinco anos, período em que são recebidas doses cada vez mais espaçadas de imunoterapia, as quais fazem o corpo criar resistência aos efeitos da substância pela qual tem hipersensibilidade.

Colírios

A conjuntivite alérgica decorrente da rinite pode ser aliviada por colírios lubrificantes e anti-histamínicos.

Cuidados caseiros

O paciente que tem rinite precisa estar atento ao local em que vive, pois não pode ter contato com muita poeira, ácaro e mofo.

É preciso levar travesseiros e cobertores ao sol semanalmente para arejar os tecidos. Além disso, trocar as roupas de cama com frequência é recomendado. Tapetes também devem ser limpos mensalmente, a fim de evitar o acúmulo de poeira.

Rinite tem cura?

Dependendo do tipo de rinite, é possível atingir a cura.

Complicações

Otite: em casos extremos, a rinite pode causar infecção do ouvido médio.

Sinusite: é uma das complicações mais comuns da rinite. Trata-se da inflamação dos seios da face que costuma apresentar sintomas incômodos, como catarro amarelo-esverdeado, febre, falta de ar e dor de cabeça de forte intensidade.

Ronco: a rinite pode causar ronco devido à obstrução nasal, a qual exige que o paciente respire apenas pela boca. Dessa forma, até mesmo a qualidade do sono é prejudicada.

Pólipos nasais: massas benignas cheias de líquido que crescem dentro das passagens e seios nasais.

Prevenção

É difícil evitar completamente os alérgenos em potencial, mas podem ser adotadas algumas medidas para reduzir a exposição a eles:

  • Manter o quarto bem ventilado e ensolarado;
  • Usar travesseiro de espuma, fibra ou látex;
  • Embalar colchão e travesseiros com capas plásticas impermeáveis a ácaros;
  • Trocar e lave as roupas de cama e cobertores com frequência;
  • Evitar tapetes, carpetes e cortinas (preferir persianas);
  • Dar preferência a pisos laváveis;
  • Evitar bichos de pelúcia, estantes de livros, revistas e caixas de papelão no quarto de dormir;
  • Identificar e eliminar o mofo e a umidade;
  • Passar pano úmido diariamente na casa ou usar aspiradores de pó com filtros especiais duas vezes por semana;
  • Afastar o paciente alérgico do ambiente enquanto se faz a limpeza;
  • Evitar talcos, perfumes, desodorantes, principalmente na forma de sprays;
  • Evitar contato com cigarro;
  • Manter os filtros dos aparelhos de ar condicionado sempre limpos;
  • Evitar a exposição a temperaturas muito baixas e oscilações bruscas de temperatura.

Fontes

Otorrinolaringologista Fausto Nakandakari, do Hospital Sírio Libanês – CRM 129706

Otorrinolaringologista Ana Carolina Cassanti, Da Clínica Dolci – CRM 146216