Retinopatia diabética: o que é, sintomas e tratamento

10 de dezembro de 2018

|

POR Gabriele Amorim

Quem sofre com diabetes precisa dar uma atenção especial à visão, pois é uma doença grave e progressiva que afeta os vasos sanguíneos dos olhos. No entanto, são poucos os pacientes que realmente se preocupam com a saúde ocular. Conheça mais sobre a retinopatia diabética.

O que é?

A retinopatia diabética é uma complicação que ocorre quando o excesso de glicose (açúcar) no sangue danifica os vasos sanguíneos dentro da retina – região conhecida como fundo de olho –, causando estreitamento e, às vezes, bloqueio do fluxo dos vasos.

Além disso, o problema pode causar enfraquecimento da parede da retina, ocasionando deformidades conhecidas como microaneurismas. Estes frequentemente rompem, causando hemorragia e infiltração de gordura na estrutura.

Tipos e fases

Existem duas formas de retinopatia diabética: não proliferativa e proliferativa. A segunda é consequência da primeira. Em ambos os casos, pode haver perda parcial ou total da visão.

Retinopatia diabética não proliferativa

Ocorre quando as hemorragias e os fluídos afetam a mácula– área da retina responsável pela percepção de detalhes.

  • Fase inicial: apresenta microaneurismas;
  • Fase moderada: alguns vasos são bloqueados;
  • Fase severa: mais vasos sanguíneos são bloqueados e diferentes áreas da retina passam a não receber sangue e, consequentemente, oxigênio.

Retinopatia diabética proliferativa

Esse é o tipo mais grave e avançado da doença.

Nele, o bloqueio dos vasos sanguíneos da retina ocasiona o surgimento de novos vasos anormais, os neovasos, que são frágeis e, por isso, podem vazar para a substância clara e gelatinosa que preenche o centro do olho, chamada de vítreo. Como complicação, pode haver descolamento da retina, glaucoma e perda da capacidade de enxergar.

Causas

Na retinopatia, o desequilíbrio glicêmico típico do diabetes tipo 1 e 2 leva à alterações na rede vascular que nutre a retina, tornando-a incapaz de exercer sua principal função, que é transformar estímulos luminosos em impulsos elétricos para que o cérebro interprete imagens.

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), as pessoas que portam diabetes apresentam risco de perder a visão 25 vezes maior do que as que não portam. A retinopatia diabética atinge mais de 75% dos diabéticos há mais de 20 anos.

Fatores de risco

Qualquer pessoa que têm diabetes pode desenvolver retinopatia diabética, porém o risco aumenta a partir dos seguintes fatores:

  • Duração prolongada da diabetes
  • Mau controle do nível de açúcar no sangue
  • Pressão alta
  • Colesterol alto
  • Gravidez
  • Tabagismo

Sintomas de retinopatia diabética

Normalmente, a retinopatia diabética é uma doença silenciosa nos estágios iniciais. Contudo, conforme progride, podem ocorrer sintomas como:

  • Pontos escuros na visão
  • Visão embaçada
  • Visão flutuante
  • Capacidade de enxergar cores prejudicada
  • Escurecimento súbito da visão
  • Manchas vazias na visão
  • Perda de visão

Diagnóstico

A retinopatia diabética é diagnosticada por meio de um exame simples de fundo de olho chamado oftalmoscopia indireta no próprio consultório oftalmológico.

Não invasivo, esse teste é realizado com dilatação da pupila, o que permite analisar maior campo de visão da retina. O procedimento é indolor, embora possa fazer com que a visão fique momentaneamente embaçada.

Durante o exame, o oftalmologista procurará:

  • Vasos sanguíneos anormais
  • Inchaço, sangue ou depósitos de fluido na retina
  • Crescimento de novos vasos sanguíneos
  • Descolamento de retina
  • Anormalidades no nervo óptico
  • Evidências de catarata
  • Evidências de glaucoma

Como rotina, esse exame é indicado principalmente para:

  • Pessoas com qualquer um dos tipos de diabetes;
  • Pacientes acima dos 50 anos;
  • Indivíduos com alto grau de miopia;
  • Pessoas diagnosticadas com doenças que afetam o fundo de olho e a retina;
  • Indivíduos que sofreram traumas oculares.

Todavia, o ideal é que todas as pessoas façam o exame de fundo de olho pelo menos uma vez ao ano.

Qual profissional devo procurar?

O ideal é que todo diabético consulte um oftalmologista anualmente.

Tratamento de retinopatia diabética

Acompanhamento

Durante as primeiras três primeiras fases da retinopatia diabética, pode não haver necessidade de tratamento oftalmológico, exceto quando há edema macular. Neste caso, porém, é necessário continuar monitorando de perto o caso para acompanhar seu desenvolvimento.

Cirurgia

No caso da retinopatia diabética proliferativa (avançada) ou edema macular, é necessário se submeter a tratamento cirúrgico imediato. Nestes casos, a medicina segue avançando e oferece os seguintes procedimentos:

Injeção intravítrea

Uma injeção de medicação antiangiogênica é aplicada diretamente no vítreo, que fica localizado na parte interna e posterior do olho, em contato direto com a retina.

Os antiangiogênicos inibem a formação de novos vasos, ajudam ainda na regressão do quadro, além de melhorar o desequilíbrio gerado por diabetes na circulação retiniana. O procedimento dura poucos minutos, não dói e raramente traz complicações.

Fotocoagulação a laser

Nesse tratamento, os vasos sanguíneos neoformados e as áreas sem oxigenação são fotocoaguladas, ou seja, queimadas com laser focal, o que é capaz de interromper ou retardar o vazamento de sangue e fluido no olho.

Geralmente, é realizada apenas uma sessão em consultório ou clínica médica.

Fotocoagulação panretiniana

Tratamento a laser que visa reduzir vasos anormais por meio de queimaduras laser dispersas.

Normalmente, são necessárias duas ou mais sessões, realizadas em consultório ou clínica médica.

Vitrectomia

É uma cirurgia indicada para casos graves, nos quais o paciente apresenta hemorragia vítrea (sangue na estrutura gelatinosa que fica em contato com a retina), descolamento de retina e outras situações específicas.

Essa cirurgia consiste em uma pequena incisão no olho pela qual são removidos resíduos de sangue e tecido cicatrizado do vítreo. É feita em centro cirúrgico ou hospital por meio de anestesia local ou geral.

Complicações

As complicações da retinopatia diabética incluem sérios problemas de visão:

Hemorragia vítrea

Os novos vasos sanguíneos podem sangrar na substância clara e gelatinosa que preenche o centro do olho. Se a quantidade de sangramento for pequena, é possível enxergar apenas algumas manchas escuras flutuantes na visão. Em casos mais graves, o sangue pode preencher a cavidade vítrea e bloquear completamente a visão.

A hemorragia vítrea por si só não causa perda permanente da visão, visto que o sangue geralmente desaparece do olho dentro de algumas semanas ou meses. Assim, a menos que a retina esteja danificada, a visão pode retornar à sua clareza anterior.

Descolamento de retina

Os vasos sanguíneos anormais associados à retinopatia diabética estimulam o crescimento do tecido cicatricial, o que pode afastar a retina da parte posterior do olho. Esse fato pode causar manchas flutuantes na visão, flashes de luz ou perda severa da visão.

Glaucoma

Novos vasos sanguíneos podem crescer na parte frontal do olho e interferir no fluxo normal do fluido para fora do olho, causando mudança na pressão, conhecida por glaucoma. Essa pressão pode danificar o nervo óptico, que transporta as imagens do olho para o cérebro.

Retinopatia diabética pode causar cegueira?

Sim. Por isso, o controle rigoroso da glicemia e a avaliação oftalmológica anual são extremamente importantes.

A doença pode ser diagnosticada em um exame de rotina, sem apresentar qualquer sintoma, ou com avanço da doença, desde uma leve turvação na visão, até cegueira irreversível, em estágios mais avançados.

Prognóstico

Depende inteiramente do estágio em que se encontra o quadro da retinopatia. Ou seja, quanto mais avançado, pior o prognóstico.

Prevenção

A melhor forma de prevenir a retinopatia diabética é efetuar o controle dos índices glicêmicos e da pressão arterial, com acompanhamento multidisciplinar, e exames oftalmológicos de rotina, principalmente os que avaliam o fundo do olho.

Alguns hábitos que auxiliam no controle do diabetes são:

  • Manter uma alimentação saudável
  • Praticar atividades físicas
  • Tomar medicamentos ou insulina conforme orientação médica
  • Monitorar nível de açúcar no sangue
  • Manter pressão e colesterol sob controle
  • Evitar fumar

Lembre-se: o diabetes não leva necessariamente à perda de visão, desde que controlado.

Fontes

Oftalmologista Antônio Sérgio de Franca Neves, do Hospital CEMA – CRM/SP 115438

Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Retinopatia Diabética. Disponível em: www.cbo.com.br/pacientes/doencas/doencas_retinopatia_diabetica.htm

Manual MSD. Retinopatia diabética. Disponível em: www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-oftalmol%C3%B3gicos/doen%C3%A7as-da-retina/retinopatia-diab%C3%A9tica

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Disponível em: www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-retinopatiac

Instituto de Oftalmologia de Curitiba. Mapeamento de Retina. Disponível em: ioc.med.br/mapeamento-de-retin

Mayo Clinic. Diabetic retinopathy. Disponível em: www.mayoclinic.org/diseases-conditions/diabetic-retinopathy/symptoms-causes/syc-20371611