Ressonância magnética: para que serve, como funciona e riscos

13 de julho de 2018

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POR Lucas Coelho

A ressonância magnética (RM) é um método de diagnóstico que utiliza o eletromagnetismo para fazer imagens muito precisas de diversas partes do corpo. Muitos já passaram pela experiência de deitar-se numa maca e ser colocado dentro do “tubo” do exame, mas geralmente não fazemos ideia de como ele funciona. Entenda a seguir:

Para que serve a ressonância magnética?

 

Exame de ressonância magnética.

David Tadevosian/Shutterstock

Trata-se de um exame que pode ser útil para diversas estruturas. “Fazemos ressonância magnética de crânio, coluna vertebral, tórax, abdômen, pelve, mamas, região cervical, coração, ombro, braço, cotovelo, punho, mão, bacia, coxa, joelho, tornozelo e pé. Enfim, serve para todas as áreas do corpo”, lista o radiologista Alair Sarmet, coordenador do Centro de Imagens do Complexo Hospitalar de Niterói.

A gama de possibilidades faz com que a ressonância magnética seja utilizada para diagnosticar uma série de problemas, desde doenças neurológicas, até as ortopédicas.

É possível realizar uma análise ainda mais minuciosa dos vasos sanguíneos por meio da angioressonância magnética, além de fazer outros exames mais especializados para avaliar, por exemplo, a função cerebral.

Quando os médicos pedem?

A indicação de ressonância magnética visa examinar praticamente todas as regiões do organismo, tais como:

  • Sistema nervoso central
  • Articulações
  • Músculos
  • Ossos
  • Sistema cardiovascular
  • Sistema reprodutor e urinário
  • Sistema respiratório

Todo exame deve ser solicitado por um médico que justificará a indicação de acordo com sinais, sintomas e testes anteriores do paciente.

Como funciona a ressonância magnética?

Nos exames de Ressonância Magnética, o paciente entra dentro de um tubo que o rodeia. Ele é nada mais é do que uma máquina com um campo magnético que escaneia o corpo pelo alinhamento e mapeamento dos átomos de hidrogênio que estão presentes em todos os tecidos.

Então, o equipamento envia ondas de rádio que produzem vibrações no corpo e são enviadas e digitalizadas em um computador, que as transforma em imagens.

“Começou a ser utilizado na prática clínica em geral a partir da metade da década de 1980” conta o radiologista Alair Sarmet.

A máquina emite sons altos que podem assustar, mas são abafados pelo abafador de ouvido.

Preparos

Antes de mais nada, é necessário ficar ao menos três horas em jejum antes do teste.

Também é importante levar exames de imagem anteriores, já que poderão ajudar a esclarecer ou complementar o diagnóstico final junto da ressonância magnética.

Já na clínica, há o preenchimento de um questionário com diversas informações para garantir a segurança e a melhor qualidade possível das imagens. É neste documento que deve ser informada a presença de objetos metálicos.

Antes de entrar na máquina, o paciente deve vestir uma avental hospitalar descartável e protetores de ouvido. Como a sala do equipamento é fria, é possível usar um cobertor durante o exame.

Quais as vantagens em relação aos outros exames?

 

Resultado de ressonância magnética.

create jobs 51/Shutterstock

Vantagens

O radiologista explica que a ressonância magnética obtém imagens nítidas sem utilizar radiação ionizante – empregue na tomografia computadorizada (TC) e no raio X – e, portanto, é mais adequada para crianças, gestantes e indivíduos que necessitam fazer muitos exames de imagem.

Além disso, a base do contraste aplicado na RM é gadolínio, enquanto na TC é iodo, o que pode ser um atrativo para quem tem histórico de alergia ao contraste.

O exame ainda tem resolução espacial excelente, de modo a permitir a visualização de lesões que provavelmente não seriam identificadas por outros métodos de imagem como ultrassonografia, cintilografia, raios X e a até a própria TC.

Desvantagens

Dentre as principais desvantagens está o fato de que o valor da ressonância magnética é elevado, o que explicar porque nem toda a população, hospital ou distrito tem acesso a ela.

Segundo o radiologista, o preço depende de muitas questões, incluindo variações de acordo com a região a ser analisada, quantidade de exames, uso ou não de contraste paramagnético (gadolínio), dentre outros fatores.

Claustrofobia

Pacientes que sofrem de claustrofobia – medo de permanecer em ambientes fechados – podem ter dificuldades em fazer o exame. Nestes casos, é preciso utilizar um equipamento com o tubo mais largo – o maior atualmente tem 70 centímetros de diâmetro – ou optar pela RM aberta nas laterais, que tem baixo campo magnético e é capaz de realizar as análises mais comuns.

Em último caso, há a opção de fazer a RM sob sedação com acompanhamento de médico anestesiologista.

Contraindicações e riscos

Metais

A importância de informar sobre objetos ou fragmentos metálicos se dá justamente por ser um exame que utiliza o magnetismo para a obtenção de imagens. “Deve-se ter cuidado especial no caso de objetos ferromagnéticos em locais nobres, como clipes de aneurisma cerebral, válvulas cardíacas metálicas e marca-passo, sobretudo se já forem antigos”, alerta Alair Sarmet.

O risco é de esses implantes se moverem devido ao campo magnético.

Felizmente, grande parte dos dispositivos utilizados nos casos citados acima são de titânio, metal que não é ferromagnético e não impede a realização da ressonância magnética.

Gestantes no primeiro trimestre

O teste pode ser feito em grávidas, sobretudo quando há a suspeita de malformação fetal.

A única questão é que se deve evitar a realização no primeiro trimestre, pois o embrião está em fase de formação e pode ser prejudicado.

Quanto custa uma ressonância magnética?

É possível que custo seja de menos de R$ 1 mil*, mas pode também se aproximar dos R$ 2 mil*, a depender da área a ser analisada. Felizmente, planos de saúde e o Sistema Único de Saúde (SUS) costumam oferecer o exame.

*Valores checados em julho de 2018.