Refluxo: o que é, sintomas, remédios, causas, cura e mais

30 de agosto de 2018

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POR Mariana Amorim

Refluxo é uma condição natural e que pode acontecer com todas as pessoas alguma vez na vida. No entanto, vale lembrar que sua ocorrência significa que há algo errado com o processo natural de digestão, já que se trata do retorno involuntário de conteúdo do estômago para o esôfago e/ou garganta.

Tanto os sintomas como as consequências locais do refluxo estão diretamente relacionadas à presença do ácido clorídrico, secretado no estômago e essencial no processo inicial de digestão para posterior absorção dos nutrientes no esôfago. Por isso, quando a condição acontece, é comum que o paciente sinta uma acidez característica.

Saiba mais a seguir:

O que é refluxo?

Conforme explica o gastrocirurgião e endoscopista Eduardo Grecco, do Instituto EndoVitta, o refluxo é o retorno do conteúdo do estômago, que é ácido, para o esôfago. “E como o esôfago não é preparado para receber esse ácido, ele reclama na forma de sintomas”, afirma o especialista.

Existe uma barreira mecânica na transição esofagogástrica repleta de estruturas, porém a principal delas é o esfíncter inferior do esôfago, uma espécie de válvula cuja falha resulta no refluxo.

O gastrocirurgião também explica que existem dois tipos de refluxo:

Refluxo fisiológico

Ocorre em todas as pessoas, geralmente ocasionado pelo relaxamento transitório do esfíncter inferior do esôfago e também após uma refeição muito volumosa, por exemplo.

É uma condição esporádica e transitória, portanto não chega a causar transtornos ao paciente.

Refluxo patológico

É quando os episódios de refluxo são frequentes e associados a outros sintomas, causando desconforto e redução da qualidade vida do paciente.

Nesse caso, vale a pena investigar a fundo suas causas e suspeitar de refluxo gastroesofágico (DRGE).

O que causa refluxo?

 

causa do refluxo

Studio BKK/Shutterstock

A causa é multifatorial, porém o principal motivo é uma falha no esfíncter inferior do esôfago, que é um anel de fibras musculares que funciona como uma válvula e que, teoricamente, não deixaria o conteúdo ácido do estômago retornar para o esôfago.

Refluxo em bebê

Os bebês costumam ter refluxo porque o trato digestivo deles ainda está em formação e, assim, podem apresentar sintomas como a regurgitação ou ter manifestações como irritação, choro, dificuldade de respirar e apneia.

Recusa em mamar, chiado no peito, infecções de garganta e ouvido e resistência para dormir também podem ser sinais de refluxo.

O refluxo também pode prejudicar o desenvolvimento da criança, impedindo que ela se alimente com tranqüilidade e, até mesmo, sofra acidentes ao engasgar com a regurgitação.

A boa notícia é que com a introdução alimentar de ingredientes sólidos os refluxos tendem a desaparecer.

Refluxo na gravidez

Mulheres que estão passando por uma gestação podem ter refluxo por conta da produção de progesterona, principal hormônio da gravidez. Esse componente acaba por deixar o funcionamento do sistema digestivo mais lento e, consequentemente, mais episódios de refluxo aparecem.

Além disso, conforme o desenvolvimento do bebê acontece no útero, maior é a pressão dele sob o estômago, o que possibilita que o suco gástrico estomacal faça o caminho inverso e retorne para o esôfago.

O especialista conta que os sintomas costumam ficar mais fortes e frequentes a partir da 27ª semana de gestação.

Fatores de risco

Quando o assunto são fatores de risco do refluxo gastroesofágico, o destaque é para quem:

  • Está grávida
  • Consome tabaco
  • Tem obesidade
  • Tem hérnia de hiato
  • É diabético
  • Faz refeições exageradas

Há ainda o fator alimentação, que pode ser determinante, já que alguns ingredientes podem contribuir para o refluxo, como chocolate, pimenta, frituras, café e bebidas alcoólicas.

Sintomas

 

sintomas de refluxo

Emily frost/Shutterstock

Os principais sintomas são:

  • Sensação de queimação no peito e na garganta
  • Regurgitação ácida

Se o paciente apresentar esses sintomas no mínimo duas vezes por semana, em um período de 4 a 8 semanas ou mais, deve-se pensar no diagnóstico de refluxo gastroesofágico (DRGE).

Existem também os sintomas atípicos, que são:

  • Rouquidão
  • Tosse seca
  • Mau hálito
  • Boca amarga

Os sintomas também podem estar presentes em outras doenças, caso das gastrites e úlceras. Por isso, é importante procurar um médico especialista para o diagnóstico correto.

Diagnóstico

O primeiro diagnóstico deve ser clínico. “Ocorre por meio de uma consulta e exame físico detalhado. Depois, o gastroenterologista deve pedir exames específicos, como endoscopia digestiva alta e phmetria esofágica e manometria esofágica”, conta o especialista.

Qual profissional devo procurar?

Gastroenterologista, endoscopista e até mesmo um gastrocirurgião.

Complicações

Uma das complicações do refluxo é a prevalência da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que ocorre quando o conteúdo gástrico retorna para o esôfago, causando irritação desse órgão e até da orofaringe. Grecco conta que pode acontecer em até 20% da população.

É importante investigar o caso, porque a agressão constante do ácido no esôfago pode acarretar em erosões, causando esofagite erosiva, úlceras e até mesmo uma patologia chamada esôfago de Barrett, que é uma lesão da mucosa que predispõe ao câncer de esôfago.

Tem cura?

Se o caso for de refluxo esporádico, hábitos do dia a dia podem diminuir sua prevalência, como evitar alimentos que fermentam muito no estômago, comer mais devagar e evitar refeições muito exorbitantes.

No caso da hérnia de hiato, a cirurgia pode eventualmente curar o paciente.

Caso esteja associado a medicamentos como anti-hipertensivos e antidepressivos tricíclicos, o plano terapêutico deve ser revisto por um médico.

Porém, o DRGE é uma doença que necessita de tratamento e acompanhamento ao longo dos anos, visto que está relacionada a comportamentos e alimentação.

Tratamento de refluxo

 

antiácido

Fahroni/Shutterstock

Medicamentos

Entre os medicamentos para refluxo utilizados, podem ser prescritos antiácidos, inibidores de bomba de prótons e agentes procinéticos.

Os antiácidos agem tamponando diretamente o ácido presente no estômago e têm como efeito colateral a alteração do hábito intestinal. Tem ação rápida, mas seu efeito tem curta duração. Usualmente são administrados após as refeições.

Os inibidores de bomba de prótons, como o omeprazol, inibem a produção de ácido, tendo um tempo de ação mais prolongado que o dos antiácidos.

Os procinéticos aceleram a velocidade com que o alimento é transferido do estômago para o duodeno, evitando assim as chances de ocorrer o refluxo.

Travesseiro anti-refluxo

O travesseiro anti-refluxo tem um formato triangular e faz com que o tronco do paciente fique ligeiramente elevado, recorrendo à gravidade para reduzir a chance de regurgitação.

Ele pode ser encontrado em casas especializadas em produtos médicos e hospitalares.

Porém, ele não resolve o problema, mas ajuda no alívio dos sintomas.

Dieta para refluxo

Muitas pessoas têm refluxo por consumir uma alimentação não balanceada e que favorece a condição.

Por isso, é interessante evitar alimentos processados, carnes vermelhas e embutidos. Café e chás ricos em cafeína, assim como o próprio chocolate, também estimulam o estômago e acabam favorecendo o refluxo.

Bebidas alcoólicas irritam o estômago. Já os gaseificados aumentam a pressão dentro do estômago e, claro, podem estimular o retorno do líquido para o esôfago.

A pimenta aumenta a acidez e irrita o estômago.

Carboidratos simples, como macarrão e pão, além de fermentarem bastante no estômago, diminuem a força do esfíncter que fecha a passagem para o esôfago.

Mudança de hábitos

É possível melhorar as consequências da condição com a mudança de hábitos simples do dia a dia. Evite as seguintes atitudes:

  • Fazer refeições exageradas
  • Deitar-se logo após comer (esperar pelo menos uma hora)
  • Fazer um intervalo de tempo muito grande ou muito curto entre as refeições
  • Fazer exercícios físicos após a refeição

Tratamento caseiro

Ainda que não substituam o tratamento medicamentoso junto ao especialista, consumir chás com ingredientes que neutralizam a acidez do estômago podem diminuir a agressão do esôfago.

O limão pode ser um aliado na hora de aliviar o incômodo, isso porque tem efeito alcalinizante e ajuda a neutralizar a acidez do estômago.

Por isso, são recomendados chá de limão e vinagre de maçã, água com limão e chá de gengibre com limão.

Prognóstico

Fazendo-se os ajustes na alimentação, adotando as medidas comportamentais, evitando a obesidade, o tabagismo e tomando as medicações regularmente, é possível conviver com o refluxo.

Porém, para pacientes que necessitam usar a medicação ininterruptamente ou os intolerantes ao tratamento clínico prolongado, podem haver indicação de intervenção cirúrgica.

Prevenção

É possível prevenir o refluxo combatendo a obesidade, o tabagismo, evitando refeições volumosas e a ingestão de líquidos durante as refeições, principalmente gasosos.

Há ainda a importância de não se deitar logo após as refeições, de evitar o álcool em excesso, principalmente à noite, e não consumir alimentos que propiciam o refluxo, como frituras e molhos gordurosos.

 

 

Fontes

Gastrocirurgião e endoscopista Eduardo Grecco, do Instituto EndoVitta / CRM 97960