Raio X: como funciona, riscos e em que casos deve ser feito

21 de novembro de 2018

|

POR Manuela Sampaio

A radiografia foi o primeiro método que permitiu observar e diagnosticar um problema no corpo humano sem que para isso fosse necessário uma cirurgia. Hoje, ela é considerada um exame simples, popular e fácil de ser feito.

Suas utilidades são muitas, mas também existem contraindicações. Saiba tudo sobre o exame de raio X a seguir.

O que é?

O radiologista Gustavo Meirelles, gestor médico de radiologia, estratégia e inovação do Grupo Fleury, explica que o exame de raio X é um procedimento de diagnóstico médico à base de radiação ionizante que gera imagens (radiografias) de diferentes partes do corpo humano.

História

O especialista explica que o raio X foi descoberto pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen no final do século XIX. “Ele já vinha trabalhando a luminescência da radiação e percebeu que ao posicionar objetos contra uma chapa fotográfica, estes emitiam uma luminosidade diferente, chamando esse fenômeno de ‘raios X’ – nome utilizado até hoje”.

Seu experimento mais conhecido foi radiografar a mão de sua esposa. Antes disso, não existiam exames de imagem e os diagnósticos eram feitos de forma cirúrgica.

De lá para cá, o exame se popularizou e se tornou uma importante ferramenta de diagnóstico.

Como funciona o raio X?

O exame de raio X é feito por meio da emissão de radiação em direção a parte do corpo que deve ser avaliada.

Esta radiação sofre atenuações diferentes de acordo com a densidade do que encontra em sua frente e produz uma imagem nas placas digitais hoje utilizadas (antigamente eram filmes fotográficos).

Matérias mais densas, como ossos, costumam sair esbranquiçados nas radiografias, enquanto o ar dos pulmões, por exemplo, fica preto. Isso permite, por exemplo, saber se o ar está ventilando adequadamente todo pulmão, se um osso está quebrado, entre muitos outros achados.

Para que serve?

O exame é indicado em diversas situações, dependendo da parte do corpo que é preciso analisar, com finalidades diagnósticas muito diferentes.

“O raio X de tórax pode ser indicado para a detecção de uma pneumonia, de ossos para o diagnóstico de uma fratura, dos seios da face para o diagnóstico de sinusite, do abdômen para a detecção de corpos estranhos”, exemplifica o médico.

Com contraste

O especialista explica ainda que há outros procedimentos que podem ser feitos com uso de contrastes radiológicos (a base de bário ou iodo) para avaliar as vísceras ocas, como esôfago, estômago, intestino, rins e bexiga.

Neste caso, o paciente ingere ou recebe em veia o contraste e, ao passar pela região a ser analisada, é feito o raio x. A substância permite que o exame detecte com mais exatidão os contornos, relevos e possíveis alterações nos órgãos.

Tipos

Existem basicamente três tipos de exames que utilizam radiação ionizante:

Radiografia simples

Conhecida popularmente como raio X.

Radiografia contrastada

Nela, o indivíduo recebe contraste à base de bário ou iodo por via oral ou injetável.

Tomografia

A tomografia computadorizada é uma versão mais sofisticada do exame de raio X comum.

Em ambos são emitidos raios X, mas na tomografia existe um processo computacional que faz a imagem adquirir três dimensões, resultando em resolução e quantidade de detalhes muito maiores.

Existem métodos ainda mais modernos, como o EOS, que também utiliza baixa emissão de raios X para realizar uma avaliação dinâmica do sistema esquelético, coluna vertebral e articulações.

Como é feito o raio X?

 

Raio X das costas.

gorodenkoff/IStock

O raio X é um dos exames mais simples de ser feito. Veja:

Preparo

Sem contraste

O radiologista explica que para radiografias diagnósticas de pulmão, seios da face ou ossos não são necessários preparos. Basta retirar objetos metálicos da parte do corpo a ser analisada, como brincos, fechos de sutiã, entre outros, uma vez que eles podem aparecer na imagem.

Com contraste

Já em radiografias contrastadas podem ser necessários preparos especiais.

Se o contraste for feito por via oral, é pedido o jejum e, caso seja um exame para avaliar o intestino, é necessário uma limpeza intestinal, com uma dieta específica para que não haja resíduo alimentar.

Se for contraste na veia – indicado para avaliação dos rins, por exemplo – o paciente também precisa estar em jejum, para reduzir eventuais efeitos colaterais.

Procedimento

O exame é feito por um técnico e depois analisado por um médico.

Há diferentes posicionamentos para tirar o raio x, dependendo da região do corpo que será estudada.

O paciente é posicionado em uma sala de exames, sentado, em pé ou deitado, e os raios X são emitidos de um tubo, atravessando a parte do corpo que vai ser analisada e atingindo placas digitais. Com isso, são obtidas imagens médicas, também digitais.

Dói?

O exame de raio X não deve provocar qualquer tipo de dor ou mal-estar.

Tem de usar colete de chumbo?

Em muitos casos devem ser usados coletes de chumbo (material capaz de isolar a radiação) para a proteção do profissional que realiza o exame, ou seja, o técnico de raio X ou o médico.

Os coletes de chumbo são utilizados em pacientes apenas no caso de gestantes, para proteger a área abdominal e não expor o feto.

Em geral, a proteção do paciente é feita utilizando a menor dose de radiação possível e limitando o feixe de radiação apenas à área de estudo. Por exemplo, se for um raio X de tórax, a radiação vai incidir somente sobre essa parte do paciente.

Resultados possíveis

Diferente de outros exames, que possuem escores e escalas para especificar seus resultados, os diagnósticos do raio X são baseados na observação do profissional especializado.

Podem ser detectadas diversas alterações, como fraturas, deslocamentos ósseos, pneumonias, aumento do tamanho cardíaco e até cáries, no caso do raio x odontológico.

Quais as vantagens em relação aos outros métodos?

As principais vantagens do raio X são sua simplicidade e rapidez.

Além disso, trata-se de um método barato em comparação com outros exames e, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, está disponível amplamente nos centros de saúde.

Riscos

Antigamente havia riscos, pois as doses de radiação eram maiores e muitas vezes recorrentes. Hoje, com a devida proteção e indicação médica, não há riscos.

Tem alguma contraindicação?

Existe a contraindicação clássica para gestantes, principalmente nas primeiras semanas, já que a radiação pode ter efeitos maléficos para o feto.

“Em uma fase mais avançada da gravidez pode ser realizado o exame de raios X, desde que se cubra o abdômen da gestante com uma manta a base de chumbo, evitando que a radiação tenha contato com o bebê”, diz o médico.

Algum efeito colateral?

A radiografia simples não costuma gerar efeitos colaterais, mas em caso de contraste pode haver sensação de calor, náusea e vômitos. Há ainda o risco de reação alérgica, manifestada com coceira e vermelhidão.

Média de preço para ser realizado

O preço do raio x varia de acordo com o local do corpo que será radiografado e a quantidade de detalhes que se deseja obter com o exame.

É um exame mais barato se comparado com a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

Ele é fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e coberto pela maior parte dos planos de saúde.

Na rede particular, os valores variam. Como exemplo, o exame em áreas pequenas, como punho, custa R$ 100,00 e raio X panorâmico de coluna custa cerca de R$ 400,00.

 

Fontes

Radiologista Gustavo Meirelles, gestor médico de radiologia, estratégia e inovação do Grupo Fleury

Sociedade Brasileira de Reumatologia. Radiografias Simples. Disponível em: www.reumatologia.org.br/pacientes/orientacoes-ao-paciente/radiografias-simples