Pneumonia: sintomas, causas, complicações, tratamento e mais

Atualizado em 03 de agosto de 2018

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POR Lucas Coelho

Pneumonia é uma doença que afeta os pulmões e provoca uma infecção generalizada que pode ser causada por diversos motivos. A gravidade da doença varia, podendo ser leve até ter risco de morte. É mais perigosa em bebês, crianças pequenas, idosos e pessoas com problemas de saúde ou sistema imunológico debilitado.

O que é pneumonia?

A infecção acontece pela presença de alguma substância estranha que penetra o sistema respiratório, chegando até os alvéolos – ou espaço alveolar – e provocando uma reação inflamatória intensa, como resultado da tentativa do  organismo em expulsar o invasor.

O processo inflamatório pode ser desencadeado por alguma bactéria ou vírus, mas outros agentes irritantes também podem ser responsáveis, como fungos e até reações alérgicas.

São nos alvéolos que ocorrem as trocas gasosas da nossa respiração, trazendo oxigênio para o sangue e retirando o gás carbônico para ser expirado. Por este motivo, a inflamação nesse tecido é delicada, já que afeta diretamente uma função básica da sobrevivência.

Causas de pneumonia: como se pega?

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Muitos germes podem causar a doença. Os mais comuns são bactérias e vírus presentes no ar que respiramos.

A condição é classificada de acordo com os tipos de micro-organismos que a causam. A maioria dos casos é de pneumonia bacteriana, o que requer um tratamento com antibióticos. Já a pneumonia viral tende ser curada espontaneamente após certo tempo. Cada caso requer uma abordagem médica diferente.

A doença, em geral, se desenvolve a partir de outros problemas de saúde, como gripes e garganta inflamada. A imunidade é um fator crucial, já que o sistema imunológico de pessoas saudáveis consegue lidar com os agentes infecciosos, enquanto que alguém mais debilitado tem mais chances de desenvolver o acometimento.

“Algumas pneumonias são causadas por germes mais potentes e que têm uma agressividade maior”, explica a pneumologista Fernanda Gois, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba. “A situação depende também de quem foi acometido. Crianças e idosos têm saúde mais vulnerável, por exemplo”, finaliza.

Fatores de risco

Pneumonia pode afetar qualquer pessoa, mas existem dois grupos etários com maior risco: crianças com 2 anos ou menos e pessoas com 65 anos ou mais.

Outros fatores de risco incluem:

Hospitalização

gá maior risco de pneumonia em indivíduos internados em unidades de terapia intensiva de hospitais, especialmente se estiverem em máquinas que ajudam a respirar (chamadas de ventilador).

Doença crônica

Quem tem asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou doença cardíaca têm mais chance de contrair pneumonia.

Tabagismo

Fumar prejudica as defesas naturais do corpo contra bactérias e vírus que causam pneumonia.

Sistema imunológico enfraquecido

Pessoas que têm HIV / AIDS, que passaram por um transplante de órgão ou que recebem quimioterapia ou esteróides de longo prazo estão em risco.

Baixo nível socioeconômico

Trata-se de um problema que está diretamente ligado a desigualdades socioeconômicas. Crianças que sofrem de subnutrição, por exemplo, estão sempre em maior risco.

Sintomas de pneumonia

 

tosse pneumonia

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Saber identificar os sintomas da pneumonia é essencial, pois as chances de cura e possibilidades de tratamento estão diretamente relacionadas a um diagnóstico precoce da doença.

Os principais sintomas de pneumonia são:

  • Febre acima dos 38º
  • Tosse
  • Falta de ar
  • Secreção amarelada
  • Dor no peito ao respirar
  • Cansaço
  • Enjoo
  • Vômito
  • Diarreia

Em idosos, é possível notar também confusão mental, sensação de fraqueza e mudança na pressão arterial.

Já em bebês, a observação deve ser mais cuidadosa. Perda de apetite, respiração ofegante e a pouca expansão da caixa torácica ao inalar são sinais de que algo não está certo.

Com crianças um pouco mais velhas, é possível que haja a reclamação de dor de barriga, pois dores nas partes inferiores dos pulmões podem ser confundidas.

Pneumonia atípica tem sintomas diferenciados

Casos de pneumonia atípica, que é causada por microrganismos menos frequentes, são mais raros. Ela tem esse nome porque não apresenta os sintomas corriqueiros da doença, o que dificulta sua identificação.

A pneumonia não é altamente contagiosa, mas a atípica pode ser detectada quando, por exemplo, uma família inteira manifesta os mesmos sintomas.

Apesar de não se manifestar com febre, podem se apresentar com tosse com catarro ou outros sinais isolados.

Diagnóstico

diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no tratamento, já que aumenta as chances de cura e evita consequências graves que podem levar à morte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pneumonia matou mais de 900 mil crianças com menos de 5 anos de idade em 2015 ao redor do mundo – o que representa aproximadamente 16% de todas as mortes registradas nesta faixa etária.

Em 2009, foi criado o Dia Mundial da Pneumonia, celebrado todo 12 de novembro. O objetivo é justamente relembrar as precauções necessárias e alertar quanto aos perigos da doença.

Qual médico procurar?

Geralmente, quando o paciente manifesta os sintomas de pneumonia, ele primeiro consulta um clínico geral. Após um exame inicial, o médico encaminha para um pneumonologista, que faz o diagnóstico.

Como é a consulta?

O primeiro passo do médico é auscultar a respiração do paciente com o estetoscópio. Pessoas com pneumonia apresentam um som característico ao respirar, que é justamente a secreção presente nos alvéolos.

Constatada a irregularidade, costuma ser pedido um raio X para observar com mais clareza a situação dos pulmões. O exame é importante para estabelecer a gravidade do acúmulo de líquido nos pulmões e o tamanho da infecção.

Por vezes, o médico também pode pedir exames de sangue e outros testes complementares para tentar identificar a origem da disfunção – ou seja, se é viral, bacteriana ou de outra causa.

Tratamento de pneumonia

 

tratamento de pneumonia

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Bacteriana

Quando a pneumonia é causada por uma bactéria, não há muito segredo: o tratamento é feito por meio de antibióticos e deve durar até duas semanas, em média.

Nos primeiros dias, a febre cessa e o nível de toxinas no sangue – liberadas pela infecção pulmonar – diminui. Os outros sintomas se vão com o tempo.

Viral

Se a doença tiver origem viral, porém, o controle é mais sintomático – ou seja, trata-se os sintomas apresentados pelo paciente até que o corpo esteja fortalecido para combater o vírus.

O tratamento é comumente feito em casa, mas a internação pode ser necessária em casos mais graves. Se a febre for muito alta, a pressão arterial estiver descontrolada ou a dificuldade para respirar for muito grande, é provável que médico responsável indique que o paciente permaneça no hospital.

Complicações

Mesmo com o tratamento, principalmente aquelas em grupos de alto risco, podem apresentar complicações, incluindo:

Bacteremia

As bactérias que entram na corrente sanguínea a partir dos pulmões podem espalhar a infecção para outros órgãos, causando potencialmente sua falência.

Dificuldade ao respirar

Se a sua pneumonia for grave ou se existirem doenças pulmonares subjacentes, pode haver dificuldade em respirar grave, a qual requer uma aparelhos respiratórios.

Líquido ao redor dos pulmões

A doença pode causar a formação de líquido no espaço entre as camadas de tecido que revestem os pulmões e a cavidade torácica. Caso o fluido se infecte, pode ser necessário drená-lo ou retirá-lo em cirurgia.

Abscesso pulmonar

Um abscesso ocorre se o pus se formar em uma cavidade no pulmão. O problema é geralmente tratado com antibióticos, mas pode ser necessário cirurgia ou drenagem.

Prevenção

 

vacina contra pneumonia

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De acordo com a pneumologista Fernanda Gois, já existem medicamentos de ponta para o tratamento da pneumonia, mas o fundamental é trabalhar na prevenção.

Mantenha uma boa higiene

Para se proteger das infecções respiratórias que às vezes levam à pneumonia, lave as mãos regularmente ou use um desinfetante à base de álcool.

Não fume

Além de causar câncer de boca, fumar prejudica as defesas naturais dos seus pulmões contra infecções respiratórias. Evite o hábito.

Fortaleça o sistema imunológico

Durma o suficiente, faça exercícios regularmente e mantenha uma dieta saudável.

Este, inclusive, é o principal caminho de combate à doença apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem uma preocupação particular com a saúde infantil e, entre diversas orientações, sugere que as crianças sejam exclusivamente amamentadas durante os primeiros seis meses de vida como forma de fortalecer o sistema imunológico desde cedo.

Cuide bem de gripes e resfriados

Como a pneumonia é muitas vezes uma evolução de um quadro menos grave, também é importante cuidar bem de gripes e resfriados.

Mantenha os ambientes bem ventilados

Fazer o ar circular em ambientes que permanecem fechados por muito tempo (principalmente no inverno, época do ano em que as doenças respiratórias são mais comuns) e não expor o corpo a mudanças bruscas de temperatura são outras precauções válidas.

Vacine-se

Em 2010, o Ministério da Saúde colocou a vacina pneumocócica no calendário básico de imunização. Segundo o Portal da Saúde do governo federal, ela deve ser aplicada em duas doses, aos 2 e aos 4 meses de idade, e um reforço é recomendado quando a criança completar um ano de vida.

A vacina contra pneumonia é eficiente contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por diversos tipos de infecções respiratórias e uma das causadoras mais comuns da doença. A imunização também diminui os riscos de transmissão da bactéria de uma pessoa para a outra.

Idosos acima dos 60 anos estão entre os indicados para receber a dose, especialmente os que vivem em casas de saúde e abrigos. A vacina também pode ser indicada para pessoas que sofrem de condições que facilitam o desenvolvimento da doença, como:

  • Diabetes;
  • Dependentes de álcool;
  • Fumantes;
  • HIV
  • Doenças pulmonares;
  • Problemas cardíacos, renais ou hepáticos;
  • Gravidez.

A principal contraindicação da vacina pneumocócica é para pessoas que sofram de púrpura trombocitopenia, doença sanguínea que afeta o número de plaquetas no sangue. A dose pode agravar o quadro, levando a sangramentos ou até hemorragias graves.