Pneumonia tem mais chances de cura quando descoberta cedo

21 de novembro de 2017 ● POR Lucas Coelho

A pneumonia é uma doença grave que afeta os pulmões, provocando uma infecção generalizada, e que pode ser causada por diversos motivos. Em países como o Brasil, com índice de pobreza alto e um sistema público de saúde deficiente, trata-se de uma enfermidade particularmente perigosa para crianças e idosos.

Entendendo melhor a pneumonia

A infecção acontece pela presença de alguma substância estranha que penetra o sistema respiratório, chegando até os alvéolos – ou espaço alveolar – e provocando uma reação inflamatória intensa, que mais tarde foi batizada de pneumonia pela comunidade médica. Essa inflamação é uma reação do nosso organismo que tenta expulsar a substância invasora.

O processo inflamatório pode ser desencadeado por alguma bactéria ou vírus, mas outros agentes irritantes também podem ser responsáveis, como fungos e até reações alérgicas.

São nos alvéolos que ocorrem as trocas gasosas da nossa respiração, trazendo oxigênio para o sangue e retirando o gás carbônico para ser expirado. Por isso, a inflamação nesse tecido é tão delicada, pois afeta diretamente uma função básica da nossa sobrevivência.

Possíveis causas

Na maioria das vezes, a pneumonia é causada por bactérias, o que requer um tratamento com antibióticos. Se a causa da doença for um vírus, o próprio corpo tende a lidar sozinho e expulsá-lo após certo tempo. Cada caso requer uma abordagem médica diferente.

“Algumas pneumonias são causadas por germes mais potentes e que têm uma agressividade maior”, explica a pneumologista Fernanda Gois, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba. “A situação depende também de quem foi acometido. Crianças e idosos têm saúde mais vulnerável, o que aumenta a gravidade da doença”.

A pneumonia, em geral, é um quadro que se desenvolve a partir de outros problemas de saúde. O sistema imunológico de pessoas saudáveis consegue lidar com os agentes infecciosos, enquanto que alguém mais debilitado tem mais chances de desenvolver a doença.

Quais os fatores de risco para a doença?

Trata-se de um problema que está diretamente ligado a desigualdades socioeconômicas. Crianças que sofrem de subnutrição, por exemplo, estão sempre em maior risco.

O grande cuidado que devemos ter é prestar atenção aos sintomas, pois um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no tratamento, inclusive aumentando as chances de melhora do quadro e evitando consequências graves que podem levar à morte. Quando o paciente chega aos médicos já sofrendo de complicações decorrentes da pneumonia, pode ser tarde demais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pneumonia matou mais de 900 mil crianças com menos de 5 anos de idade em 2015 ao redor do mundo – o que representa aproximadamente 16% de todas as mortes registradas nesta faixa etária.

Em 2009, foi criado o Dia Mundial da Pneumonia, celebrado todo 12 de novembro. O objetivo é justamente relembrar as precauções necessárias e alertar as pessoas para os perigos da doença.

Sintomas da pneumonia

Saber identificar os sintomas da pneumonia é essencial, pois as chances de cura e possibilidades de tratamento estão diretamente relacionadas a um diagnóstico precoce da doença.

Os principais sintomas são febre, tosse e falta de ar. De maneira geral, a febre é alta, acima dos 38°. A tosse, que é comum para diversas outras doenças menos graves, como a gripe, vem acompanhada de falta de ar e de uma secreção de cor amarelada. O paciente pode sentir dores no peito ao respirar justamente porque os pulmões estão inflamados.

Em idosos, é possível notar também confusão mental, sensação de fraqueza e mudança na pressão arterial. Já em bebês, a observação deve ser mais cuidadosa. Perda de apetite, respiração ofegante e a pouca expansão da caixa torácica ao inalar são sinais de que algo não está certo.

Com crianças um pouco mais velhas, é possível que haja a reclamação de dor de barriga, pois as dores nas partes inferiores dos pulmões pode acabar confundindo.

Casos de pneumonia atípica, que é causada por microrganismos menos frequentes, são mais raros. Ela tem esse nome porque não apresenta os sintomas corriqueiros da doença, o que dificulta sua identificação.

A pneumonia não é altamente contagiosa, mas a “atípica” pode ser detectada quando, por exemplo, uma família inteira manifesta os mesmos sintomas. Apesar de não estarem com febre, os familiares podem apresentar tosse com catarro ou outros sinais isolados da doença.

Diagnóstico

Geralmente, quando o paciente manifesta os sintomas da pneumonia, ele primeiro consulta um clínico geral. Após um exame inicial, o médico encaminha para um pneumonologista, que faz o diagnóstico.

O primeiro passo do médico é auscultar a respiração do paciente com o estetoscópio. Pessoas com pneumonia apresentam um som característico ao respirar, que é justamente a secreção presente nos alvéolos. Constatada a irregularidade, deve ser pedido um exame de raio-X, para observar com mais clareza a situação dos pulmões.

A gravidade do quadro será estabelecida pelas observações feitas por meio justamente da radiografia. O acúmulo de líquido nos pulmões e o tamanho da infecção são fatores importantes a serem observados nesta etapa.

Por vezes, o médico também pode pedir exames de sangue e outros exames complementares para tentar identificar a origem da pneumonia — ou seja, se é viral, bacteriana ou de outra causa.

Tratamento

Quando a pneumonia é causada por uma bactéria, não há muito segredo: o tratamento é feito por meio de antibióticos e deve durar até duas semanas, em média.

Nos primeiros dias, a febre cessa e o nível de toxinas no sangue – liberadas pela infecção pulmonar – diminui. Os outros sintomas se vão com o tempo. Se a doença tiver origem viral, porém, o controle é mais sintomático — ou seja, trata-se os sintomas apresentados pelo paciente até que o corpo esteja fortalecido para combater o vírus.

O tratamento é comumente feito em casa, mas a internação pode ser necessária em casos mais graves. Tudo depende do quadro do paciente. Se a febre for muito alta, a pressão arterial estiver descontrolada ou a dificuldade para respirar for muito grande, é provável que médico responsável indique que o paciente permaneça no hospital.

Prevenção

De acordo com a pneumologista Fernanda Gois, já existem medicamentos de ponta para o tratamento da pneumonia, mas o fundamental é trabalhar na prevenção. “Isso acontece a partir da conscientização quanto à vacinação, ao malefícios do cigarro e à importância da higiene pessoal no dia a dia”, afirma a especialista.

Este, inclusive, é o principal caminho de combate à doença apresentado pela Organização Mundial da Saúde. A OMS tem uma preocupação particular com a saúde infantil e, entre diversas orientações, sugere que as crianças sejam exclusivamente amamentadas durante os primeiros seis meses de vida como forma de fortalecer o sistema imunológico desde cedo.

Como a pneumonia é muitas vezes uma evolução de um quadro menos grave, também é importante cuidar bem de gripes e resfriados.

Fazer o ar circular em ambientes que permanecem fechados por muito tempo (principalmente no inverno, época do ano em que as doenças respiratórias são mais comuns) e não expor o corpo a mudanças bruscas de temperatura – daí a importância de se agasalhar bem ao sair de casa – são também precauções interessantes.

Vacina

Em 2010, o Ministério da Saúde colocou a vacina pneumocócica no calendário básico de imunização para menores de dois anos. Segundo o Portal da Saúde do governo federal, ela deve ser aplicada em duas doses, aos 2 e aos 4 meses de idade, e um reforço é recomendado quando a criança completar um ano de vida.

A vacina é eficiente contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por diversos tipos de infecções respiratórias e uma das causadoras mais comuns da pneumonia. A vacinação também diminui os riscos de transmissão da bactéria de uma pessoa para a outra.

Idosos acima dos 60 anos também estão entre os indicados para receber a dose, especialmente os que vivem em casas de saúde e abrigos. A vacina também pode ser indicada para pessoas que sofrem de condições que facilitam o desenvolvimento da doença, como:

  • Pessoas com diabetes;
  • Pessoas dependentes de álcool;
  • Fumantes;
  • Soropositivos (pessoas que vivem com HIV);
  • Pacientes de doenças pulmonares;
  • Pessoas com problemas cardíacos, renais ou hepáticos;
  • Mulheres gestantes.

A principal contraindicação da vacina pneumocócica é para pessoas que sofram de púrpura trombocitopenia, uma doença sanguínea que afeta o número de plaquetas no sangue. A dose pode agravar o quadro, levando a sangramentos ou até hemorragias graves.