Periodontite: o que é, sintomas, cura e tratamentos da doença

Atualizado em 31 de outubro de 2019

Revisado por: Julia Cardoso

DENTISTA | CRO RJ 43046

A periodontite é caracterizada por uma inflamação gengival, que já não está limitada à gengiva, como na gengivite, mas também afeta os tecidos de suporte dental — como ligamento periodontal e osso. Saiba mais:

Quais são suas causas?

 

Periodontite

ilusmedical/Shutterstock

A periodontite é uma evolução da gengivite. Mas somente o tártaro não é suficiente para desenvolver um quadro de periodontite mais grave. É necessário que bactérias específicas da periodontite estejam presentes e liberem toxinas específicas, aumentando a resposta inflamatória e levando à perda de sustentação.

Além disso, fatores como predisposição genética, diabetes e tabagismo podem determinar a progressão e a gravidade do quadro.

Periodontite crônica x agressiva

Ela pode se apresentar de duas formas:

Crônica

A periodontite crônica é a forma mais comum do problema. Nela, a destruição dos tecidos de suporte está relacionada com uma quantidade compatível de fatores locais, como tártaro acima ou abaixo da gengiva.

Esse tipo tem progressão lenta e possui períodos de exacerbação e remissão.

A periodontite crônica é classificada como local ou generalizada e pode estar relacionada com fatores sistêmicos, como diabetes, tabagismo, infecção por HIV ou estresse, por exemplo.

Agressiva

A periodontite agressiva ocorre em pacientes saudáveis e sem comprometimento sistêmico quando os fatores locais (quantidade de placa e/ou tártaro) não condizem com o tamanho da destruição, visto que a progressão é muito rápida.

É estudada a possibilidade de um padrão de resposta imune diferenciado.

Este tipo pode ser dividido em localizado e generalizado.

O primeiro geralmente tem inicio entre 11 e 13 anos de idade, além de tendência familiar. A perda de sustentação ocorre normalmente nos primeiros molares e incisivos e um ou dois dentes além.

Já o segundo costuma ocorrer em pacientes com menos de 30 anos e há perda de sustentação em pelo menos 3 dentes que não sejam os primeiros molares e incisivos. A presença de placa e inflamação gengival pode ser maior que na localizada.

Ulcerativa necrosante

Tipo grave, que possui ação rápida e compromete o osso e ligamento alveolar. Presente nos casos de fumantes, portadores de HIV e consumidores frequentes de bebidas alcoólicas.

Fatores de risco

O principal fator de risco é o acúmulo de placa bacteriana nos dentes devido à falta de higiene adequada. Outras razões que também influenciam no desenvolvimento da doença são:

  • Predisposição genética
  • Fumo
  • Diabetes
  • Uso de determinados medicamentos, como antidepressivos
  • Alterações hormonais
  • Desnutrição
  • Fatores psicossociais, como depressão e ansiedade
  • Outras condições sistêmicas
  • Desordens genéticas

Sintomas de periodontite

Como o problema pode estar associada à gengivite, podemos observar alguns sinais em comum. Veja os principais sintomas da periodontite:

  • Sangramento gengival espontâneo na escovação, alimentação ou com o uso do fio dental
  • Gengivas inchadas, brilhantes, avermelhadas e doloridas
  • Mau hálito constante
  • Presença de pus no espaço gengival próximo ao dente
  • Dentes com mobilidade

“É importante lembrar que em diversos casos a periodontite pode aparecer de forma silenciosa e assintomática, sem nem ao menos ter sido precedida de um quadro de gengivite”, alerta a periodontista Priscyla de La Rocque, da Crie Odontologia.

Diagnóstico

O diagnóstico visa determinar o estado do dano da doença e suas causas. Ele normalmente engloba:

  • Anamnese: consiste em uma conversa para saber a história prévia e atual do paciente e de seus familiares, além de há quanto tempo os sintomas surgiram e como começaram.
  • Exame clínico: visa detectar a presença de características clínicas que demonstrem perda de inserção óssea.
  • Radiografia: serve para avaliar o nível de perda óssea.

Qual profissional procurar?

É importante realizar consultas periódicas com cirurgião-dentista ou periodontista de confiança, para que seja verificada qualquer alteração no periodonto e indicado o melhor tratamento a ser realizado.

Quanto mais se segue a frequência recomendada pelo seu dentista, evita-se que o problema chegue em um nível de perda óssea exagerada e mobilidade dentária.

Periodontite tem cura?

A periodontite tem controle da progressão, por isso o tratamento consiste em acompanhamento frequente. Como muitas vezes, há fatores hereditários e ou sistêmicos envolvidos, assim não há cura, apenas controle.

Tratamento para periodontite

Raspagem periodontal

A raspagem para remoção de tártaro — placa bacteriana dental que endurece a superfície dos dentes — na superfície radicular é a principal abordagem para tratar o problema.

Ela pode ser acompanhada de cirurgias de acesso ou cirurgias regenerativas para recuperar o tecido periodontal, além da associação de medicações antimicrobianas.

O processo será necessário caso o tártaro esteja muito profundo. Nesse procedimento, as superfícies das raízes dos dentes são expostas para proporcionar uma melhor raspagem. Após a cirurgia, a gengiva é suturada para que cicatrize.

Controle de placa bacteriana

Além disso, o controle de placa bacteriana supra gengival — feito por evidenciação de placa bacteriana, profilaxias e orientações de higiene — é importante que o controle de placa seja continuado pelo paciente em casa e, com isso, o tratamento tenha efeito e o controle mantidos.

Terapia de suporte

Consiste em uma fase de manutenção, com consultas periódicas para acompanhar a resposta do paciente ao tratamento e realização de uma possível intervenção em tempo adequado, em caso de necessidade.

Medicamentos para periodontite

Durante o tratamento, podem ser administrados diferentes remédios para periodontite, caso seja necessário, para controle da infecção.

Complicações e riscos da doença periodontal

Além de levar à perda dos elementos dentários e, consequentemente, prejudicar a mastigação, fala e estética do sorriso, sabe-se que a doença periodontal está ligada aos seguintes riscos:

  • Desenvolvimento de problemas de saúde, como dificuldade do controle sistêmico em pacientes com diabetes
  • Complicações durante a gravidez, como parto prematuro
  • Doenças cardíacas, como infarto do miocárdio e aterosclerose
  • Outras doenças e infecções

Como prevenir?

“A melhor maneira de evitar o desenvolvimento da periodontite é manter uma boa higiene bucal diariamente, com escovação após as refeições, ao acordar e antes de dormir”, conclui Priscyla de La Rocque.

O uso do fio dental também é imprescindível para limpar as regiões nas quais a escova não alcança. Nos casos em que os dentes são separados, o uso de escovas interproximais é recomendado.

Consultas periódicas ao cirurgião-dentista são necessárias para controle e intervenção precoce, a fim de evitar a evolução da doença e suas complicações