Pedra na vesícula: problema aparece com desequilíbrio da bile

Atualizado em 04 de janeiro de 2019

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POR Gustavo Frank

Afetando cerca de 10% da população, praticamente todo mundo tem um parente ou amigo próximo que já sofreu com colelitíase, conhecida também como pedra na vesícula. A doença tem origem com surgimento de cálculos, chamados também de pedras, de diferentes tamanhos que se concentram no vesícula ou nos dutos biliares.

A vesícula é um órgão que se conecta com o fígado, o duodeno e a parte inicial do intestino delgado por meio de canais. Ela serve como um reservatório da bile, líquido que ajuda a digerir os alimentos no corpo e a absorver suas gorduras.

Em 90% dos casos, o cálculo biliar, como a doença também pode ser chamada, se forma na vesícula, enquanto nos outros 10%, elas aparecem nos dutos. Seu surgimento é consequência de qualquer alteração seguida de desequilíbrio da composição da bile, causando a formação de pedras, podendo ter origem do cálcio, do colesterol e de substâncias como a bilirrubina.

Como as pedras são formadas?

Os cálculos se formam quando a mistura de substâncias que formam a bile é danificada, consequência do aumento do colesterol ou a falta de sais biliares, dificultando a passagem e fluxo desses dentro do organismo. Ou seja, o colesterol e outros compostos, como a bilirrubina, em excesso no corpo formam essas pedras.

Um exemplo disso é quando colocamos água em um copo e adicionamos sal. No início, o sal vai dissolver, mas se aumentar a quantidade, ele não dissolve e fica concentrado no fundo do copo. A formação do cálculo biliar no nosso organismo passa por um processo similar.

Tipos de pedra na vesícula

Existem três tipos de colelitíase, compostas por diferentes substâncias:

Colelitíase de colesterol

Esses episódios, considerados os mais comuns dentre os dois seguintes, são diagnosticados quando as pedras são formadas pelo excesso de colesterol na bile, que se cristalizam e ficam amarelas – conhecidas também como “pedras amareladas”.

Pigmentares marrons

A pedra nesse caso é composta pelo acúmulo de bilirrubina, substância presente no fígado, com a aparência pequena e escura.

Ao invés da vesícula, seu aparecimento é mais frequente nos dutos biliares do paciente.

Bilirrubinato de cálcio

Comum e acontece com o aparecimento diretamente na vesícula, essa pedra de cor preta é formada pelo excesso de bilirrubina, sais e cálcio. Seu aparecimento pode ter origem de outras complicações, como a cirrose e infecções no trato biliar.

Causas da pedra

Não se sabe cientificamente quais são as causas exatas, mas os principais fatores que podem contribuir para o aparecimento dos cálculos são:

  • Dieta rica em gordura e pobre em fibras;
  • Hipertensão;
  • Anemia hemolítica crônica, ocorre quando as células vermelhas do sangue são produzidas em menor quantidade;
  • Uso prolongado de anticoncepcionais, a alta ingestão de estrógeno (hormônio) no organismo contribui;
  • Predisposição genética.

Grupos de risco

  • Mulheres, que possuem 3 vezes mais a chance de terem pedra, devido a presença do estrógeno no corpo;
  • Grávidas, devido ao aumento de estrógeno no corpo durante a gravidez;
  • Idade avançada;
  • Fumantes, pelo efeito das substâncias tóxicas no fluxo sanguíneo;
  • Diabéticos, pois a condição aumenta o nível de colesterol no corpo;
  • Obesidade, uma vez que a quantidade de colesterol e gorduras estão relacionadas ao desequilíbrio da concentração.

Sinais e sintomas mais comuns

Nem sempre a pedra na vesícula manifesta sintomas devido aos diferentes tamanhos em que ela aparece no corpo, quando é pequena, por exemplo, pode não incomodar. Porém, quando grandes, são comuns queixas como:

  • Cólica biliar, dor no lado direito do abdômen e tem o início imediato após a ingestão de alimentos muito gordurosos;
  • Icterícia, quando a pele e os olhos, principalmente, ficam amarelados devido ao bloqueio da bile até a vesícula. Isso faz com que a bilirrubina retorne ao fígado e seja absorvida pelo sangue;
  • Náuseas e vômitos;
  • Inchaço abdominal;
  • Fezes mais claras;
  • Urina escurecida.

Diagnóstico

Com o aparecimento dos sintomas citados, é necessário procurar por um médico especialista, como o gastroenterologista. Ele fará a análise e posteriormente realizará alguns exames para a confirmação da presença de pedra na vesícula ou em seus dutos, tais como:

  • Raio X;
  • Ultrassonografia;
  • Tomografia computadorizada.

Como é feito o tratamento?

A medida mais indicada na maioria dos casos é a cirurgia, realizada por meio de processos pouco invasivos e de curto tempo de internação. Um deles é a colecistectomia laparoscópica, onde quatro incisões são feitas no abdômen para a retirada da vesícula do corpo – algo que não vai fazer mal para o corpo, pelo contrário, evita o reaparecimento da pedra e possíveis complicações.

Existe também a possibilidade da litotripsia extracorpórea, onde ondas de choque são usadas para quebrar os cálculos, fazendo com que eles sejam liberados parcialmente por meio dos dutos. Esse tratamento, ao contrário da colecistectomia, não impede que elas reapareçam no futuro.

Vale reforçar que a cirurgia para a remoção da vesícula é a medida mais indicada, por menor que seja a pedra, devido ao seu potencial de efetividade e prevenção do aparecimento de futuras pedras. Além do que elas podem se espalhar para outros órgãos e danificar seus funcionamentos.

Em quadros brandos e que sejam especificamente colelitíase de colesterol, o uso de medicamentos, como o Ácido Biliar, pode ser utilizado para diluir as pedras. Medicações devem ser tomadas apenas com prescrição médica.

Cuidados pré e pós cirúrgicos

É importante que antes e depois da cirurgia, o paciente evite comer alimentos gordurosos e muito ricos em fibras, já que podem causar gases e diarreia. Alguns exemplos são:

Quando se faz a cirurgia e é removida a vesícula, isso não deve ser visto como uma complicação, já que o órgão não é vital para o funcionamento do corpo. Com sua remoção, a bile vai direto do fígado para o intestino em um fluxo constante e continuará a digerir as gorduras.

Possíveis complicações

Quando não tratadas, o cálculo biliar pode gerar as seguintes complicações:

  • Cólica biliar;
  • Colecistite, inflamação do no tecido da vesícula biliar;
  • Colangite, infecção dos dutos biliares;
  • Pancreatite;
  • Necrose, devido à falta de oxigênio até a vesícula;
  • Sepse, infecção generalizadas dos órgãos.

Como me prevenir de pedra na vesícula?

Além de uma dieta para diminuir o consumo de alimentos muito gordurosos, existem algumas outras medidas que podem ser tomadas para evitar seu surgimento, como:

  • Acompanhamento médico frequente;
  • Emagrecimento gradual, visto que quando se perde peso muito rápido o desenvolvimento dessas pedras é maior;
  • Reeducação alimentar, para evitar a obesidade e comer saudavelmente.