Osteoporose: o que é e como tratar a doença que causa fraturas?

Muitos consideram a osteoporose uma sentença de velhice ou de incapacidade, mas a realidade é que essa doença é daquelas que pode ser bem controlada caso seja dado a ela o devido cuidado.

Comum em mulheres após a menopausa, ela pode passar anos sem manifestar sintomas, basta que você tenha uma vida com hábitos saudáveis. Saiba mais:

O que é?

O osso normalmente, durante toda a vida, sofre um processo de reabsorção e regeneração, porém ainda se mantém com a resistência habitual. Na osteoporose, há perda de massa óssea, a qual deixa o esqueleto mais poroso, frágil e suscetível a fraturas. Essas lesões ocorrem principalmente em pontos mais propensos a quebras, como punho, coluna e quadril.

O acometimento está intimamente relacionado ao avançar da idade e, apesar de ser mais frequente em mulheres, não é exclusividade delas. A osteoporose faz parte do processo natural de envelhecimento, por isso, é também bastante comum em homens idosos.

Osteoporose x Osteopenia

Tanto osteopenia quanto osteoporose são variáveis graus de perdas de densidade óssea, a diferença é que a osteopenia é mais leve, ou seja, uma espécie de “meio do caminho” entre ter ossos normais e com osteoporose.

Na osteopenia, não é esperado que os ossos fraturem com facilidade ou espontaneamente, o que pode acontecer na osteoporose.

Tipos

Existem três tipos de osteoporose, segundo a nomenclatura médica:

Osteoporose primária

Acontece de forma espontânea em homens mais velhos e em mulheres após a menopausa –há uma diminuição de cerca de 1% ao ano de massa óssea após o fim da menstruação, visto que os hormônios exercem papel fundamental sobre a produção de tecido ósseo.

Entre os homens, a osteoporose primária não está relacionada a um evento único, mas ao avançar da idade e a fatores intrínsecos a ele, como queda dos hormônios sexuais e de cálcio e vitamina D. Por isso, tende a aparecer mais tarde.

De acordo com a International Osteoporosis Foundation, homens aos 50 anos perdem menos tecido ósseo que mulheres na mesma idade, mas, por volta dos 65 e 70 anos, eles as “alcançam” e sofrem a perda na mesmo ritmo.

Osteoporose secundária

Bem menos comum, a osteoporose secundária é causada por doenças ou medicamentos.

Entre as doenças que estão relacionadas ao acometimento estão alguns cânceres, como o mieloma múltiplo, doenças reumáticas, como a artrite reumatóide e o lúpus, doença renal crônica e desbalanços hormonais graves, como a doença de Cushing e o hipertireoidismo.

Medicamentos corticoesteroides (cortisonas), hormônios para a tireoide e alguns quimioterápicos e anticonvulsivantes também podem prejudicar a saúde óssea a ponto de gerar osteoporose.

Osteoporose idiopática

Muito rara, a osteoporose idiopática é assim chamada quando não é possível identificar a causa do acometimento. Geralmente, aparece em homens antes dos 50 anos, mulheres antes da menopausa e crianças e adolescentes sem qualquer desbalanço no organismo que explique a doença.

Causas

 

Ossos com osteoporose.

Nas figuras acima, se percebe um osso mais compacto, denso e resistente à esquerda e, à direita, mais bolhoso e frágil às fraturas. Crevis/Shutterstock

Existem inúmeros fatores que podem estar relacionados à menopausa, entre os principais estão:

Envelhecimento

Durante toda a vida, os ossos passam por um processo natural de remodelação, que nada mais é do que uma contínua degradação (reabsorção óssea) que permite que cresçamos até chegar à vida adulta, dando variáveis resistências ósseas enquanto se caminha para a velhice.

Após os 30 anos, esse processo se inverte e, aos poucos, a degradação se torna ligeiramente maior que a construção. Caso o organismo não consiga manter uma taxa satisfatória de produção de osso, acontecerá a osteoporose.

Os fatores que influenciam a diminuição da produção óssea são a redução progressiva de hormônios sexuais, como testosterona e estrogênio, níveis de cálcio e vitamina D, bem como estímulos mecânicos, como exercícios e exposição solar.

Menopausa

A queda nos níveis do hormônio estrogênio faz com que a reabsorção óssea seja maior do que sua produção. Em consequência, o osso perde massa de maneira acelerada nas mulheres após a menopausa em comparação com os homens de mesma idade.

Alterações hormonais

Algumas alterações hormonais causam mudanças que diminuem a densidade óssea. É o caso, por exemplo, da produção excessiva de hormônios tireoideanos que acontece em quadros de hipertireoidismo.

De acordo com a British Thyroid Foundation, altos níveis do hormônio tiroxina e baixos níveis do hormônios tiroidianos causam aceleração da reabsorção óssea, que não é acompanhada pela produção do material mineral, levando à perda de massa.

Caso sejam tomados remédios para a tireoide, são necessários exames periódicos para avaliar os níveis hormonais e impedir que esse mesmo processo aconteça.

Outras alterações hormonais ligadas à osteoporose são a Síndrome de Cushing, que causa excesso de glucocorticoide (cortisona) que inibe a formação óssea, e hiperparatireoidismo, que aumenta a reabsorção óssea.

Medicamentos

Algumas drogas estão relacionadas à perda de densidade óssea, é o caso do uso prolongado de corticoides, alguns quimioterápicos, remédios para tratar convulsão e medicamentos para aumentar a atividade da glândula tireoide.

Doenças

Algumas doenças também podem estar ligadas à osteoporose, como mieloma múltiplo – tipo de câncer que torna os ossos frágeis –, doença celíaca e outros acometimentos intestinais que impedem a correta absorção de nutrientes, tais como lúpus, artrite reumatoide e doenças renais e do fígado.

Deficiência de cálcio e vitamina D

O cálcio tem papel fundamental em inúmeros processos do corpo humano, como a coagulação sanguínea e a contração muscular, mas 99% dele está nos ossos e dentes, segundo a National Osteoporosis Foundation, dos Estados Unidos.

Caso não haja cálcio suficiente proveniente na alimentação para suprir esses vários processos, o organismo irá retirar a substância dos ossos e dentes, suas principais reservas, deixando os mais fracos e predispondo osteoporose em algum momento da vida.

A vitamina D, por sua vez, é fundamental para que o cálcio seja absorvido pelo corpo e pode ser obtida por meio de alimentação, exercícios, suplementação e exposição ao sol.

Fatores de risco

Entre os principais fatores de risco para osteoporose estão:

  • Sexo feminino (por causa da menopausa)
  • Idade avançada
  • Ter pessoas na família com osteoporose
  • Pessoas com estrutura corporal pequena, por terem menor massa óssea
  • Consumo excessivo de álcool
  • Tabagismo
  • Sedentarismo

Sintomas

Não costuma haver sintomas nos estágios iniciais de osteoporose, mas a medida que a doença evolui, podem ocorrer:

  • Diminuição da altura por conta da perda de massa óssea
  • Postura curvada
  • Fratura de ossos em geral

Osteoporose causa dor?

Em geral, a osteoporose dói só se houver uma fratura. Enquanto uma fratura de quadril pode ser uma causa muito óbvia de dor, uma fratura em alguma vértebra da coluna pode gerar uma sensação forte de dor sem que se saiba a exata causa.

A má postura senil causada por microfraturas da coluna é a principal causa de dor crônica ligada à osteoporose.

Diagnóstico

Além da análise física e conversa com o médico, que observará sintomas e história da doença, o principal teste que o auxilia a diagnosticar a osteoporose é a densitometria óssea.

Esse exame usa raios-x para medir a quantidade de minerais nos ossos. Indolor, geralmente é feito nas partes do corpo mais propensas a sofrer perda óssea, como coluna e quadril.

Também podem ser feitas análises clínicas para determinar os níveis de cálcio e vitamina D, além de exames para determinar se trata-se de uma osteoporose secundária, como a causada pelo hipertireoidismo, se necessários.

Qual profissional devo procurar?

Além do ortopedista, endocrinologista e geriatra podem acompanhar o caso.

Além disso, pode ser necessário um ginecologista, que acompanhará a mulher durante a menopausa não apenas para monitorar seus níveis hormonais, mas para ajudá-la a passar pelos sintomas de menopausa.

Tem cura?

Uma vez instalada, a osteoporose se torna uma doença crônica e, portanto, não tem cura simples e garantida, embora um grande número de medicações repositoras hormonais possam reverter o quadro da desmineralização óssea.

Ainda assim, é recomendado adotar hábitos saudáveis – como exercícios físicos com acompanhamento de um profissional, consumo de cálcio, suplementação de cálcio e vitamina D orientada pelo médico – para evitar maior perda óssea e fraturas.

Tratamentos

Cálcio e vitamina D

Manter os níveis de cálcio e vitamina D adequados é fundamental para prevenir fraturas e maior perda óssea.

Caso já tenha sido diagnosticada a osteoporose, é preciso uma dose maior dessas substâncias em comparação com pessoas que não têm a doença, geralmente alcançada com suplementação indicada pelo médico.

Medicamentos

O uso de remédios para osteoporose deve ser avaliado pelo médico.

Os mais indicados costumam ser os bifosfonatos, que aumentam a densidade de todos os ossos. A calcitonina, usada com menos frequência, diminui a decomposição óssea e também pode ser indicada.

Exercícios

Além de estimularem a produção de massa óssea, exercícios aumentam a aptidão física e diminuem o risco de queda. Atividades com pouco impacto, como caminhada, são melhores para estimular os ossos que as sem impacto, como hidroginástica.

Tratamento de fraturas

Cada fratura recebe um tratamento diferente. Fraturas de quadril, uma articulação que sustenta o corpo, geralmente precisam de cirurgia e período maior de repouso.

Caso haja fraturas na coluna, o tratamento pode ser feito com coletes, analgésicos e fisioterapia ou cirurgia, caso a sensação dolorosa não melhore.

Reposição hormonal

Para mulheres na época da menopausa, a reposição hormonal pode ser feita como uma maneira de manter os níveis hormonais normais, diminuindo a perda óssea e as chances de ter osteoporose.

Esse tipo de tratamento deve ser amplamente discutido com o ginecologista antes de iniciado, já que possui diversos prós e contras que precisam ser avaliados individualmente.

Prognóstico

A osteoporose não é uma sentença de invalidez ou morte. Muitas pessoas convivem com ela por anos sem que haja uma fratura.

As chances de quebrar um osso são menores caso sejam tomadas medidas para desacelerar a perda óssea, ou seja, se o tratamento for adequado e incluir bons hábitos recomendados pelos profissionais de saúde.

Complicações

Fraturas

A grande complicação da osteoporose é a ocorrência de uma fratura. Em alguns lugares do corpo, isso acontece de forma mais grave e incapacitante. É o caso do quadril, que aumenta as chances de morte nos anos subsequentes, e da coluna, que eleva o risco de dor crônica.

Dor crônica

A dor crônica da osteoporose está intimamente relacionada às fraturas que ela pode causar. A fratura vertebral decorrente de osteoporose na coluna, por exemplo, junto com a pouca elasticidade da coluna, é a de maior incidência de dor crônica em casos de fratura.

Depressão

A osteoporose pode afetar a autoestima e a imagem que o indivíduo tem de si mesmo, já que ele pode passar a se ver como uma pessoa mais frágil e incapaz de realizar atividades que antes eram normais.

É importante acompanhamento psicológico e atenção das pessoas ao redor para prevenir depressão.

Prevenção

Alguns cuidados durante toda a vida são eficientes para prevenir a osteoporose na velhice.

Trata-se não apenas de evitar maus hábitos, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, mas também manter alguns bons hábitos fáceis de praticar. Fazer exercícios físicos regularmente, ter uma dieta com alimentos ricos em cálcio e incorporar a reposição hormonal em mulheres ajuda a prevenir a doença.

 

Fontes

Ortopedista Renato Cesar Raad, do Hospital Nossa Senhora das Graças. CRM 15122/PR

International Osteoporosis Foundation. OSTEOPOROSIS IN MEN. Disponível em:  https://www.iofbonehealth.org/osteoporosis-men

National Osteoporosis Foundation. Calcium/Vitamin D. Disponível em: https://www.nof.org/patients/treatment/calciumvitamin-d