Obesidade, diabetes e hipertensão crescem no Brasil, aponta Vigitel 2019

Atualizado em 28 de abril de 2020

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POR Bruno Botelho dos Santos

O Ministério da Saúde traçou o perfil do brasileiro em relação as doenças crônicas mais incidentes no país: 24,5% tem hipertensão, 20,3% estão obesos e 7,4% tem diabetes, segundo a pesquisa Vigitel 2019 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).

No período de 13 anos, desde o início do monitoramento (em 2006), o maior aumento é em relação a obesidade, que passou de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019, uma ampliação de 72%, o que significa que dois em cada 10 brasileiros estão obesos. Saiba mais.

Vigitel 2019

O Vigitel é realizado anualmente, coletando dados da população adulta (indivíduos com 18 anos ou mais de idade) nas 26 capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal, residentes em domicílios com, ao menos, uma linha
fixa de telefone.

Tem o objetivo de monitorar os principais indicadores relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no país, como as doenças cardiovasculares, cânceres, doenças respiratórias crônicas e diabetes. Veja os principais dados do Vigitel Brasil 2019:

Diabetes

A prevalência de diabetes mellitus passou de 5,5% em 2006 para 7,4% em 2019, um aumento de 34,5% no
período.

Em 2019, as mulheres apresentaram prevalências mais elevadas em relação aos homens, 7,8% e 7,1% respectivamente. Percebeu-se que a prevalência de diabetes aumenta com a idade: em adultos com 65 anos ou mais de idade foi de 23,0% em 2019.

Hipertensão arterial

Com relação a hipertensão arterial, em 2006 a prevalência era de 22,6%, passando para 24,5% em 2019. As mulheres apresentaram maior prevalência (27,3%) da doença quando comparada aos homens (21,2%).

Os dados de 2019 mostram que a prevalência de hipertensão, assim como a de diabetes, também aumentou com a idade, chegando a acometer 59,3% dos adultos com 65 anos ou mais: 55,5% dos homens e 61,6% das mulheres.

Obesidade e excesso de peso

A prevalência de excesso de peso aumentou, mais de metade dos brasileiros está nesta situação, que passou de 42,6% em 2006 para 55,4% em 2019.

Em 2019, o percentual de excesso de peso entre homens foi de 57,1% e entre mulheres, 53,9%. A prevalência de excesso de peso tende a aumentar com a idade: para os jovens de 18 a 24 anos, a prevalência foi de 30,1% e entre os
adultos com 65 anos e mais, 59,8%.

O excesso de peso tende a diminuir com a escolaridade: para as pessoas com até oito anos de escolaridade, a prevalência foi de 61,0% e entre aqueles com 12 anos ou mais, 52,2%.

Já a prevalência de obesidade aumentou 72,0% desde o início do monitoramento, passando de 11,8% em 2006
para 20,3% em 2019, o que indica que dois em cada 10 brasileiros estão obesos.

Em 2019, a prevalência de obesidade entre mulheres foi de 21,0% e entre homens 19,5%. A prevalência de obesidade também tende a aumentar com a idade: para os jovens de 18 a 24 anos, foi de 8,7% e entre os adultos com 65 anos e mais, 20,9%.

Ela tende a diminuir com a escolaridade: para as pessoas com até oito anos de escolaridade, a prevalência foi
de 24,2% e entre aqueles com 12 anos ou mais, 17,2%.

Vigitel 2019 e novo coronavírus (COVID-19)

Os resultados apresentados para diabetes e hipertensão preocupam diante da pandemia do novo coronavírus (COVID-19).

Isso porque pessoas com doenças pré-existentes, como diabetes e hipertensão, além de doenças cardiovasculares, apresentam maior risco de agravamento e morte pela COVID-19.

No Brasil, até o dia 20 de abril, 72% dos óbitos confirmados para a doença tinham mais de 60 anos e 70% apresentavam pelo menos um fator de risco.

A cardiopatia foi a principal comorbidade associada e esteve presente em 945 dos óbitos, seguida de diabetes (em 734 óbitos), pneumopatia (187), doença renal (160) e doença neurológica (159).

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