O que é psoríase? Saiba tudo sobre a doença

06 de dezembro de 2017 ● POR Bruno Botelho dos Santos

Apesar de afetar cerca de 1 a 3% da população, a psoríase ainda é, de certa forma, desconhecida por grande parte das pessoas e por isso acaba sendo confundida muitas vezes como uma simples inflamação ou alergia. Mas afinal, o que é psoríase?

Para ficar ligado nos sintomas e na importância do tratamento precoce, é preciso conhecer mais sobre a doença e suas formas de manifestação. Confira abaixo!

O que é psoríase?

A psoríase é uma doença autoimune que afeta a pele e que não é contagiosa, além de ser relativamente comum. Por ser uma doença crônica, ela apresenta sintomas que aparecem e desaparecem em determinados momentos.

Quem sofre desta doença apresenta lesões avermelhadas e descamativas, normalmente formando placas na pele, que aparecem mais frequentemente no couro cabeludo, cotovelos e joelhos, e em outras partes como pés, mãos, unhas e a região genital. A extensão da psoríase varia de pequenas lesões localizadas até o comprometimento de toda a pele.

Ela pode se apresentar das mais diversas formas: desde as versões mais leves, que podem ser tratadas mais facilmente, até casos mais complicados, que chegam a afetar inclusive as articulações.

Principais sintomas

É preciso ficar bem atento aos sintomas mais comuns da psoríase, pois eles acabam muitas vezes sendo confundidos como um simples caso de reação alérgica.

Antes de tudo, porém, também é importante ter em mente que os sinais costumam variar de pessoa para pessoa, e qualquer suspeita de psoríase deve ser levada a um profissional. Quem trata e diagnostica doenças de pele é o dermatologista.

O sintoma mais comum é a erupção cutânea (que altera significativamente a textura ou a cor da pele), que pode aparecer também em unhas e até nas articulações. Outros sintomas da psoríase são:

  • Manchas vermelhas pelo corpo, além de descamação da pele, que também fica ressecada;
  • Inchaço, rigidez ou sensibilidade nas articulações;
  • Dores nas costas ou nas articulações;
  • Unhas podem apresentar manchas amarelas, além de ficarem espessas, descoladas, esfareladas e apresentar pequenos furos;
  • Placas e descamações no couro cabeludo, cotovelos e joelhos;
  • Fadiga e sinais de depressão.

Os 8 tipos de psoríase

Muito se engana quem pensa que psoríase tem somente um tipo de manifestação, sendo que cada um pode levar ao surgimento de sintomas diferentes, além dos citados acima. Confira todos os tipos que existem desta doença de pele:

Psoríase ungueal 

A psoríase ungueal afeta principalmente as unhas das mãos e dos pés. Ela faz com que as unhas cresçam de forma anormal, com manchas amareladas, que podem ainda descamar e perder a cor. A unha também pode se descolar da carne ou esfarelar.

Além desses sintomas, ainda há chances de surgirem lesões de pele, que se apresentam como pequenas depressões (buracos), espessamento e uma tonalidade amarelada nas unhas.

Psoríase vulgar (placas)

É o tipo mais comum da doença, afetando cerca de 80% das pessoas que têm psoríase. Ela acaba formando lesões de diversos tamanhos.

Costuma ser encontrada principalmente no couro cabeludo, nos joelhos, cotovelos e costas — mas todas as partes do corpo podem ser atingidas, incluindo dentro da boca e genitais –, onde forma lesões avermelhadas e de vários tamanhos.

Pode ter escamas secas esbranquiçadas ou prateadas, que podem causar dores e coceiras.

Psoríase gutata 

Geralmente é causada por infecções bacterianas, como as da garganta. Nela, são comuns que pequenas feridas em forma de gota se formem nos braços, nas pernas e no couro cabeludo.

As feridas são cobertas por uma fina escama, diferentemente das placas típicas da psoríase que costumam ser grossas. Esse tipo de psoríase costuma afetar mais as crianças e jovens com menos de 30 anos.

Psoríase invertida 

Aparece como manchas vermelhas e inflamadas, que surgem principalmente em regiões mais úmidas do corpo, como virilhas, embaixo dos seios, aos redor dos órgãos genitais ou nas axilas. Pessoas com obesidade ou com suor excessivo podem apresentar casos mais graves deste tipo de psoríase.

Psoríase pustulosa

Na psoríase pustulosa, costuma-se aparecer manchas em todas as partes do corpo ou concentradas em uma área menor do corpo, como pés e mãos.

Após a pele ficar vermelha, ocorre a formação de bolhas cheias de pus, que secam em um ou dois dias e que podem aparecer novamente. Elas costumam ficar por vários dias, podendo chegar a semanas, e causam febre, coceira forte, calafrios e fadiga.

Psoríase eritrodérmica

Dentre todos os tipos de psoríase, este é o menos comum. A psoríase eritrodérmica afeta o corpo todo (cerca de 75% ou mais) e é caracterizada por manchas vermelhas (que ardem e coçam muito) e por manifestações sistêmicas, entrando no organismo e podendo atingir locais diferentes e fazendo surgir diferentes sintomas.

Psoríase palmo-plantar

Aparece como fissuras e rachaduras nas palmas das mãos e nas solas dos pés, além de manchas escamosas ou em um número reduzido de placas bem definidas.

Psoríase artropática ou artrite psoriásica

Este tipo é caracterizado por fortes dores nas articulações, inflamação na pele e descamação. As articulações que costumam ser mais afetadas são as dos dedos das mãos e dos pés, além da coluna e quadris.

Possíveis causas

Ainda não se sabe a causa exata que pode ser atribuída à psoríase, mas sabe-se que ocorre nela o mesmo mecanismo de doenças autoimunes.

Em nosso sistema imunológico, existem os linfócitos T (também chamados de células T), que nada mais são do que um grupo de glóbulos brancos (leucócitos) que fazem a defesa do organismo contra agentes desconhecidos (antígenos, como vírus e bactérias).

Sempre que ocorre uma ferida ou quando o corpo está com uma infecção, as células T agem para iniciar o processo de cicatrização e o combate ao problema. Numa doença autoimune, porém, os anticorpos passam a atacar células saudáveis do corpo por engano, causando mais prejuízos ainda.

O que ainda não se sabe é por que esse tipo de coisa acontece e o que pode levar a um quadro de doença autoimune. Os cientistas, porém, têm algumas ideias do que pode estar por trás.

Aparentemente, a genética tem grande influência sobre a psoríase. Isso porque pelo menos 30% dos casos estão ligados com um histórico familiar da doença. Outras possíveis causas são:

  • Fatores psicológicos, como o estresse;
  • Lesões na pele, feridas, machucados, queimaduras de sol, entre outras;
  • Infecções de garganta e da pele;
  • HIV/Aids, as pessoas portadoras do vírus, ou que apresentam a doença, têm deficiência no sistema imunológico e são predispostas à psoríase;
  • Variações climáticas;
  • Fumar;
  • Álcool em excesso;
  • Uso de medicamentos para transtorno bipolar, pressão alta e malária;
  • Alterações bioquímicas, ou seja, do metabolismo de algumas substâncias na pele.

Tratamentos para psoríase

A principal forma de tratamento para a psoríase é feita a partir do uso de cremes ou pomadas anti-inflamatórias, diminuindo assim a coceira e mantendo a pele hidratada — que é fundamental nestes casos.

É importante lembrar que psoríase não tem cura e que orientação médica é essencial antes de começar qualquer tipo de tratamento.

Basicamente, o objetivo do tratamento da psoríase é remover as escamas, impedindo que as células da pele cresçam de forma tão rápida.

Exposição ao sol

A exposição ao sol é bem importante para pessoas que sofrem de psoríase, pois melhoram os sintomas da doença e aumenta os níveis de vitamina D no organismo.

A vitamina D pode mudar a forma do crescimento das células, retardando a produção de células da pele em pessoas com a doença e, assim, reduzindo a ocorrência de placas.

Medicamentos

  • Corticoide: modifica ou simula efeitos hormonais para reduzir a inflamação ou aumentar o crescimento e a reparação tecidual. É bom ficar atento, já que este tipo de medicamento pode trazer efeitos colaterais desagradáveis quando usados no longo prazo;
  • Acitretina (derivado da vitamina A): serve para reduzir a inflamação, além de retardar o crescimento exagerado de células da pele;
  • Anti-inflamatório: impede ou combate a inflamação nas articulações e nos tecidos;
  • Imunossupressor: reduz a atividade do sistema imunológico;
  • Vitamina: ajuda a estabilizar e promover as funções do corpo, como crescimento e desenvolvimento normal.

Fototerapia

É um dos tratamentos mais eficazes contra a psoríase. Ele consiste na exposição à luz intensa artificial e indolor de radiação ultravioleta (UVA e UVB) usando um dispositivo chamado de câmara de luz, que imita a luz solar natural. O paciente fica exposto à luz, que é direcionada para os locais das lesões.

Famosos com psoríase

Alguns famosos já revelaram sofrer de psoríase. É o caso da socialite norte-americana Kim Kardashian, da cantora Britney Spears e da atriz Cameron Diaz.

Kardashian, inclusive, revelou que já usou leite materno de sua irmã como uma forma de tratamento contra as suas manchas na pele.