Neoplasias mieloproliferativas: o que são, sintomas e tratamentos

Atualizado em 20 de outubro de 2017

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POR Lucas Coelho

O que é a neoplasias mieloproliferativas

Silenciosas ou disfarçadas por diversos sintomas, as neoplasias mieloproliferativas são um conjunto de doenças do sangue e se caracterizam pelo aumento de produção de alguma das células sanguíneas – como plaquetas, glóbulos vermelhos, glóbulos brancos – ou mesmo todas elas. Isso significa, de maneira geral, que a célula-tronco da medula óssea está com problemas.

Há vários tipos de neoplasias mieloproliferativas e, dependendo de suas propriedades e agressividade, elas podem até ser consideradas uma forma de câncer. As mais comuns são quatro: Mielofribose Primária, Policitemia Vera, Trombocitemia Essencial e Leucemia Mieloide Crônica.

Segundo o Dr. Fábio Pires, médico hematologista do Hospital Israelista Albert Einstein, todas as doenças neoplásicas são causadas por mutações genéticas. “Uma das teorias mais aceitas é a de que são resultado de erros na cópia do código genético adquiridas ao longo da vida, por isso são mais frequentes em pessoas idosas”, afirma o especialista. “Seguindo essa teoria, não haveria hábito ou exposição que causaria esses problemas. Na realidade, a neoplasia mieloproliferativa surge como parte do processo de envelhecimento”, diz.

Sintomas

Apesar da origem semelhante, cada uma destas doenças têm níveis de gravidade e tratamentos diferentes. Os sintomas são mais ou menos generalizados: fadiga, tontura, perda de peso, sudorese (suadeira) noturna, febre, dores ósseas, prurido (coceira) pelo corpo, alterações na visão, sensação de saciedade precoce durante a alimentação ou mesmo a diminuição do apetite.

O Dr. Pires esclarece: “Algumas doenças apresentam mais sintomas do que outras. A Mielofibrose Primário, por exemplo, costuma ser muito mais sintomática do que a Trombocitemia Essencial.”

É importante notar também que, apesar de uma das neoplasias mieloproliferativas levar o nome de Trombocitemia, todas elas podem causar fenômenos trombóticos, ou seja, entupimento de veias ou artérias por conta de algum coágulo. “Dependendo do local onde acontece a trombose e do tipo de vaso afetado, podem ocorrer sangramentos nasal, gengival, ou durante a evacuação. São diferentes sintomas hemorrágicos”, afirma o médico.

Tratamento

Dependendo de qual das doenças o paciente apresenta, há tratamentos específicos. Podem ser utilizados tipos diferentes de medicamentos, ou até quimio e radioterapia. Além disso, um transplante de medula também pode ser necessário em casos específicos

Por serem enfermidades comuns em pessoas mais idosas, a expectativa de vida dada pelos tratamentos se confunde com a expectativa de vida natural de cada pessoa.

De acordo com a Dra. Maria de Lourdes Chauffaille, assessora médica em hematologia do Fleury Medicina e Saúde, a Mielofibrose é a que apresenta os piores resultados. “A Policemia Vera, de modo geral, dá uma perspectiva de vida de 15 a 20 anos. Como são indivíduos com mais de 60, podemos dizer que é uma sobrevida longa. O mesmo para a Trombocitemia, se diagnosticada cedo. A Mielofibrose, se só for detectada numa fase mais avançada, a sobrevida menor, próxima dos sete anos”, conta.

A doutora, porém, salienta que muitos métodos de tratamento e remédios recentes ainda precisam de mais alguns anos para serem analisados. “Existem medicamentos à disposição hoje que não tínhamos seis anos atrás. Então, ainda não há uma base de análise”, conclui.