Mochilas escolares pesadas: desvios ortopédicos começam na infância

07 de novembro de 2018

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POR Secad

Por Secad

 

Os tempos de escola deixam marcas eternas na memória de todos. Porém, além das boas lembranças, essa fase também pode trazer impactos duradouros (e nocivos) à coluna de muita gente. A Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT) estima que os esforços na infância e na adolescência são a causa de 70% dos problemas de coluna manifestados na idade adulta.

E o peso carregado nas mochilas escolares é um fator que contribui decisivamente para isso. A carga excessiva pode afetar as articulações e causar dores musculares, no pescoço e nos ombros. Em longo prazo, a prática aumenta o risco de problemas posturais como hiperlordose e escoliose.

O tema já pautou debates no âmbito político. Ainda tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3673/2015, que estipula um limite para o peso das mochilas escolares conforme o ano letivo do aluno. As crianças do primeiro ano, por exemplo, não poderiam transportar mais de dois quilos. Já a carga permitida para os estudantes do nono ano seria de cinco quilos e meio. O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), por sua vez, delimita esse parâmetro em 10% do peso corporal do aluno.

Efeitos da sobrecarga

Como dito, as mochilas escolares pesadas podem resultar numa série de disfunções ortopédicas. A hiperlordose é uma delas. O problema se caracteriza pelo aumento da curvatura localizada próximo à base da coluna e acontece em razão de os glúteos ficarem empinados durante muito tempo, como forma de equilibrar a tração provocada pela carga. Os sintomas principais da hiperlordose são as dores nas pernas.

Já a hipercifose é o aumento da curvatura no meio das costas. Com a mudança estrutural, os ombros e o pescoço tendem a ficar inclinados para frente, causando a chamada ‘corcundinha’. Aqui, a má postura acarreta as dores nas costas, braços e mãos.

Muitos alunos têm o costume de carregar a mochila com apenas uma das alças, o que eleva o risco de escoliose. A má distribuição do peso sobrecarrega um dos lados da coluna e prejudica a simetria dos ombros, desencadeando dores nas costas, nos braços e nas pernas.

Transportar mochilas escolares pesadas também pode levar ao aparecimento de hérnias de disco. Os discos são como amortecedores presentes entre as vértebras que, devido ao esforço excessivo, podem sair do lugar e comprimir a medula. O resultado: dores agudas e limitação dos movimentos.

Alongamentos e tipos de mochila

Especialistas recomendam que as crianças jamais levem mochilas com pesos excessivos. No entanto, caso seja necessário transportar uma quantidade grande de material escolar, a orientação para atenuar possíveis malefícios é realizar alongamentos e conservar uma postura sempre ereta. Assim, a musculatura pode ser preparada para suportar uma carga um pouco mais elevada.

Zelar pela escolha da mochila também é um ponto importante para evitar problemas de coluna. Os modelos tradicionais devem ser bem acolchoados, com alças largas e tiras abdominais, permitindo um ajuste bem próximo ao corpo.

As mochilas também não devem ultrapassar a altura das nádegas. O ideal é que fiquem alguns centímetros acima da lombar. Outra saída interessante é optar por mochilas com rodinhas para conduzir o peso com mais facilidade, mitigando os possíveis danos à coluna.