Desvende alguns mitos e verdades sobre a tireoide

Atualizado em 22 de setembro de 2020

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POR Bruno Botelho dos Santos

A tireoide é uma glândula localizada na parte inferior do pescoço, abaixo do pomo de adão (mais conhecido como gogó). Sua função para o organismo é muito importante, já que ela produz hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que aumentam ou aceleram o metabolismo celular, controla o batimento cardíaco, melhora a qualidade da pele, promove o desenvolvimento cerebral e melhora as funções do intestino e a formação óssea.

Quando a tireoide não está funcionamento corretamente, ela pode liberar hormônios em quantidade insuficiente ou nula — quadro de hipotireoidismo –, ou em excesso — quadro de hipertiroidismo.

O Ativo Saúde conversou com Rosa Paula Mello Biscolla, endocrinologista do Fleury Medicina e Saúde, para esclarecer alguns mitos e verdades sobre a tireoide. Confira!

8 mitos e verdades sobre a tireoide

1. Problemas na tireoide podem interferir no peso?

Verdade. Rosa explica: “Quando a tireoide funciona pouco, ocorre a retenção de líquido e você pode ter dificuldade para perder peso”. Mas diferentemente do que muita gente pode pensar, o hipotireoidismo não está relacionado diretamente à capacidade de produzir gordura.

De acordo com Rosa, o quadro acaba interferindo somente na retenção de líquido, o que pode gerar aumento de peso. Mas esta não é uma consequência obrigatória.

Já no hipertireoidismo, a especialista conta que a pessoa pode perder bastante peso por causa do metabolismo acelerado, então é comum que o paciente coma quantidades normais de comida e acabe perdendo peso sem nenhuma dificuldade.

Tratamentos como a reposição hormonal podem aliviar os sintomas e facilitar o emagrecimento, no caso de pacientes com hipotireoidismo.

Da mesma forma, pessoas que sofrem com esses problemas na tireoide, geralmente, pensam que estão com algum problema mais grave ou até com doenças, como o câncer. Por isso, é fundamental consultar um médico em qualquer caso de mudança ou alteração no organismo/corpo.

2. Esses problemas podem reduzir o desempenho físico da pessoa?

Verdade, mas “apesar de tanto o hipo quanto o hipertireoidismo poderem levar à queda de rendimento da pessoa, não é toda queda de rendimento que está relacionada com a tireoide”, explica a endocrinologista.

Isso acontece, porque, quando a tireoide está descontrolada, o corpo pode acabar sentindo uma fraqueza maior que o comum. A consequência direta disso é a queda no desempenho físico da pessoa. Mas vale lembrar que vários fatores podem interferir em resultados não tão positivos do treino. Então, de toda forma, a melhor coisa é consultar sempre um preparador físico também.

3. Tomar hormônio da tireoide emagrece?

Atenção! A endocrinologista alerta que usar hormônio da tireoide com o objetivo de emagrecer é errado e perigoso. Ela conta que isso só fará com que o corpo perca massa magra, o que é ruim para quem busca deixar o corpo mais definido.

Além de que o uso desses hormônios só irão prejudicar o organismo, fazendo com que a pessoa fique suscetível a problemas cardíacos, como a arritmia cardíaca, e problemas ósseos, como a perda de massa óssea.

4. É comum ter nódulo na tireoide? Qual o risco de câncer?

Sim, é comum. Essa é uma das maiores preocupações das pessoas quando o assunto é tireoide. “Na palpação da tireoide, cerca de 7% da população pode apresentar um nódulo”, explica Rosa. Ao realizar ultrassom da tireoide, esse número aumenta, cerca de 40 a 50% da população pode apresentar nódulos. Ao envelhecer, eles se tornam mais frequentes, aos 70 anos, por exemplo, a incidência é por volta de 70%.

Quanto ao risco de câncer, que preocupa muitas pessoas, cerca de 5 a 10% dos nódulos de tireoide são malignos.

5. Ela pode causar queda de cabelo, depressão e impotência?

Sim, mas calma. “Somente se você tiver o diagnóstico de hipotireoidismo”, afirma a especialista. Isso acontece porque uma pessoa diagnosticada com hipotireoidismo apresenta uma produção insuficiente ou nula de hormônios.

Então, diversas funções do corpo ficam mais lentas, como: o coração bate mais devagar, o intestino fica preso e há comprometimento no crescimento. Com isso, problemas como diminuição da capacidade de memória, cansaço, dores musculares e nas articulações, impotência, quedas de cabelo e até a depressão podem surgir.

No entanto, ainda de acordo com Rosa, isso é um pouco raro de acontecer.

6. Só mulheres que têm doenças na tireoide?

Falso. As doenças na tireoide são muito mais frequentes nas mulheres, porém não são exclusivas, uma vez que homens também podem apresentá-las. A medicina, porém, ainda não consegue explicar com exatidão o porquê dessa prevalência nas mulheres.

Segundo a endocrinologista, o hipertireoidismo ocorre em 6 mulheres para cada 1 homem, enquanto o hipotireoidismo afeta 8 mulheres para cada 1 homem.

7. Mulheres que apresentam esses problemas não podem engravidar?

Falso. A médica explica que esse é um mito muito comum, mas mulheres com problemas na tireoide podem engravidar, sim. “Desde que o hormônio da tireoide esteja bem controlado, tanto do hiper quanto do hipotireoidismo, a mulher pode ter uma gestação normal”, afirma.

Por isso, é fundamental que a mulher passe por uma consulta médica antes de ficar grávida ou ainda durante o período inicial da gravidez. Isso é importante para que sejam esclarecidas todas as dúvidas e que o controle dos níveis de hormônio produzidos pela tireoide seja feito da forma correta e ideal.

Durante a gestação, a mulher deve tomar uma dose a mais de remédio, para ela e para o bebê. Somente um médico pode alterar a dosagem do medicamento e emitir uma nova receita, dentro das necessidades de cada paciente.

8. É preciso fazer ultrassom como avaliação?

Verdade. Rosa conta que em caso de qualquer dúvida em relação ao problema vale a pena consultar um médico. Sobre o exame de ultrassom, ela explica: “É importante fazer somente quando o médico examina a tireoide e suspeita da existência de um nódulo. Se o médico palpar e não encontrar nenhum nódulo, não há a necessidade de realizar o ultrassom, senão muitas pessoas acabam fazendo sem realmente precisar”.

Nos últimos anos, houve um aumento do número de nódulos tiroidianos diagnosticados devido à utilização crescente de exames de imagem da região cervical (principalmente a ultrassonografia de tiroide), com isso a incidência de nódulos à palpação que é de 4 a 7% passou para 30 a 50% após realização da ultrassonografia de tiroide. Apesar desse aumento de frequência, apenas 5% dos nódulos de tiroide são malignos.

No geral, é recomendado que as pessoas façam o autoexame para ver se há a presença de algum nódulo. O Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) explica como:

Será necessário apenas de um copo com água e um espelho com cabo.

  1. Segure o espelho e procure no seu pescoço a região abaixo de onde ficaria o gogó. A tireoide está localizada aí;
  2. Incline a cabeça para trás, para que o pescoço fique mais exposto e esticado e foque esta região no espelho;
  3. Beba um gole de água. Ao engolir, a tireoide sobe e desce, veja então se existe algum aumento de saliência na tireoide.

Atenção! Não confunda a tireoide com o gogó. Lembre-se de que a glândula está logo abaixo. Repita esse teste várias vezes até ter certeza.

  1. Ao notar qualquer alteração, consulte o seu endocrinologista ou cirurgião de cabeça e pescoço.

Fontes

Endocrinologista Rosa Paula Mello Biscolla, do Fleury Medicina e Saúde – CRM 79712/SP