Mioma uterino: o que é, sintomas, causas e tratamentos

22 de agosto de 2018

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POR Gustavo Frank

Mioma uterino é um tumor benigno que acomete mulheres em idade fértil. Também chamado de leiomioma ou fibroide uterina, está associado a sintomas muito dolorosos e ao surgimento de câncer, embora tal complicação seja rara.

Saiba mais sobre mioma a seguir:

O que é mioma?

Mioma uterino é um tumor que pode crescer dentro ou fora do útero a partir de seus músculos, alterando o formato do órgão. Normalmente, seu desenvolvimento acontece durante a idade fértil da mulher.

Cerca de 50% das mulheres na faixa etária de 40 a 50 anos tendem a desenvolver ao menos um mioma, porém poucas sabem de sua existência devido à comum falta de sintomas.

O problema é formado a partir da divisão desgovernada de células, que pode gerar mioma único ou múltiplo.

Tipos de mioma no útero

Existem cinco tipos de mioma uterino. Eles são classificados em: subserosos, pediculados, intramurais, intracavitários e submucosos. A divisão leva em consideração a localização na parede do útero:

Subseroso

Esse mioma se nutre por meio dos vasos sanguíneos e fica localizado na parte de fora das paredes do útero.

Pediculados

São ligados por uma ponte fibromuscular que proporciona a circulação de sangue e seu crescimento pode levar à cirurgia de emergência por promover a torção do pedículo.

Intramural

Esse tipo de mioma é desenvolvido entre as paredes do útero e costuma se expandir tanto a ponto de fazer o útero aumentar de tamanho.

Intracavitários

Ocorrem dentro da cavidade uterina e podem provocar sangramento constante e cólicas.

Submocoso

Nesse caso, o tumor fica localizado na parede interna do útero, podendo afetar o endométrio, provocando períodos menstruais mais longos e com sintomas mais intensos.

O que causa?

Ainda não existem estudos que confirmem como ocorre o desenvolvimento do mioma no útero. No entanto, há algumas teorias que podem explicar seu surgimento:

Fatores genéticos

Algumas suspeitas indicam a mutação genética das células do músculo interno do útero como a origem do tumor. Além disso, casos hereditários já foram reportados, o que sustenta a teoria.

Hormônios

Distúrbios hormonais também são vistos como uma possível causa. Quando a progesterona e o estrogênio — hormônios que estimulam o revestimento do útero a cada período fértil — entram em desequilíbrio, eles favorecem a formação desses tumores. Isso explica porque os miomas costumam encolher após a menopausa, quando há diminuição natural dos hormônios femininos.

Além disso, alterações em hormônios que ajudam o corpo a manter os tecidos podem proporcionar o crescimento de mioma uterino.

Fatores de risco

Mulheres diagnosticadas com mioma uterino normalmente já possuem histórico do problema na família, como em avós, mãe ou irmãs. Portanto, caso a paciente tenha casos próximos, é recomendado exames periódicos para prevenir e tratar o acometimento.

Ademais, negras são mais propensas a terem miomas ainda na idade jovem, segundo um estudo da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Por fim, fatores como início precoce da menstruação, deficiência de vitamina D, dieta rica em carne vermelha, obesidade e ingestão de álcool também podem contribuir para a formação do problema.

Sintomas de mioma uterino

Dor por mioma.

February_Love/Shutterstock

Miomas uterinos pequenos podem ser assintomáticos, ou seja, não apresentarem incômodos físicos. No entanto, com o desenvolvimento a paciente pode começar a ter sintoma como:

  • Sangramento intenso durante o período menstrual
  • Prolongamento da menstruação
  • Aumento da micção
  • Pressão na região uterina
  • Dificuldade em urinar completamente
  • Constipação
  • Dor durante a relação sexual
  • Dor nas costas ou nas pernas

Aqui, vale ressaltar que cada tipo apresenta sintomas específicos. Logo, ao perceber qualquer um deles, a procura por um médico se faz necessária para o devido diagnóstico e tratamento.

Diagnóstico

Além de procurar um médico na presença de sintomas suspeitos, a mulher deve se consultar e realizar exames ginecológicos anualmente, visto que muitos miomas assintomáticos são encontrados incidentalmente durante testes de rotina.

Para confirmar o diagnóstico, são feitos alguns exames, tais como:

  • Ultrassonografia transvaginal
  • Exames de sangue
  • Ressonância magnética
  • Histerossalpingografia: raio-x do útero e das trompas uterinas com auxílio e contraste
  • Histeroscopia: espécie de endoscopia que visa avaliar a cavidade uterina

Qual especialista procurar?

O ginecologista é o profissional mais adequado para detectar e tratar anormalidades no sistema reprodutor feminino, como o mioma.

Complicações

Além de causar desconfortos, os miomas podem atrapalhar o funcionamento do útero. Alguns deles, como os submucosos, podem prejudicar a fertilidade das mulheres e, até mesmo, o desenvolvimento do feto — por aumentar o risco de parto prematuro e descolamento de placenta.

Algumas pacientes também acabam sofrendo com anemia, devido à perda exacerbada de sangue durante a menstruação, que se agrava quando o tumor não é tratado ou removido cirurgicamente.

Pode virar câncer?

O mioma raramente se transforma em câncer, mas o acompanhamento anual por um ginecologista é adequado para evitar esta e outras complicações.

Mioma uterino tem cura?

O mioma uterino que gera sintomas intensos ou atrapalha as funções do útero pode, ser removido por meio de intervenção cirúrgica. No entanto, vale ressaltar que ele pode voltar a surgir ao longo da vida da mulher, requerendo acompanhamento médico após o primeiro diagnóstico.

A única possibilidade de cura definitiva de mioma é a cirurgia de retirada do útero.

Tratamento para mioma

Médico em cirurgia.

Studio Peace/Shutterstock

O tratamento do mioma uterino pode ocorrer por meio de medicamento ou procedimentos cirúrgicos. Contudo, nem sempre é necessário tratar o tumor benigno.

Vigilância

Mulheres que não apresentam sintomas significativos de mioma uterino podem optar por não removê-lo, mas apenas acompanhá-lo periodicamente por meio de exames e consultas, visto que dificilmente se transforma em maligno e costuma encolher após a menopausa.

Medicamentos

Para quem manifesta incômodos, podem ser prescritos anti-inflamatórios, suplementos vitamínicos, inibidores de fibrinólise, anticoncepcionais e progestagênios que aliviam os sintomas e combatem o crescimento do tumor.

Embolização

Em casos mais brandos, é possível realizar ainda a embolização, que traz recuperação rápida por ser minimamente invasiva.

Nesse procedimento, feito por um radiologista, um cateter é colocado via artéria femoral e segue até os vasos responsáveis pela circulação do sangue até o mioma uterino, interrompendo seu desenvolvimento por meio de um bloqueio.

Cirurgia de mioma

Já os procedimentos cirúrgicos, indicados quando o tumor se desenvolveu e está causando danos significativos ao bem-estar da paciente, são:

Miólise

Cirurgia para ressecção de mioma submucoso, que são os localizados na parede interna do útero.

Miomectomia abdominal e histeroscópica

É um procedimento aberto ou por laparoscopia voltado à remoção de tumores numerosos ou grandes. Embora tenha grandes chances de sucesso, as cicatrizes resultantes podem afetar a fertilidade.

Histerectomia

É a cirurgia de remoção do útero, considerada a única solução permanente para tratar mioma uterino.

Embora seja efetiva, torna a mulher infértil e, caso os ovários sejam retirados, causa menopausa — a qual necessita de terapia de reposição hormonal —, e consequente aumento do risco de doenças cardíacas e metabólicas.

Prognóstico

Assim que o mioma uterino é tratado ou retirado, os sintomas desaparecem. Todavia, existe a possibilidade da recorrência do tumor, sendo indicado realizar consultas periódicas ao ginecologista para controlar seu aparecimento e desenvolvimento.

Prevenção

A prevenção do mioma é feita a partir do estabelecimento de uma rotina saudável para o bem-estar da paciente.

Exames periódicos, alimentação regrada e controle da ingestão de álcool são algumas medidas a serem tomadas para evitar o aparecimento de mioma uterino.