Meningite pode ser confundida com gripe forte e exige tratamento rápido

08 de dezembro de 2017

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POR Lucas Coelho

As meninges são membranas que se localizam dentro do nosso crânio e que têm como principal função proteger o sistema nervoso central. Por causa deste papel indispensável, qualquer problema com essas membranas é algo muito delicado. Por isso, a meningite – que é a infecção nas meninges – deve ser sempre levada a sério.

Casos a doença não seja tratada a tempo, os danos neurológicos podem ser irreversíveis e variados, especialmente para bebês e crianças. Na pior das hipóteses, as consequências podem ser fatais.

O que é meningite?

A meningite é um problema endêmico no Brasil. Ou seja, é particular do nosso país e acontece em qualquer época do ano. Existem várias causas possíveis para a infecção das meninges, e é justamente o agente causado que diferencia o tipo de meningite que a pessoa tem.

De maneira geral, as meningites viral e bacteriana são as mais frequentes, sendo a primeira mais comum durante o verão e a segunda no inverno. Elas também podem ser causadas por fungos ou protozoários, mas é menos recorrente.

Grupos de risco

Como qualquer outra infecção por bactéria ou vírus, a meningite aflige principalmente quem tem um sistema imunológico mais frágil. No entanto, é possível identificar grupos de pessoas mais propensas a cada tipo da doença.

Segundo o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Jacyr Pasternak, a meningite pneumocócica – causada pela mesma bactéria responsável pela pneumonia bacteriana –, por exemplo, é mais frequente em idosos ou pessoas que sofreram traumas de crânio.

“Há meningites específicas que acometem mais crianças muito pequenas, com meses de vida, ou idosos com morbidades, como diabetes”, diz o especialista. “Se pegarmos a meningite por listeria (um tipo de bactéria), ela ocorre em pessoas que consumiram derivados lácteos não pasteurizados”, completa.

No ano passado, o Ministério da Saúde registrou 244 óbitos por meningites no país, somando-se todos os tipos. Destes, 65 foram crianças com menos de 4 anos de idade, e mais de 50% das mortes foram de bebês que ainda não haviam completado um ano.

Vacinas contra meningite

Felizmente, o número de casos de meningite no Brasil vem caindo na última década. Alguns tipos específicos de da doença apresentam incidência cada vez menor, especialmente por causa da implementação de campanhas de vacinação importantes no calendário oficial brasileiro.

A meningite pneumocócica, por exemplo, pode ser evitada pela mesma vacina que é aplicada contra a pneumonia. Existe também uma vacina específica para a meningite bacteriana meningocócica desde 2011.

No ano em que essa vacina foi implementada, o país registrou aproximadamente 3 mil casos da doença. Em 2016, o número caiu para quase um terço disso, segundo dados do Ministério da Saúde.

Há ainda outras vacinas importantes que também ajudam a evitar alguns tipos de meningite, como a BCG contra tuberculose. Portanto, o mais seguro e certeiro é sempre seguir o calendário oficial.

Transmissão

Mesmo com essas medidas, as meningites ainda têm uma incidência alta no Brasil e são difíceis de serem controladas.

As meningites causadas por bactérias apresentam diversos tipos. A mais contagiosa e comum é a meningocócica, transmitida de pessoa a pessoa, especialmente pelas vias respiratórias.

Já a meningite viral tem incidência maior no verão. “Ela está associada à maior circulação do enterovírus neste período. É comum especialmente nas crianças”, alerta Pasternak.

Logo, além das vacinas, a higiene pessoal é importante para evitar o contágio, seja por bactéria ou vírus. Lave sempre as mãos e evite levá-las à boca – aviso importante especialmente para quem tem o costume de roer as unhas.

Como identificar os sintomas da meningite?

É importante saber reconhecer os sintomas da meningite rapidamente, pois a evolução da doença pode ser rápida e fatal — ou deixar sequelas neurológicas sérias.

É uma doença que compartilha os mesmos sintomas iniciais da gripe: febre, dor de cabeça, náuseas e vômitos. A particularidade da meningite, porém, está na rigidez da nuca e dores na região do pescoço, o que dificulta a pessoa de encostar o queixo no peito.

Para crianças e idosos, portanto, é preciso atenção redobrada a esses sinais específicos, pois tudo pode ser facilmente confundido com um simples resfriado ou uma gripe forte. Em bebês, a falta de apetite também pode ser um alerta.

Diagnóstico

Não há muitas formas diferentes de se diagnosticar uma meningite.

O procedimento correto é analisar uma amostra do líquor (líquido cefálico transparente que fica entre o crânio e córtex cerebral, funcionado como um “amortecedor” do cérebro e também fornecendo nutrientes para o tecido nervoso). Só assim é possível identificar exatamente o que está causando a infecção nas meninges.

Tratamento

A abordagem é bastante diferente dependo da causa da meningite.

Se a doença for causada pelo enterovírus, o tratamento é simplesmente sintomático, sendo preciso deixar o vírus finalizar seu ciclo. “Nesse caso, as dores de cabeça, a rigidez da nuca, a febre e todos os outros sintomas devem evoluir muito bem e sem sequelas em no máximo uma semana”, garante o infectologista Pasternak.

Já a meningite bacteriana é muito mais preocupante. Se o médico tiver qualquer suspeita de que é esse o caso, o paciente provavelmente deve receber uma boa dose de antibióticos via endovenosa para tentar combater a doença o mais rápido possível.