Melasma: como pode surgir, como prevenir e como tratar

31 de agosto de 2018

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POR Mariana Amorim

Melasma é uma mancha escura ou acastanhada comum em mulheres adultas e com incidência frequentemente relacionada à gravidez. A marca costuma surgir no rosto e geralmente se assemelha ao formato de uma borboleta simétrica.

A seguir, veja os tipos de melasma, como tratar e prevenir a doença:

O que é melasma?

 

melasma

LADO/Shutterstock

Melasma é uma condição crônica que se caracteriza pelo aparecimento de manchas escuras na pele, as quais são muito comuns no rosto, mas também podem acometer pescoço, colo e até braços.

“É uma doença que altera a cor da pele e, apesar de não apresentar cura, com os inúmeros tratamentos disponíveis é possível controlá-la”, explica a dermatologista Larissa Montanheiro,  da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e do Hospital Sírio Libanês.

Melasma x Cloasma: qual é a diferença?

Cloasma é o nome dado ao melasma que acontece especificamente devido à gestação. Isto é, ele aparece na pele por conta da alta produção de hormônios para gerar o bebê.

“Essa concentração de hormônios acaba resultando no aumento da melanina, célula de pigmento responsável pela coloração da pele, e consequentemente acarreta o cloasma”, explica a dermatologista.

O melasma na gravidez costuma surgir a partir da metade da gestação, e, em muitos casos, as manchas desaparecem meses após o nascimento do bebê. No entanto, elas podem permanecer ou apenas ficar mais claras, sendo a condição permanente.

Vale lembrar que, embora as marcas possam não aparecer durante a gravidez, é preciso tomar cuidado redobrado com a exposição solar, a qual aumenta o risco de incidência.

Tipos de melasma

Melasma epidérmico

Trata-se da condição mais superficial e, portanto, a mais fácil de tratar. Acontece quando o depósito de melanina ocorre nas camadas basais e suprabasais da epiderme.

Melasma dérmico

Esse tipo de melasma na pele ocorre quando as manchas atingem a derme superficial e profunda. Por isso, é o caso mais complicados e de difícil adesão aos tratamentos.

Melasma misto

Esse caso ocorre quando os dois tipos de depósito de melanina, o epidérmico e o dérmico, coexistem no mesmo tecido.

Vale ressaltar que quanto mais profundo o pigmento, mais difícil de se obter um bom resultado no tratamento. Apenas um médico dermatologista pode diferenciar o tipo de melasma e sua localização nas camadas da pele.

Causas

Conforme dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, não há uma causa definida para o aparecimento da condição. Entretanto, é seguro dizer que, muitas vezes, o melasma está relacionado à gravidez, ao uso de anticoncepcionais e, principalmente, à exposição solar desenfreada. Por isso, as mulheres são as mais afetadas pela doença.

O principal fator desencadeante é a exposição aos raios UV, mas até mesmo a luz visível, como de lâmpadas, computadores e celulares, pode acarretar no melasma.

“Há, ainda, a hipótese de que o acometimento seja causado por uma alteração vascular que libera uma substância responsável por estimular a melanina”, afirma Larissa.

Vale lembrar que a predisposição genética também tem forte influência em seu surgimento.

É importante que o dermatologista investigue a origem do melasma, já que ele pode ser confundido com sintomas de doenças, como o lúpus, problema autoimune que causa manchas parecidas com uma asa de borboleta na pele, mas de coloração avermelhada.

Fatores de risco

 

mulher com problemas na pele

Ngukiaw/Shutterstock

Ser mulher é um dos fatores de risco para a condição, já que o sexo feminino representa aproximadamente 90% dos casos de melasma.

Por isso, estar gestante pode contribuir para a condição, devido às alterações hormonais, bem como ter predisposição genética e ficar exposta a altas temperaturas e à exposição solar.

Sintomas

Os sintomas de melasma são manchas escuras ou acastanhadas que aparecem principalmente no rosto, principalmente nas maçãs, testa, nariz e buço.

Pode ocorrer também o melasma extra facial, com incidência das marcas nos braços, pescoço e colo.

As manchas têm formatos irregulares e bem definidos. Por isso, o próprio paciente pode suspeitar da condição, mas só o médico é capaz de confirmar o diagnóstico.

Diagnóstico

Os sintomas são analisados em consulta clínica, mas também há aparelhos que auxiliam o diagnóstico, como o dermatoscópio e a lâmpada de Wood, que conseguem diferenciar o tipo de melasma e sua localização nas camadas da pele.

Esses resultados vão determinar o prognóstico e o tratamento.

Pode ter complicações?

Se corretamente tratado com o dermatologista, o melasma não apresenta complicações. Pode, no entanto, demorar para apresentar resultados satisfatórios, como o clareamento da mancha marrom na pele.

O único dano que o melasma pode causar é psicossocial, com agravamento de baixa autoestima e problemas em relacionamentos.

Tem cura?

O melasma não apresenta cura definitiva, porém é possível que mancha clareie bastante ao ponto de ficar pouco perceptível. Entretanto, mesmo assim, as marcas podem ficar mais fortes posteriormente, caso não haja cuidado contínuo.

Como tratar melasma?

 

antes e depois do tratamento para melasma

Carla Nichiata/Shutterstock

Microagulhamento para melasma

O microagulhamento é um tratamento feito em consultório dermatológico que usa um instrumento chamado dermaroller para renovar a pele. A ferramenta tem finas agulhas envoltas em um rolinho que é aplicado na pele e causa um pouco de sangramento.

Embora um pouco dolorido, o método estimula a produção de colágeno, a oxigenação e a circulação sanguínea na região em que é realizado. Por isso, promete a renovação da pele, atenuando cicatrizes, rugas, linhas finas e manchas de melasma.

Pomada e creme para melasma

Para ajudar na remoção das manchas, os cremes mais usados são à base de hidroquinona, ácido glicólico, ácido retinoico e ácido azeláico.

A especialista conta que os resultados demoram cerca de dois meses para começar a dar resultados perceptíveis, como o clareamento da região atingida. Ainda que sejam muito utilizados, nem sempre apresentam boas perspectivas para todos os tipos de pacientes.

Tratamento caseiro

Tratamentos caseiros não substituem, em hipótese alguma, orientações e prescrições médicas, mas é possível adotar algumas práticas que podem ajudar a potencializar a ação dos medicamentos.

Manter a pele hidratada e usar cremes que tenham vitaminas, como a B5, ajudam na regeneração da pele inflamada.

Apostar no uso semanal de máscaras com agentes hidratantes também auxilia no clareamento da pele.

Manter uma alimentação rica em antioxidantes auxilia o organismo a combater radicais livres e o envelhecimento precoce, fato que potencializa a saúde da pele e, portanto, auxilia no resultado do tratamento.

Peeling

Para tratar melasma, normalmente é usado o peeling químico, que nada mais é do que um procedimento estético que consiste na aplicação de ácidos em consultório dermatológico.

A aposta serve para destruir as camadas superficiais da pele e, assim, clarear as manchas e potencializar a renovação.

Laser

O laser também pode ser um bom coadjuvante para o clareamento de manchas de melasma. Mas é preciso ressaltar que tanto o laser quanto o peeling precisam ser indicados e feitos por profissionais da saúde.

A vantagem do laser é que, com sua tecnologias, consegue potencializar a renovação da pele de forma rápida e pode apresentar bons resultados em pouco tempo. Mas é preciso cuidado, já que qualquer procedimento que gera reação inflamatória também pode agravar o melasma.

Protetor solar

Se para todas as pessoas o uso de protetor solar é imprescindível para evitar o câncer de pele, para quem tem melasma mais ainda.

Assim, pacientes com a condição precisam usar produtos com fator de proteção altos. Além disso, se a exposição solar for durante o verão, se possível, também se proteger com chapéus e óculos.

A dermatologista Larissa explica que quem tem melasma deve optar por filtros que tenham proteções contra os raios ultravioleta A (UVA) e ultravioleta B (UVB).

Prevenção

“A maior prevenção para o melasma é a proteção solar”, afirma categoricamente a especialista.

Ela explica que o uso do filtro deve ser diário, mesmo em dias frios, nublados ou chuvosos. “Inclusive, quem passa o dia dentro do escritório, e por isso pensa que está protegido, está enganado”, comenta.

Outra medida importante é a reaplicação do produto ao longo do dia.

 

 

Fontes

Sociedade Brasileira de Dermatologia

American Academy of Dermatology

British Skin Foundation

Dermatologista Larissa Montanheiro, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e do Hospital Sírio Libanês / CRM 189758