Lúpus: entenda os sintomas, diagnóstico e tratamento

06 de setembro de 2017

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POR Gabriela Simionato

Lúpus é um distúrbio inflamatório e autoimune que afeta órgãos e sistemas, gerando inflamação, inchaço e danos em articulações, pele e outros tecidos. A doença é mais comum em mulheres, embora também possa afetar homens.

Embora não seja contagiosa, há casos de gestantes acometidas que transmitem a doença ao feto pela placenta.

A seguir, saiba mais sobre lúpus e suas formas de tratamento:

O que é lúpus?

Lúpus é uma doença autoimune e crônica que causa inflamação na pele, articulações e em múltiplos órgãos.

A reumatologista Lygia Quintanilha Rodrigues, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica que a condição é autoimune, ou seja, acontece quando o sistema imunológico passa a atacar as estruturas do próprio organismo.

O acometimento se apresenta em surtos que variam de leves a sérios e são seguidos por fase de remissão, em que os sintomas não se manifestam.

Tipos

Lúpus cutâneo ou discoide

Esse tipo se limita à pele, gerando sintomas como erupções e feridas cutâneas que podem ser elevadas, escamosas e avermelhadas. Geralmente, as lesões aparecem na face, pescoço, genitais e couro cabeludo.

Ainda pode haver perda de cabelo e alterações na coloração da pele.

Sabe-se que 1/10 das pessoas com esse tipo cutâneo desenvolverão lúpus sistêmico no futuro.

Lúpus eritematoso sistêmico

É o tipo mais comum e famoso da doença. Pode afetar muitas partes do corpo, incluindo a pele, as articulações e os órgãos internos.

Essa doença pode ser leve ou grave. Já suas consequências incluem inflamação dos rins, inflamação do sistema nervoso, inflamação nos vasos sanguíneos do cérebro, endurecimento das artérias ou doença da artéria coronária.

Induzido por drogas

Esta ramificação da doença pode ser causada por certas medicações que geram sintomas semelhantes aos do lúpus sistêmico, os quais desaparecem em até seis meses.

Entre os remédios relacionados à condição estão alguns para hipertensão, arritmia e tuberculose.

Lúpus neonatal

Em casos raros, gestantes com doença autoimune podem passar a condição para o filho. Nesse quadro, chamado de lúpus neonatal, a criança pode desenvolver erupções cutâneas, anemia ou problemas no fígado, os quais desaparecem após alguns meses e não causam danos definitivos.

A grande preocupação se refere a alguns bebês acometidos que nascem com defeitos cardíacos graves e sem remissão espontânea.

Causas

Ainda não se sabe o porquê de o sistema imunológico atacar as células saudáveis do próprio corpo. Porém, é reconhecido que a reação pode ser desencadeada em indivíduos com predisposição genética após episódios de infecções virais, alterações hormonais, uso de certas drogas e fatores ambientais, como alta exposição à luz solar e tabagismo.

De acordo com Luis Eduardo Coelho Andrade, assessor médico em imunologia e reumatologia do Fleury Medicina e Saúde, não se espera que filhos de pais com lúpus tenham necessariamente a doença, mas há mais chance de isso ocorrer devido ao componente hereditário.

Fatores de risco

Idade: embora possa ocorrer em qualquer idade e sexo, seu início é observado principalmente dos 16 aos 45 anos;

Sexo: é mais comum em mulheres;

Etnia: ocorre mais em afro-descendentes, hispânicos e asiáticos.

Sinais e sintomas de lúpus

A médica Bianca Savoia, da rede de centros médicos dr.consulta, afirma que os sintomas de lúpus podem variar de acordo com os tipos da doença.

Os principais incluem:

  • Febre
  • Fadiga
  • Perda de peso
  • Dor
  • Inchaço
  • Deformidade nas articulações
  • Manchas na pele, como o ‘rash malar’
  • Úlceras orais
  • Olhos e boca secos
  • Arroxeamento de dedos
  • Alterações cardiopulmonares
  • Alterações renais

Outras características menos frequentes da condição englobam:

  • Nódulos no pescoço, axilas e/ou virilha
  • Perda de cabelo
  • Pressão arterial alta
  • Enxaqueca
  • Dor de estômago
  • Depressão
  • Alterações neurológicas, como psicose e convulsões
  • Falta de ar

Diagnóstico

Como os sintomas de lúpus podem ser parecidos com os de outras condições e ainda variam de pessoa para pessoa, pode ser difícil diagnosticá-lo.

Não há nenhum teste específico capaz de determinar o problema, mas a combinação de alguns exames, teste físico e sintomas é capaz de fechar o quadro.

Veja os principais exames:

Hemograma: exame de sangue que mede a quantidade de glóbulos vermelhos e brancos, plaquetas e hemoglobina.

Taxa de sedimentação de eritrócitos: determina o tempo no qual os glóbulos vermelhos descem para o fundo do tubo de sangue. Por meio dele é possível avaliar condições sistêmicas.

Teste de urina: avalia o nível de proteína ou glóbulos vermelhos na urina.

FAN: o teste de fatores de anticorpo antinuclear (FAN) indica a presença exacerbada de anticorpos produzidos pelo seu sistema imunológico. Embora a maioria das pessoas receba resultado positivo, esse exame também indicas outras doenças. Portanto, o positivo não faz o diagnóstico por si só.

Raio X ou ecocardiograma: caso o médico suspeite de complicações no pulmão ou coração, pode ser necessário fazer uma radiografia do tórax ou ecocardiograma.

Biopsia: como pode prejudicar os rins, em alguns casos pode ser preciso testar uma pequena amostra do tecido, retirada por uma biopsia, para avaliar os danos.

Tem cura?

Apesar de ser uma doença sem cura, pode ser tratada a ponto de remissão, conforme explica o clínico geral Luis Felipe Menezes Martins, diretor Clínico do Kurotel – Centro Médico de Longevidade.

Tratamento de lúpus

O tratamento dependerá dos sintomas apresentados e pode mudar ao longo do tempo.

Os medicamentos mais usados ​​para controlar a doença incluem:

  • Anti-inflamatórios não esteroides
  • Medicamentos antimaláricos.
  • Corticosteróides
  • Imunossupressores
  • Biológicas antirreumáticas
  • Anticorpo Rituximab

Exercícios físicos, alimentação natural e orgânica, tratamentos psicológicos e suplementação vitamínica também devem fazer parte da rotina de quem tem o acometimento.

Complicações

O tratamento inexistente ou inadequado do lúpus pode resultar em complicações e maior risco de morte, visto que o acometimento pode limitar o funcionamento físico, mental e social de uma pessoa.

Alguns exemplos de complicações de lúpus são:

  • Insuficiência renal
  • Dores de cabeça
  • Tontura
  • Derrames
  • Alterações na visão
  • Anemia
  • Vasculite
  • Pleurisia
  • Pneumonia
  • Pericardite
  • Infarto
  • Câncer
  • Morte do tecido ósseo
  • Aborto espontâneo
  • Pré-eclâmpsia
  • Parto prematuro

Fontes

Reumatologista Lygia Quintanilha Rodrigues, da Sociedade Brasileira de Reumatologia. CRM 63371

Reumatologista Luis Eduardo Coelho Andrade, assessor médico em imunologia do Fleury Medicina e Saúde. CRM 38661

Center for Disease Control and Prevention. Systemic Lupus Erythematosus (SLE). Disponível em: www.cdc.gov/lupus/facts/detailed.html#symptoms

Mayo Clinic. Lúpus. Disponível em: www.mayoclinic.org/diseases-conditions/lupus/diagnosis-treatment/drc-20365790

Ferri FF. Systemic lupus erythematosus. Ferri’s Clinical Advisor 2018. Philadelphia, Pa.: Elsevier; 2018.