Lombalgia: por que ela ocorre, prevenção, sintomas e tratamentos

18 de abril de 2018 ● POR Nossos Doutores

Você já sentiu dor nas costas? Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 8 em cada 10 pessoas sentirão esta dor pelo menos uma vez na vida. A lombalgia, também conhecida como dor lombar ou lumbago, é um dos tipos mais comuns de dor nas costas — e a segunda mais comum em todo o mundo, perdendo apenas para a dor de cabeça.

A lombalgia é caracteriza por uma dor na parte mais baixa das costas, perto da bacia, e que pode se estender para a região das nádegas e região posterior (atrás) das coxas. Quando não tratada, pode ser muito prejudicial à qualidade de vida da pessoa.

Por que a lombalgia ocorre?

A maior parte das pessoas sente dor nas costas por uma questão postural e não por fatores mais graves. São hábitos errados e contínuos que afetam a postura, como trabalhar o dia todo curvado sobre o teclado do computador, posições incorretas para dormir, sentar, dirigir etc.

As lombalgias de origem muscular também podem ser provocadas por movimentos bruscos, torções, distensões dos músculos ou de ligamentos das costas e também por sedentarismo, decorrente da falta de exercícios.

Entre as causas mais comuns também estão as doenças ortopédicas e reumáticas (como hérnia de disco e problemas no nervo ciático), envelhecimento e infecção dos discos intervertebrais, entre outros.

Além destes, fatores psicológicos, como esgotamento, tensão e estresse — tão comuns nos tempos modernos — também podem agravar consideravelmente as dores nas costas, principalmente na região lombar.

Em casos (bem) mais raros, a lombalgia pode ser um sinal de algo mais grave, como câncer ou doenças degenerativas dos discos intervertebrais.

Como saber se a dor que sinto é lombalgia?

O principal sintoma da lombalgia é uma dor que não cessa, localizada na parte de baixo das costas, que é onde fica a lombar. Essa dor pode variar de um incômodo simples a uma dor severa e incapacitante.

Podem ser observados também formigamentos e dormências, além de casos em que a pessoa sente um forte contração muscular, que a impossibilita até mesmo de realizar movimentos comuns, como andar, dirigir, sentar etc.

No entanto, somente um diagnóstico médico é capaz de determinar com exatidão se a sua dor nas costas é provocada por lombalgia ou outro problema.

Como prevenir?

A fisioterapeuta Glaucia Martarelloparceira do portal Nossos Doutores, destaca que, para prevenir a lombalgia, é importante fazer algumas mudanças no estilo de vida. “Adotar um programa de exercícios físicos específicos e cuidados com a postura é fundamental”, explica ela.

“Estes exercícios são chamados de fortalecimento isométrico, e devem ser praticados para desenvolver a musculatura de toda a região lombar e abdominal, que formam um cinturão de músculos chamados de ‘musculatura estabilizadora lombar’, que sustenta e protege a coluna”.

Ela alerta, no entanto, que “os exercícios para fortalecimento da musculatura precisam ser feitos da forma correta, para não causar lesões e piorar ainda mais o quadro”. Por isso, é imprescindível que a prática aconteça sob orientação de um fisioterapeuta ou um profissional de educação física.

Existem diferenças entre as lombalgias?

Sim. Há diferentes formas de classificar as lombalgias. Veja abaixo:

Duração da dor

  • Lombalgia aguda: duração inferior a 6 semanas;
  • Lombalgia subaguda: duração entre 6 e 12 semanas;
  • Lombalgia crônica: duração igual ao superior a 3 meses.

Origem da dor

  • Não-específica: representa 90% do total de pacientes que apresentam o problema. Não tem uma causa clara. Seu diagnóstico se faz por exclusão, após outras patologias terem sido descartadas;
  • Específica: causada por alguma patologia, como hérnia de disco com comprometimento da raiz nervosa, distúrbios inflamatórios, infecções, osteoporose, artrite reumatoide, fraturas ou tumores.

Tratamento

É fundamental que se procure a opinião de um ortopedista ou fisioterapeuta para obter o diagnóstico correto e o melhor tratamento para a lombalgia.

São vários os tratamentos possíveis. Entre eles, estão o uso de medicamentos para alívio da dor, relaxantes musculares, acupuntura, sessões de infiltrações, um programa de reabilitação multidisciplinar, atividades físicas supervisionadas etc.

Muitos fisioterapeutas atuam usando técnicas de RPG (Reeducação Postural Global), que focam no alongamento dos músculos responsáveis pela alteração postural — consequência direta do encurtamento da musculatura, que leva também à perda da flexibilidade.

Além disso, o fisioterapeuta pode também recorrer ao uso de aparelhos de alongamento para ajudar a aliviar a dor do paciente. Massagens terapêuticas relaxantes para a musculatura tensa e correção postural por meio de exercícios também são opções.

É possível viver sem dor

A ciência tem tido notáveis avanços na criação de novos tratamentos voltados a pacientes com lombalgia, oferecendo-lhes melhor qualidade de vida.

Entre eles, por exemplo, estão a criação de medicamentos que atuam no sistema nervoso em locais distintos e o surgimento de procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos.

Outra novidade é a administração de terapias físicas como forma de iniciar o tratamento, com menor exposição do paciente a riscos de danos e lesões. Aqui entram as massagens, acupuntura, exercícios de controle motor, manipulação espinhal, aquecimento superficial, relaxamento progressivo, RPG e eletromiografia, entre outros.

Se a dor nas costas é comum, isto não significa que sofrer com ela seja normal ou aceitável. Viver sem dor – ou pelo menos reduzi-la tanto quanto possível – melhora a qualidade de vida, aumenta a produtividade e permite que o foco da vida esteja naquilo que se deseja ser e ter, e não na dor que se quer evitar. Procure um profissional da saúde.

8 dicas para evitar a dor lombar no dia a dia

1. Controle seu peso: tente permanecer dentro do seu peso ideal. A obesidade prejudica muito a coluna;

2. Faça exercícios físicos: a prática de atividade física pelo menos 3 vezes por semana, durante 30 minutos, já ajuda a evitar dores nas costas;

3. Não carregue muito peso: evite cargas muito pesadas. Se precisar levantar algum peso acima do que está acostumado no dia a dia, flexione os joelhos e procure manter a coluna ereta;

4. Procure a melhor posição para dormir: dormir de lado, com um travesseiro entre as pernas, ou de barriga para cima, com um travesseiro embaixo dos joelhos são boas posições para evitar dor no dia seguinte. Evite dormir de bruços;

5. Cuidado ao levantar: na hora de sair da cama, procure fazê-lo de lado. Apoie-se e não tenha pressa. Evite levantar-se para a frente, de modo muito brusco;

6. Sente-se corretamente: se você passa muitas horas sentado, use uma cadeira com apoio para os braços e que não recline. Seus pés devem estar totalmente encostados no chão;

7. Tela na altura dos olhos: se você trabalha com computador (ou passa horas no celular), lembre-se de que a tela deve ficar na altura dos seus olhos;

8. Atenção ao dirigir: mantenha uma boa postura e procure colocar um apoio ou almofada atrás da região lombar – especialmente se você passa muito tempo no trânsito.

 

 

Este texto foi produzido pela equipe do Nossos Doutores, parceiros do Ativo Saúde.