Leptospirose: entenda a doença que é transmitida pela urina do rato

11 de abril de 2019

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POR Gabriele Amorim

Conhecida por ser transmitida pelo contato com a urina de ratos, a leptospirose é uma doença bastante comum e que pode levar à morte. Saiba de quais outras formas é transmitida, sintomas e como prevenir.

O que é?

Leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria leptospira interrogans, cuja forma de transmissão mais comum é pelo contato com a urina de roedores. Contudo, a urina e o sangue de animais, como porcos, cavalos e até cães, também podem transmitir a doença, tornando-a mais comum do que se imagina.

Tipos de leptospirose

A doença costuma ser classificada em:

Leptospirose anictérica

Forma leve do problema, acometendo a maior parte dos pacientes. Em alguns casos, seu sintomas são leves, em outros, assintomáticos.

Leptospirose ictérica

Esta versão da doença é grave pois prejudica o funcionamento do fígado, interferindo na quantidade de pigmento bilirrubina e levando à icterícia, amarelamento da pele e dos olhos.

Esse tipo da doença pode ser fatal e é denominado Mal de Adolf Weil ou Doença de Weil.

Causas

leptospirose é causada pela bactéria leptospira interrogans, cuja forma minúscula é semelhante a um espiral.

Transmissão


Homem usando botas na água.

Bannafarsai_Stock/ShutterStock

Qualquer pessoa que tiver contato com urina ou sangue de animais, esgoto, água ou lama contaminados pela bactéria pode contrair a doença.

A bactéria penetra no organismo por meio de ferimentos, arranhões ou até mesmo pele saudável exposta por longos períodos.

Humanos transmitem leptospirose?

Como são hospedeiros por acidente, os seres humanos não são capazes de transmitir o problema.

Todo rato tem leptospirose?

Nem todos os roedores portam a doença, embora ela seja comum nestes animais.

Em quanto tempo surgem os primeiros sintomas?

A leptospirose tem período de incubação que varia de uma a duas semanas, sendo este o tempo médio para o aparecimento do sintoma. Contudo, há casos em que eles surgem por volta do 30º dia após o contágio.

Fatores de risco de leptospirose

A doença apresenta maior incidência em áreas com condições sanitárias precárias e durante a época de fortes chuvas, que acabam por ocasionar enchentes, favorecendo a disseminação da bactéria.

Em resumo, os fatores de risco consistem em:

  • Ter contato com água de enchentes
  • Andar descalço
  • Viver em áreas com saneamento básico inadequado
  • Viver em regiões com coleta de líquido insuficiente

Sintomas da leptospirose

Os sintomas dividem-se em duas fases. A primeira fase, chamada de septicêmica ou anictérica, ocorre até 20 dias após a infecção e apresenta:

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Dor de garganta
  • Tosse
  • Dor no peito
  • Dores musculares, principalmente, nas costas e panturrilhas
  • Calafrios
  • Vermelhidão nos olhos
  • Urina escura
  • Fezes claras

Já na segunda fase, chamada de imunológica ou ictérica, os sintomas iniciais retornam, somados à icterícia, hemorragia digestiva ou pulmonar, insuficiência renal e aumento do tamanho do fígado e do baço.

Diagnóstico

Durante a primeira fase, é necessário exame de sangue para confirmar o diagnóstico. Na segunda fase, já é possível diagnosticar a doença apenas pelo exame de urina.

Em alguns casos, são utilizados métodos sorológicos como o teste Elisa-IgM ou a microglutinação.

Qual profissional procurar?

Ao apresentar os sintomas, deve-se procurar um pronto-socorro imediatamente para que um clínico geral possa avaliar os sintomas e, caso a doença seja confirmada após os exames, fornecer o tratamento adequado.

Leptospirose tem cura?

A leptospirose pode ser curada. No caso de sua versão mais leve, os sintomas podem desaparecer espontaneamente pela ação do sistema imunológico do paciente.

Em outros casos, é necessário tratamento médico à base de antibióticos para acabar com a bactéria.

Tratamentos para leptospirose

A doença pode ser curada com maior facilidade dependendo da fase em que é descoberta.

Medicamentos

O tratamento é baseado na administração de antibióticos, que visam combater a bactéria causadora do problema, tais como vibramicina e amoxicilina.

Antitérmicos e analgésicos também podem ser usados para aliviar os sinais e sintomas, como dipirona e paracetamol. Contudo, vale lembrar que é contraindicado o uso de drogas com ácido acetilsalicílico (AAS), já que elas podem propiciar ou piorar hemorragias já existentes.

Além disso, automedicação é completamente contraindicada, podendo até agravar o quadro.

Medidas terapêuticas

Também podem ser prescritas medidas terapêuticas, como transfusão de sangue e assistência cardiorrespiratória, a fim de minimizar os sintomas e evitar agravamentos.

Prognóstico

Após o início do tratamento, a bactéria poderá ser eliminada em cinco a sete dias.

Caso os medicamentos sejam utilizados de forma inadequada, como por tempo menor que o prescrito, pode haver volta do problema e resistência ao tratamento.

Complicações

Quadros de leptospirose não tratados de forma adequada ou diagnosticados tardiamente podem causar:

  • Anemia
  • Alucinações e delírios
  • Lesão pulmonar
  • Hemorragia pulmonar
  • Insuficiência respiratória
  • Insuficiência renal
  • Inflamação do músculo do coração
  • Miocardite
  • Pancreatite
  • Meningite
  • Morte

Por isso, tratar a leptospirose adequadamente e o quanto antes é de extrema importância para uma boa recuperação.

Prevenção

A prevenção se dá a partir de médicas básicas, como:

  • Evitar o contato direto com urina de animais
  • Em caso de contato com água ou lama, principalmente de enchentes, utilizar botas e luvas de material reforçado
  • Uso de água sanitária para limpeza de quintais e áreas de possível contaminação
  • Acondicionamento correto do lixo
  • Armazenamento apropriado de alimentos
  • Vedação de caixas d’água
  • Controle de roedores feito por profissionais especializados
  • Vacine seu cão contra leptospirose

Fontes

Ministério da Saúde. Leptospirose. Disponível em: www.portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/leptospirose

Manual MSD. Leptospirose. Disponível em: www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doenças-infecciosas/espiroquetas/leptospirose

Center for Disease Control and Prevention. Leptospirosis. Disponível em: www.cdc.gov/leptospirosis/