Leishmaniose: o que é, tipos, transmissão, sintomas e tratamentos

26 de agosto de 2019

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POR Manuela Sampaio

Leishmaniose é uma doença endêmica transmitida por mosquitos que ataca o sistema imunológico, gerando sintomas na pele e mucosas ou, em sua forma mais grave, dano aos órgãos.

Seus sintomas variam com o tipo apresentado, mas a formação de feridas quase sempre é manifestada. Existem diferentes maneiras de tratar e evitar a doença, cuja prevalência é maior em áreas com saneamento básico precário.

O que é?

Leishmaniose é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania. No Brasil, a espécie mais frequente é a Leishmania chagasi.

Tipos

Existem três tipos:

Leishmaniose visceral

Também chamada de “calazar”, essa variedade atinge os órgãos depois de infectar a pele, principalmente linfonodos, medula, fígado e baço.

Em muitos casos é assintomática, mas em outros pode causar manifestações como febre, anemia e perda de peso, além das úlceras na pele.

Leishmaniose cutânea

Também chamada de leishmaniose tegumentar, esse tipo afeta a pele, causando feridas que geralmente são indolores.

Leishmaniose mucocutânea

A leishmaniose mucocutânea afeta as mucosas do nariz e da boca, além da pele. Essa forma pode levar a deformidades e complicações das úlceras.

Transmissão

Protozoário da leishmaniose no sangue.
Kateryna Kon/Shutterstock

A leishmaniose é causada por protozoários parasitários do gênero Leishmania, que são transmitidos pela pela picada de insetos da subfamília dos flebotomíneos. No Brasil, o principal vetor é a Lutzomyia longipalpis, também chamado de “mosquito-palha”.

Fatores de risco

O principal fator de risco é o contato com insetos flebotomíneos que transmitem o protozoário, o que é mais comum em situações de pobreza, desmatamento e realização de atividades próximas a matas e rios.

Outro fator importante é a criação de animais de estimação – geralmente cães, no caso, chama-se leishmaniose canina – que podem ser portadores, sintomáticos ou não do protozoário em área em que circula o mosquito vetor.

Sinais e sintomas de leishmaniose

Nas forma cutânea e mucocutânea, o principal sintoma é o aparecimento de úlceras na pele e nas mucosas, as quais geralmente são indolores e não têm secreção (exceto quando há infecção bacteriana secundária).

Na forma visceral, pode ocorrer inicialmente úlcera na pele, seguidas por febre, anemia, perda de peso e aumento de volume no baço e fígado, órgãos mais comumente atingidos pelo protozoário.

Diagnóstico

Não há um exame único para diagnosticar leishmaniose, portanto o diagnóstico é obtido por meio dos sinais clínicos sugestivos da doença e da soma dos resultado de todos os testes existentes, que são: anatomopatológico; intradermoreação ou “Teste de Montenegro”; sorologia; imunofluorescência indireta; elisa para leishmânia; teste rápido “Kalazar test”; entre outros.

Qual profissional devo procurar?

Busque um infectologista e um dermatologista assim que notar qualquer sinal ou sintoma da doença..

Tem cura?

A leishmaniose tem cura se for tratada adequadamente. Para isso, é preciso usar os medicamentos prescritos na dose e no tempo indicados, além de realizar acompanhamento médico após o término da medicação.

Tratamentos para leishmaniose

Medicamentos

O tratamento depende do tipo de leishmaniose, mas pode ser feito com várias medicações: antimonial pentavalente (estiboniato de meglumine), miltefosine, pentamidina, anfotericina B (formas desoxicolato, complexo lipídico ou lipossomal) e paromomicina.

O Ministério da Saúde recomenda o uso inicial de Antimonial pentavalente ou, para casos especiais, a anfotericina B.

Na maioria dos indivíduos, o tratamento é feito uma única vez (geralmente, dura 20 dias para antimonial e de 5 a 7 dias com anfotericina B lipossomal), com acompanhamento posterior. Porém, por se tratar de um protozoário, podem haver recidivas, principalmente se o tratamento for incompleto ou se o paciente apresentar algum tipo de queda de imunidade no futuro.

Cirurgia

Caso a leishmaniose mucocutânea cause deformidade, podem ser indicadas cirurgias reconstrutivas para que nariz e boca recuperem o formato anterior às lesões.

Prognóstico

Os sintomas podem ficar mais graves ou apresentar complicações nos casos não tratados corretamente ou ainda em pacientes que apresentam alguma condição que cause queda de imunidade. Do contrário, a leishmaniose pode ser controlada e não mais voltar a se manifestar.

Complicações

Cicatriz e infecções secundárias

A pele e as mucosas atingidas pela leishmaniose podem ficar com cicatrizes e/ou desenvolver infecções por bactérias, principalmente se estiverem com feridas abertas.

Deformidades

A mucocutânea pode causar deformidades em mucosas, principalmente nas do nariz. Em casos assim, além do tratamento medicamentoso pode ser indicada cirurgia para reconstrução da área atingida.

Anemia

A leishmaniose visceral pode causar anemia por causa de seu impacto sobre baço, medula e linfonodos, afetando a produção celular e as defesas do organismo.

Queda da imunidade e doenças oportunistas

A visceral gera queda abrupta da imunidade, dando chance para doenças oportunistas que podem levar à morte.

Prevenção

A prevenção é feita principalmente pela adoção de medidas contra o mosquito:

  • Uso de mosquiteiros ou telas
  • Aplicação de repelentes
  • Uso de inseticidas
  • Manejo ambiental com limpeza de quintais e terrenos

Há também a necessidade de cuidar dos animais domésticos, que podem ficar doentes e aumentar o risco de contágio para humanos. A melhor forma de fazer isso é pela vacinação (que não existe para seres humanos) veterinária.

Referências

Dermatologista Mariana Cesetti, do Hospital Anchieta – CRM 19786/DF

Infectologista Manuel Palácios, do Hospital Anchieta – CRM 14130/DF