Leishmaniose visceral: como é a 2ª doença parasitária que mais mata?

13 de abril de 2018 ● POR Bruno Botelho dos Santos

A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é a segunda doença parasitária que mais mata no mundo – perde apenas para a malária. Se não for devidamente tratada, chega a ser fatal em 95% dos casos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 20 a 30 mil de pessoas em todo o mundo morrem por ano em decorrência da doença – e outras 200 milhões estão sob risco de infecção. Levantamento do instituto também mostra que, hoje, a leishmaniose é considerada endêmica em pelo menos 47 países – a maioria no sul da Ásia e na África.

De acordo com o portal oficial dos Médicos Sem Fronteiras, o Brasil é um dos seis países que concentram a esmagadora maioria (90%) dos novos casos registrados todos os anos. Junto a nós, estão também Bangladesh, Etiópia, Índia, Sudão do Sul e Sudão.

O que é a leishmaniose visceral?

Leishmaniose é um conjunto de doenças infecciosas não contagiosas que afeta homens e animais e que é causado por parasitas do gênero Leishmania. Esses micro-organismos se instalam e se multiplicam no interior de um tipo específico de células de defesa do nosso organismo, chamadas de macrófagos.

Existem dois tipos de leishmaniose: a leishmaniose tegumentar (cutânea) e a leishmaniose visceral (calazar). Neste artigo, vamos falar um pouco mais sobre este segundo tipo.

A leishmaniose visceral é uma doença sistêmica, ou seja, que atinge vários órgãos internos, a exemplo do fígado, do baço e da medula óssea.

Esse tipo da doença costuma aparecer em crianças de até dez anos, sendo que depois desta idade se torna menos frequente. É uma doença de evolução longa, podendo durar alguns meses ou até ultrapassar o período de um ano até chegar ao seu ápice.

Causas

A leishmaniose visceral, como já comentamos um pouco acima, é provocada pelo parasita Leishmania chagasi. Ele é transmitido para o nosso organismo por meio da picada de mosquitos flebotomíneos (também conhecidos como mosquito-palha ou birigui).

O inseto costuma atacar principalmente no início da noite ou ao amanhecer. A infecção por esse parasita afeta diretamente o sistema imunológico e, alguns meses após a picada, pode evoluir para uma infecção visceral grave – daí o nome atribuído à doença.

Se não for tratada corretamente, a leishmaniose costuma ser fatal. Animais como cães, raposas, roedores, tamanduás, preguiças e equídeos também podem servir de hospedeiro para o protozoário. Entretanto, o grande causador da doença é de fato o mosquito.

Sintomas da leishmaniose

Algumas pessoas podem não apresentar os sintomas da leishmaniose visceral. Quem os manifesta, porém, costumam apresentar febre, perda de peso e inchaço do baço ou fígado. Os principais sintomas da doença são:

  • Dores no abdômen;
  • Febre contínua (que pode ter semanas de duração);
  • Baixa contagem de plaquetas no sangue;
  • Diarreia, sangramentos na boca e nos intestinos grosso e delgado;
  • Mal-estar geral, fraqueza e perda de apetite;
  • Anemia e palidez;
  • Suor noturno;
  • Perda de peso (que pode ser extrema);
  • Aumento do baço e do fígado;
  • Problemas respiratórios e na medula óssea;
  • Inchaço dos gânglios.

Diagnóstico

O diagnóstico da leishmaniose visceral ocorre pela coleta e análise de amostras de sangue, que detectam os anticorpos específicos que combatem o protozoário. A análise clínica dos sintomas do paciente também ajuda num diagnóstico mais assertivo.

Além desses, ainda existem exames de laboratórios para confirmar o diagnóstico, como testes sorológicos e punção da medula óssea, que detectam a presença do parasita no organismo.

Em casos mais avançados, pode ser necessária a biópsia do órgão afetado para análise laboratorial. O diagnóstico precoce, como em todas as doenças, é fundamental para evitar complicações, já que a infecção por leishmaniose se torna cada vez mais agressiva com o passar do tempo, o que também faz aumentar o risco de morte.

Os sintomas da leishmaniose visceral podem ser muito parecidos com os da malária, doença de Chagas, esquistossomose, febre tifoide, entre outros problemas. Isso reforça a importância de diagnosticá-la precocemente.

Tratamento para leishmaniose visceral

Existem alguns medicamentos que ajudam a eliminar os parasitas. Ainda não foi desenvolvida uma vacina que proteja o organismo da infecção provocada pelo parasita. Os remédios que mais se costuma prescrever são:

Medicamentos

  • Antiparasitários;
  • Antimoniato pentavalente, que combate inflamações e são geralmente aplicados por via endovenosa;
  • Anfotericina B: antifúngico injetável, age impedindo o mecanismo de ação dos fungos e, assim, diminuindo as chances de complicações como leishmaniose e candidíase.