Labirintite: o que é, sintomas, tratamentos e mais

18 de junho de 2018

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POR Patrícia Beloni

Já escutou zumbidos no ouvido ou sentiu a sensação de vertigens (desfalecimento, desmaio ou fraqueza)? Esses podem ser sintomas de labirintite, doença que afeta principalmente idosos.

A labirintite é uma inflamação causada pela destruição ou compressão mecânica do labirinto – estrutura que fica dentro do ouvido e é responsável pelo equilíbrio – ou de outros mecanismos dessa região – explica a otorrinolaringologista Jeanne Oiticica, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

O problema pode ter diversas causas, inclusive hereditárias, e provocar vário sintomas no organismo. Entenda.

Tipos de labirintite

Existem diversas formas de labirintite ou Síndromes Vestibulares, como também é conhecida a condição. As principais são:

  • VPPB (Vertigem Postural Paroxística Benigna): episódios de tontura e falsa sensação de que você ou o ambiente ao redor está em movimento;
  • Enxaqueca vestibular: dor de cabeça associada à tontura, acontece numa área do cérebro chamada de sistema vestibular;
  • Paroxismia vestibular: síndrome de compressão do oitavo nervo craniano que causa tontura e zumbido;
  • Ototoxicose: problema do aparelho auditivo causado por alguma substância tóxica, gerando perda de audição e/ou tontura. 
  • Neurite vestibular: distúrbio em que o nervo vestibular, que envia comandos sobre movimento e equilíbrio para o cérebro, é afetado por um vírus.
  • Tontura metabólica: causada por alterações do colesterol e/ou triglicérides, diabetes sem controle, além de problemas relacionados a insulina, hormônios femininos e tireoide;
  • Tontura hormonal: pode ocorrer por alteração hormonal em diversos órgãos;
  • Tontura psicogênica: sensação de balançar;
  • Síndrome do Desequilíbrio do Idoso: pela idade;
  • Tontura cervical: causada por artrite ou artrose cervical;
  • Insuficiência Vertebro Basilar (IVB): diminuição da irrigação sanguínea no território da artéria basilar;
  • Schwannoma Vestibular: tumor benigno que se origina da bainha de Schwann do oitavo par craniano;
  • VPBI (Vertigem Postural Benigna da Infância): ataques súbitos, de curta duração e fugazes de vertigem acompanhada ou não por náuseas, nistagmos, palidez, fotofobia, fonofobia e sinais comuns de enxaqueca.

Causas

Em alguns casos, a labirintite pode ser hereditária como, por exemplo, na migrânea vestibular. Mas as causas variam caso a caso.

Algumas condições podem ser responsáveis pela labirintite, como:

  • Trauma craniano
  • Infecção viral
  • Disfunção hormonal
  • Disfunção da tireoide
  • Osteoporose
  • Climatério
  • Diabetes
  • Enxaqueca
  • Doenças vasculares e ou cardíacas
  • Problemas na musculatura, articulação e vértebras do pescoço
  • Hipertensão arterial sistêmica
  • Transtorno de Estresse Pós Trauma (TEPT)
  • Alças vasculares que causem Conflito NeuroVascular
  • Pré-diabetes
  • Arritmia cardíaca

Fatores de risco

Os fatores de risco podem ser únicos ou isolados e incluem: estresse, nervosismo, jejum prolongado, consumo excessivo de açúcar, álcool, sono irregular, vícios posturais, oscilações hormonais, medicamentos, deficiência de vitaminas, abuso de café, climatério, privação de sono, tabagismo e idade avançada.

Sinais e sintomas de labirintite

Os sintomas de labirintite costumam ser mais intensos no início da crise e incluem:

  • Tontura
  • Vertigem
  • Instabilidade
  • Sensação de cabeça vazia
  • Escurecimento visual
  • Visão borrada
  • Náusea
  • Vômito
  • Sensação de ouvido tampado
  • Zumbido
  • Perda auditiva
  • Dor na cabeça e no pescoço
  • Movimentos anormal dos olhos
  • Desequilíbrio ao andar

No caso de labirintite emocional, pode ocorrer também estresse, tristeza, falta de apetite, dentre outros.

Labirintite tem cura?

Os sintomas graves da labirintite normalmente desaparecem em uma semana, mediante tratamento. A maioria dos pacientes melhora totalmente de dois a três meses.

Tratamento

Os tratamentos variam de acordo com a causa e podem incluir: dieta, correção do jejum, manobra de reposição canalicular, ajuste de medicamentos, restrições alimentares, reabilitação vestibular, fisioterapia, substituição sensorial, correção de deficiências vitamínicas, medicamentos e eventualmente, cirurgia.

É feito repouso em casa, em local escuro e sem barulho. A ingestão de líquidos é fundamental.

Complicações

Dentre as possíveis complicações, estão limitação para realizar atividades do rotineiras, mal-estar ligado aos movimentos de cabeça, tontura, medo de sair de casa, acidentes, perda auditiva, depressão e isolamento

Como prevenir

A prevenção está relacionada basicamente há evitar os fatores de risco em relação ao comportamento. Algumas ações podem ajudar:

  • Beber água regularmente
  • Evitar abusos alimentares
  • Fazer exercícios regularmente
  • Nunca tomar medicamentos sem receita médica
  • Ter boa higiene do sono
  • Evitar vícios posturais
  • Controlar adequadamente as comorbidades (quando o paciente apresenta correlação de pelo menos duas doenças)
  • Evitar os gatilhos de enxaqueca
  • Não fumar ou ingerir álcool

Fontes

Otorrinolaringologista Jeanne Oiticica, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) – CRM 96354/SP

Manual MSD para profissionais da saúde. Tontura e vertigem. Disponível em: www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-do-ouvido,-nariz-e-garganta/abordagem-ao-paciente-com-doen%C3%A7a-otol%C3%B3gica/tontura-e-vertigem