Íngua no pescoço, axila ou virilha: possíveis causas e tratamentos

27 de agosto de 2019

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POR Manuela Sampaio

Não é difícil encontrar quem já teve íngua no pescoço, na axila ou na virilha. Embora o “caroço” seja muito comum, costuma assustar pois pode ser sinal de diversas manifestações, desde as simples de resolver, como uma infecção viral, até as mais sérias, como o câncer.

Entenda a seguir o que pode causar as ínguas e como lidar com elas.

O que é íngua?

No corpo humano, existe um sistema circulatório “paralelo” ao sanguíneo, chamado de sistema linfático. Ele contém linfa – líquido claro que transporta nutrientes, células de defesa, entre outros elementos – e linfonodos – grupo de células que funciona como “filtro”, capturando micro-organismos invasores.

Íngua é o nome popular usado para descrever um linfonodo inchado, o que pode ocorrer por diferentes fatores.

Onde ela pode aparecer?

As ínguas podem surgir em qualquer lugar do corpo que apresenta linfonodos, mas geralmente são sentidas em algumas áreas específicas:

Íngua no pescoço

Os linfonodos cervicais drenam líquido da cabeça e do pescoço. Quando ficam inchados, geralmente são relatados como “caroço no pescoço” ou íngua atrás da orelha. Se aparecer na parte da frente, podem também ser referidos como íngua na garganta.

Íngua na virilha

São os linfonodos inguinais, que drenam pernas, pés, virilha e genitália.

Íngua na axila

Os linfonodos axilares drenam a linfa que circula pelas mãos e braços.

Linfadenopatia generalizada

O mais comum é que cada área de linfonodos fique inchada isoladamente. Todavia, quando há várias regiões edemaciadas, o quadro é chamado de linfadenopatia generalizada.

Causas

Entre as causas mais comuns para as ínguas estão:

  • Gripe
  • Resfriado
  • Sinusite
  • Infecção de garganta
  • Mononucleose
  • Infecção de pele (como celulite infecciosa)
  • Infecção dentária

Mais raramente, outras infecções, como DSTs e tuberculose, também podem causar gânglios inchados.

Câncer nos gânglios linfáticos

É também bastante incomum que as ínguas sejam sinais de câncer.

O câncer que começa nos linfonodos se chama linfoma, mas dificilmente as estruturas estarão inchadas, a depender da quantidade de células cancerígenas no local. A leucemia, tipo de câncer que se inicia na medula e altera a formação de células sanguíneas, também pode atingir os linfonodos e causar inchaço. Por fim, outros tipos de câncer podem causar metástase nos gânglios linfáticos, desencadeando a íngua.

Sinais e sintomas associados

Além do inchaço, pode haver dor ou pequeno desconforto à palpação das ínguas.

Além disso, sintomas associados ajudam a identificar a causa da alteração. Nariz escorrendo pode indicar uma gripe, por exemplo, enquanto tosse pode ser sinal de infecção de garganta. Outros sintomas, como febre persistente e suor noturno, alertam para quadros mais graves.

Quando se preocupar?

Homem com mão em íngua na axila.
Alice Day/Shutterstock

Em geral, as glândulas retornam ao seu tamanho normal em duas ou três semanas, ao passo que a doença causadora é sanada espontaneamente – no caso de condições inofensivas.

Caso o sintoma persista além desse período, é importante consultar um médico para uma investigação mais detalhada.

Diagnóstico

As ínguas podem ser diagnosticadas por meio de exame físico realizado pelo médico, além da conversa durante a consulta, mas alguns exames também ajudam a determinar a causa do inchaço.

Caso o sintoma persista, podem ser realizados exames de imagem que permitem observar a região onde os linfonodos estão alterados, como ultrassom, ressonância magnética e tomografia computadorizada.

Qual médico procurar?

Como as ínguas podem ter diferentes causas, o primeiro passo é procurar um clínico geral, que realizará uma avaliação para identificar o motivo do inchaço ganglionar.

Leve ao médico um histórico detalhado do seu quadro, incluindo quando começou e sintomas associados. Esses dados ajudarão no diagnóstico.

Caso a doença não seja de tão rápida resolução quanto uma gripe, por exemplo, outros especialistas podem entrar em cena para tratá-la. Por exemplo, um otorrinolaringologista pode auxiliar no manejo de sinusite e um oncologista atuará em quadro de câncer.

Tem cura?

O inchaço ganglionar tem cura e, salvo exceções, melhora em poucas semanas. Em casos de infecções mais graves, que não são rapidamente curadas, a íngua pode persistir até que o quadro seja resolvido.

Prognóstico

As ínguas geralmente são sintomas que tendem a ser sanados conforme as doenças de base são curadas. Elas podem persistir caso a condição que a desencadeou seja de difícil resolução, como é o caso de bacteremia, câncer e sepse.

Tratamento para íngua

Tratar ínguas envolve, principalmente, tratar a doença de base ou aguardar até que ela complete seu ciclo.

Enquanto isso, é recomendado fazer repouso, ingerir grandes quantidades de líquidos e usar medicamentos indicados pelo médico.

Fazer compressas úmidas com água quente na região também pode ajudar a reduzir o desconforto.

Prevenção

É possível evitar o aparecimento de íngua evitando infecções. Para isso, vale manter o sistema imunológico forte, com alimentação adequada, bons hábitos de saúde, sono de qualidade e prática de atividades físicas.

Além disso, é interessante evitar aglomerações, lavar sempre as mãos e fazer sexo com preservativo.

Referências

Mayo Clinic. Swollen Lymphnodes. Disponível em: www.mayoclinic.org/diseases-conditions/swollen-lymph-nodes/symptoms-causes/syc-20353902

Cleveland Clinic. Swollen Glands: why you get them and when to worry. Disponível em: health.clevelandclinic.org/swollen-glands-why-you-get-them-and-when-to-worry

National Health Service. Swollen Glands. Disponível em: www.nhsinform.scot/illnesses-and-conditions/glands/swollen-glands