Icterícia: o que é, tratamentos e causas do problema em adultos e recém-nascidos

Atualizado em 11 de abril de 2019

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Icterícia é uma doença que faz com que o paciente comece a apresentar a amarelidão da pele, na mucosa e na parte branca dos olhos. Sua manifestação por si só não é um problema, no entanto normalmente é consequência de doenças que afetam o organismo. Entenda:

O que é icterícia?

De acordo com o gastroenterologista Rodrigo Toledo, formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o amarelão acontece pelo excesso do pigmento bilirrubina, que se fixa na pele gradativamente de modo a comprometer sua coloração natural. “O acometimento é inofensivo, mas visto como um sinal importante para outros diagnósticos”, ressalta.

O que é bilirrubina?

Icterícia no corpo.
Crystal Eye Studio/Shutterstock

Bilirrubina é um pigmento amarelo produzido quando as hemácias, responsáveis por levar oxigênio às células, são deterioradas em um processo natural de reciclagem. Essa ação acontece em diferentes partes do corpo, como baço, medula óssea e fígado, sendo a última a mais comum.

Em seu estado normal, a substância amarelada vai até o fígado, onde se mistura com a bile, e é processada por meio das vias biliares, sendo utilizada posteriormente no processo da digestão e na urina.

Causas

O problema está relacionado a doenças que danificam o fígado, interferem na bile ou destroem demasiadamente as hemácias. Algumas delas são:

Tipos de icterícia

Existem quatro tipos de icterícia: a hemolítica, a hiperbilirrubinemia, hepatocelular e obstrutiva.

Cada uma delas é provocada pela falha em algum processo no organismo, mas todas são oriundas da bilirrubina alta e deixam a pele amarelada.

Hemolítica

Ocorre quando há anormalidade na produção das hemácias, comum em casos de transfusão de sangue que resultam na formação de anticorpos.

Hiperbilirrubinemia

Quando a enzima responsável pelo metabolismo da bile apresenta falhas. É mais comum em recém-nascidos.

Hepatocelular

Este caso de icterícia é decorrência de algum vírus, como nos casos de hepatite e cirrose.

Obstrutiva

Ocorre pela obstrução dos ductos biliares, possível consequência da presença de colangite e cânceres que impedem o fluxo da bilirrubina.

Icterícia em recém-nascidos: é perigoso?

Bebê com icterícia.
GOLFX/Shutterstock

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, 60% dos recém-nascidos e 80% dos prematuros apresentam sinais de icterícia. A hiperbilirrubinemia é o tipo mais comum nesses pacientes e é consequência da falha nas enzimas responsáveis pelo metabolismo da bílis.

Na maioria dos casos, a icterícia neonatal regride espontaneamente em poucos dias. Se o problema persistir, é necessário uma avaliação mais aprofundada para entender o porquê de sua origem.

Fatores e grupos de risco

Como conta Rodrigo Toledo, “pacientes com dependência alcoólica e problemas no fígado de origem hereditária” integram o grupo com risco de icterícia.

O uso de drogas, infecções e doenças no sangue também aumentam a chance de aparecimento.

Embora recém-nascidos também apresentem o amarelão, vale ressaltar que sua duração costuma ser curta. Caso os efeitos sejam prolongados, é preciso procurar um médico.

Sintomas associados

Como a icterícia já é caracterizada como sintoma de algumas doenças, não há manifestações muito diferentes do o amarelamento da pele e dos olhos.

Contudo, seu aparecimento pode estar associado a outras manifestações, o que pode facilitar o diagnóstico e ajudar o médico a trilhar um caminho certeiro para o tratamento. Alguns desses sintomas são:

  • Dor na região do abdômen
  • Fadiga
  • Sonolência
  • Agitação
  • Sangue nas fezes
  • Aparecimento de muitos hematomas na pele
  • Vômito com sangue
  • Febre
  • Perda de apetite

Diagnóstico

Em geral, a icterícia é identificada por exame clínico e de sangue.

Na consulta, o médico faz perguntas sobre os sintomas e o histórico de doenças (principalmente as hepáticas). O profissional ainda questiona a respeito de condições que aumentam o risco de hepatite — uma das causas mais comuns de icterícia — como uso de drogas, ausência de vacinação, hemodiálise ou sexo desprotegido.

Depois, o médico examina o paciente em busca de sintomas que sugerem condições graves e, dependendo das conclusões, pede exames.

Entre os testes mais frequentes de icterícia, estão os de sangue que avaliam o funcionamento hepático, presença de vírus e capacidade coagulação e os de imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada.

Complicações

Se não tratada, a doença que causa a icterícia pode se agravar e causar males ao paciente.

“Assim que se percebe a pele ficando amarelada e alguns sintomas comuns, como náuseas e febre, é preciso procurar um médico para realizar o diagnóstico e realizar um tratamento efetivo para a a doença primária”, diz o gastroenterologista Rodrigo Toledo.

Nos casos dos recém-nascidos, o problema deve receber atenção especial o quanto antes para não afetar o funcionamento de órgãos, como o fígado.

Tratamentos

O tratamento da icterícia depende do diagnóstico da doença que a originou.

Fototerapia

Bebê fazendo fototerapia.
Petr Bonek/Shutterstock

Em recém-nascidos, é usada a fototerapia para icterícia — procedimento com luzes claras dispostas diretamente na pele do bebê para diminuir a bilirrubina alta e controlar a amarelidão.

No procedimento, os bebês são expostos nus — apenas com tampão ocular — e tem sua posição alterada com frequência. Para determinar o sucesso do procedimento, são feitos exames de sangue com frequência.

Exsanguíneotransfusão

Caso o procedimento não tenha o efeito esperado, o que é relativamente raro, o pequeno pode ser submetido a uma transfusão em que pequenas quantidades de seu sangue são substituídas por sangue doado. Diferente da fototerapia, o problema tem alguns riscos, como doenças cardíacas e respiratórias.

Medicamentos

Em adultos, para diminuir a pele amarelada pode ser feito uso de remédios que agem diretamente no fígado, como os compostos por aminoácidos — a exemplo do Epocler.

Além disso, a causa adjacente da icterícia deve ser controlada, o que geralmente ocorre por medicamentos específicos e, em casos graves como câncer, cirurgia e quimioterapia.

Prevenção

Não há como prevenir amarelão em recém-nascidos. No entanto, adultos podem adotar medidas no dia a dia que ajudam a evitar seu aparecimento.

Entre os hábitos contra icterícia, estão cuidado com alimentação, controle da ingestão de bebidas alcoólicas, vacinação contra hepatite e consultas periódicas ao médico.