HPV: o que é, sintomas, transmissão, risco de câncer e mais

Atualizado em 21 de fevereiro de 2019

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HPV é um vírus que engloba mais de 200 variações e afeta a mucosa e a pele, principalmente da região genital e anal. Extremante frequente, o problema merece atenção pois pode surgir em formas mais complexas, se tornar sintomático ou, até mesmo, evoluir para câncer. Entenda:

O que é HPV?

vírus HPV

Kateryna Kon/Shutterstock

HPV (abreviação do termo em inglês “human papiloma vírus”) é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que pode gerar pequenas verrugas e lesões em quaisquer partes do corpo, sendo que as mais preocupantes ocorrem na região genital.

Embora seja relativamente raro, algumas destas manifestações podem evoluir para câncer na parte inferior do útero — chamada de colo do útero ou cérvix —, no ânus, no pênis, na vagina ou vulva e, no caso do HPV na boca, na parte posterior da garganta.

Tipos

Agora que você já sabe o que é HPV, é hora de entender suas mais de 200 variações. Dessas, 13 podem evoluir para tumores malignos, mais comumente no colo do útero, mas também há registro de câncer no pênis, câncer reto-anal e até mesmo câncer de orofaringe.

Os tipos mais comuns nos casos de câncer de cérvix são os 16 e 18, que se encontram em mais de 70% dos casos registrados de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Além deste, os HPVs 6 e 11 estão presentes em mais de 90% dos que apresentam pequenas verrugas, tanto genitais quando bucais, e são considerados não oncogênicos, ou seja: não evoluem para quadros cancerígenos, mas necessitam tratamento.

Causas: como se pega HPV?

É transmitido por contato direto com a região infectada. As principais formas de contágio são por meio de relações sexuais sem uso de preservativos. Assim, os contatos de genital com genital, genital com anal, oral com genital e até mesmo das mãos com a região íntima infectada podem desencadear a transmissão do vírus.

É importante enfatizar que o contágio não ocorre apenas com a penetração, mas também com outras formas de relações sexuais. Apesar das lendas populares, não há a comprovação da transmissão do HPV por contato indireto com objetos contaminados, de água da piscina e até vasos sanitários.

Transmissão vertical

A chamada transmissão vertical consiste na passagem do vírus da mãe para o bebê na hora do parto. Embora rara, é uma situação bastante particular e requer atenção especial, uma vez que o desenvolvimento do HPV nas vias aéreas do bebê pode resultar em problemas graves de respiração, os quais podem levar a óbito se não forem tratados de forma rápida e eficaz.

Como a infecção também pode se dar enquanto o feto ainda está no útero, uma cesariana não elimina a chance de contágio e não é recomendada enquanto fator exclusivo.

O ideal é tratar o vírus HPV de acordo com a recomendação médica. Atualmente, existe uma série de tratamentos não invasivos, recomendados inclusive pela vertente da ginecologia natural ou slow medicine (movimentos que visam usar o mínimo de medicação possível).

Grupos de risco

Estimativas mundiais apontam que aproximadamente 50% dos homens com vida sexual ativa possuem algum tipo de HPV. Mesmo que a maioria dos casos desemboquem na eliminação do vírus pelo sistema imunológico, o número é preocupante por demostrar a falta de sexo seguro no Brasil.

Entre a população feminina, estima-se que até 80% de todas as mulheres poderão ter HPV ao longo de suas vidas, mesmo que a variação atual seja de 25% a 50% da população mundial, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer.

Os grupos de risco que estão mais suscetíveis à infecção são pessoas que têm muitos parceiros sexuais (ou alguém que se relacione com uma pessoa que já teve muitos parceiros sexuais), jovens de 15 a 25 anos, pessoas com o sistema imunológico frágil e que tenham contato direto com as lesões e verrugas causadas pelo vírus.

Sintomas de HPV

verrugas genitais

Kateryna Kon/Shutterstock

Alguns tipos de HPV costumam regredir espontaneamente antes de serem sintomáticos, ou seja, não apresentam qualquer tipo de sintomas ao longo de sua manifestação e tendem a desaparecer por influencia do sistema imunológico.

Contudo, quando as verrugas se manifestam elas variam de acordo com o aspecto:

Verrugas genitais: parecem lesões planas e inchadas semelhantes a couve-flor ou a caules. Surgem principalmente na vulva, no ânus, no colo do útero, na vagina, nos testículos ou no pênis. Geralmente, não causam dor, apenas coçam.

Verrugas comuns: são semelhantes a inchaços ásperos e geralmente ocorrem nas mãos, dedos ou cotovelos. Em alguns casos são dolorosas ou suscetíveis a ferimentos ou sangramento.

Verrugas plantares: são protuberâncias duras e granulosas que aparecem nos calcanhares ou nas pontas dos pés. Popularmente, são chamadas de olho de peixe.

Verrugas planas: consistem em lesões lisas, pouco elevadas e escuras. Podem surgir em qualquer parte do corpo, mas são mais comuns no rosto e pernas.

HPV que não se manifesta

Estudos mostram que, normalmente, apenas 5% das infecções por HPV têm algum tipo de manifestação. O mais comum é que o vírus não se manifeste e seja detectado pelo exame preventivo papanicolau antes de se tornar preocupante.

Diagnóstico

A descoberta do HPV ocorre de acordo com cada caso. O diagnóstico pelas verrugas visíveis é possível de ser feito pela investigação clínica, já a confirmação da doença ocorre por exames laboratoriais.

Contudo, a suspeita geralmente ocorre pelo papanicolau. Seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), mulheres devem fazer este exame preventivo a cada três anos, após dois testes com espaçamento de um ano sem alterações.

Caso sejam identificadas células anormais, a paciente será encaminhada para um exame que permite maior detalhamento, como a colposcopia com biópsia, para determinar a cepa encontrada e o grau de infestação do vírus.

No caso do HPV no homem, a colposcopia também é a melhor forma de diagnosticar a condição.

Qual médico procurar?

Homens devem procurar urologistas ou proctologistas que poderão esclarecer dúvidas sobre o que é HPV e solicitar exames adequados para a determinação de um diagnóstico mais preciso.

No caso das mulheres, o ideal é se consultar com um ginecologista regularmente, independente da suspeita da doença.

Complicações

O HPV é um vírus que normalmente tende a regredir de forma natural e espontânea, de modo a não acarretar complicações.

Entretanto, alguns casos podem evoluir para doenças sérias, como lesões respiratórias e alguns tipos de câncer, como reto-anal, de colo de útero e de pênis.

O ideal é realizar tratamento adequado, indicado por médicos especialistas, para a não evolução da doença.

HPV tem cura?

Infelizmente, há a circulação errônea por parte de muitos veículos de que o HPV não tem cura. De acordo com a ginecologista Andréa Rebello, especialista em parto humanizado e a ginecologia natural, este é um pensamento antigo que deve ser combatido. “O HPV tem cura e o índice de erradicação do vírus é alto”, destaca.

Em mulheres de até 30 anos, por exemplo, a porcentagem de cura é de 80%  em até dois anos de tratamento. Para isso, se trabalha com melhora da imunidade, tratamento específico para o tipo de lesão, se apresentada, e acompanhamento com colposcopia”, explica a médica.

Tratamento

tratamento para HPV

ESB Professional/Shutterstock

Apesar de não haver um tratamento específico para erradicar o vírus, é possível eliminar as verrugas por intervenções clínicas ou medicamentos e cremes.

Andréa explica que a imunidade é o ponto mais importante para a cura e erradicação do vírus, pois o próprio corpo deve se fortalecer para eliminá-lo. Geralmente, isso é feito com alimentação e mudanças de hábitos.

Em casos avançados, a realização da cirurgia se faz necessária para erradicação do vírus e não evolução para o câncer.

Medicamentos

Os medicamentos indicados para o tratamento das manifestações de HPV variam de acordo com a orientação médica e com os tipos e estágios específicos.

A maioria dos tratamentos é realizado com medicamentos tópicos antitumorais, que matam as células cancerosas na pele, como ácido salicílico, imiquimod, podofilox e ácido tricloroacético.

Cremes

O médico poderá orientar o paciente a aplicar medicamentos em forma de cremes ou pomadas para eliminar os pontos de lesão e verrugas.

Cauterização

O processo de cauterização é cada vez menos indicado pela comunidade médica. Atualmente, já é possível observar que ele altera a consistência da mucosa, causa muita dor e pode não ser efetivo.

Neste caso, o ideal é conversar com o médico sobre outra opção que seja adequada.

Parceiro também deve se tratar?

O parceiro sexual de quem tem HPV precisa buscar orientações médicas sobre a conduta a ser adotada e usar preservativo até que o vírus seja erradicado, mesmo em casais fixos.

Apesar de não ser necessário um tratamento imediato, é importante ficar atento para possíveis sintomas.

Prevenção

Preservativo

O uso de preservativo é importante nas relações sexuais, não só por conta do HPV, mas para evitar outras ISTs e gestações não desejadas.

Embora preservativos reduzam a incidência de HPV genital, deve-se atentar às regiões não cobertas pelo preservativo, que se estiverem contaminadas podem transmitir o vírus.

Vacina de HPV

vacina de HPV

BlurryMe/Shutterstock

O Ministério da Saúde adota uma vacina que previne contra dois tipos de HPV de baixo risco e dois de alto risco. Na rede pública, a imunização é recomendada para jovens de 9 a 15 anos e visa evitar o vírus e fortalecer o sistema imunológico. Já na rede privada, está disponível para homens e mulheres de quaisquer idades.

É importante lembrar que a vacina é uma forma preventiva e não um tratamento, ou seja, não descarta auxílio médico para quem adquiriu o vírus.

Fontes

Instituto Nacional de Câncer (Inca)

Organização Mundial da Saúde (OMS)

Ginecologista Andréa Rebello – CRM 137.611

Mayo Clinic