HPV na boca: sintomas, tratamentos, contágio, prevenção e mais

13 de setembro de 2018

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POR Ligia Lotério

Existe uma centena de tipos do vírus do papiloma humano (HPV), sendo que mais de 40 deles afetam a área genital e bucal. Tratando do último caso, o HPV na boca — uma das formas mais comuns da doença — ocorre pela relação íntima oral com uma pessoa infectada e pode gerar complicações, entre elas o câncer de garganta e de boca.

Saiba mais sobre HPV oral e como se proteger:

Causas

Esse tipo de HPV ocorre quando o vírus afeta a cavidade bucal, geralmente por meio de sexo oral desprotegido em que a pessoa ativa apresenta algum corte ou ferida na boca, como as provenientes de aftas e gengivite.

Pega com beijo na boca?

Algumas evidências mostram que o beijo pode transmitir o vírus, mas ainda são necessárias mais pesquisas para validar a relação.

Fatores de risco

Os fatores de risco para o HPV na boca incluem:

Sexo oral: a atividade sexual oral pode ser um risco, especialmente para homens que fumam.

Múltiplos parceiros: quem mantém ou teve diversos parceiros sexuais tem maior risco de desenvolver o problema.

Tabagismo: fumantes têm mais chance de contrair HPV bucal, visto que a fumaça aumenta a incidência de lesões na mucosa.

Bebidas alcoólicas: quem ingere álcool também apresenta maior risco de ter esse acometimento.

Homens: o sexo masculino tem risco maior de HPV na boca do que o feminino, de acordo com um artigo do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.

Idade: adultos mais velhos costumam ser mais diagnosticados com HPV na boca, visto que ele pode levar anos para se manifestar.

Sintomas de HPV na boca

 

Verruga de HPV na boca.

pongwit sanongboon/Shutterstock

A maior parte das pessoas sexualmente ativas contrairá o vírus do HPV ao longo de suas vidas.

Diferente do culto popular, o contágio não ocorre por falta de proteção nas relações sexuais, já que o uso de preservativo não barra totalmente a transmissão, embora reduza o risco.

Assim, como o sexo oral é comumente feito sem a proteção adequada, o HPV na garganta é relativamente frequente na população.

Geralmente não apresenta sintomas, o que facilita a transmissão, visto que os portadores do vírus não percebem que estão infectados e , consequentemente, não tomam medidas necessárias para limitar a disseminação da doença.

Embora a maior parte dos casos seja assintomática, é possível desenvolver verrugas ou na garganta — que, em alguns casos, podem se transformar em câncer de boca e de orofaringe (que afeta as paredes da língua, as amígdalas e a faringe).

Geralmente, as verrugas na boca são brancas ou avermelhadas.

Sintomas de câncer por HPV

Os principais sintomas de câncer de orofaringe incluem:

  • Dor de ouvido
  • Dificuldade em engolir
  • Tosse com sangue
  • Perda de peso não intencional
  • Gânglios linfáticos aumentados
  • Garganta inflamada
  • Caroços no pescoço ou bochechas
  • Rouquidão

Já os sintomas de câncer de boca abrangem:

  • Feridas que não cicatrizam em até 15 dias
  • Manchas, verrugas ou placas vermelhas ou brancas na mucosa
  • Rouquidão
  • Sensação de que já um objeto preso na garganta

Diagnóstico

O HPV na boca geralmente é diagnosticado após o surgimento de lesões na mucosa ou outros sinais, como rouquidão.

O diagnóstico consiste em análise clínica e biópsia das lesões.

Qual médico procurar?

Busque um dentista ou infectologista.

Complicações

O maior risco é quanto à evolução para câncer de boca ou de orofaringe, o qual é mais comum em casos de HPV 16, 18, 31, 33, 35 e 55.

Tratamento

 

Consulta com dentista.

zlikovec/Shutterstock

Como HPV na boca tem cura pelo combate ao vírus realizado pelo próprio sistema imunológico, a maioria dos casos regride espontaneamente antes que sejam notados pelo paciente. Aqueles que persistem se manifestam por verrugas orais que podem ser tratadas das seguintes maneiras:

  • Remoção por meio de cirurgia
  • Crioterapia: verruga é congelada e cai
  • Injeções de interferon Alfa-2b: remédio antiviral e antineoplásico

Prognóstico

Caso o HPV na boca seja descoberto e as lesões não sejam cancerígenas, o médico pode indicar medicamentos e cuidados redobrados com a alimentação para fortalecer o sistema imune e promover a remissão espontânea do vírus.

Já se as verrugas na boca forem malignas, o tratamento dependerá de seu estágio e localização, podendo incluir quimioterapia, radioterapia e cirurgia.

Prevenção

Algumas mudanças simples no estilo de vida podem evitar a incidência de HPV na boca:

Use preservativos, inclusive no sexo oral: mesmo que eles não evitem 100% a contaminação, são capazes de reduzi-la.

Converse: incentive seus parceiros sexuais a realizar exames de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Faça testes: realize exames para ISTs anualmente.

Vá ao dentista: em suas consultas ao odontologista, questione-o sobre a presença de anormalidades na boca, como verrugas orais.

Autoexame: uma vez ao mês, examine sua boca em frente ao espelho na procura por alterações. Caso encontre-as, busque um médico.

Vacine-se: a melhor maneira de evitar o problema é por meio da vacina contra HPV, que está disponível na rede pública e particular de saúde.

 

Fontes

Dahlstrom, KR, et al. American Association for Cancer Research. Sexual transmission of oral human papillomavirus infection among men. Ano: 2014.

Centers for Disease Control and Prevention. Human papillomavirus infection. Ano: 2017

Cleveland Clinic. Oral human papilloma virus (HPV) infection. Ano: 2012.