Hipotireoidismo: sintomas, causas, tratamentos e mais

29 de agosto de 2018

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POR Mariana Amorim

Hipotireoidismo, também chamado de hipotiroidismo, é uma das disfunções mais comuns que acometem a tireoide, glândula localizada no pescoço que é responsável pela produção de hormônios que influenciam o funcionamento do corpo todo. A importância dessa estrutura é tamanha que sua alteração tem impacto direto no metabolismo, no cérebro, no coração e em outros órgãos vitais.

A seguir, veja como detectar e tratar a doença:

O que é hipotireoidismo?

o que é hipotireoidismo

Magic mine/Shutterstock

O hipotireoidismo é classificado como a baixa produção de hormônios pela glândula tireoide, como o T3 (tri-iodotironina) e o T4 (tiroxina).

Mais comum em mulheres, essa deficiência acaba por deixar o funcionamento do organismo mais lento, causando consequências como cansaço e depressão.

Hipotireoidismo e hipertireoidismo: diferenças

Diferente do hipo, no caso do hipertireoidismo a tireoide passa a produzir excessivamente os hormônios tireoidianos. Se não tratado, pode levar a problemas como insuficiência cardíaca congestiva e osteoporose.

Hipotireoidismo congênito

Acontece quando o hipotireoidismo acomete recém-nascidos. A condição pode começar, inclusive, ainda na gravidez por meio de uma mal formação no desenvolvimento da tireoide do feto.

A doença pode ser diagnosticada com o “teste do pezinho”, que deve ser feito entre o terceiro e o sexto dias de vida do recém-nascido. Esse exame é de suma importância, já que alguns bebês não apresentam quaisquer sintomas de hipotireoidismo depois do nascimento, o que pode acarretar em complicações futuras, como retardo mental.

Se o tratamento for iniciado imediatamente, a criança passa a ter uma vida normal.

Causas

Na maioria das vezes, o hipotireoidismo é causado por uma inflamação chamada tireoidite de Hashimoto, uma disfunção em que o sistema imunológico ataca as células da própria glândula.

O estresse também é um fator que pode causar lesões na tireoide e, com o passar dos anos, comprometer seu funcionamento.

Além disso, doenças como depressão também podem afetar a produção de hormônios tireoidianos.

Fatores de risco

Há alguns fatores que aumentam o risco de desenvolvimento do hipotireoidismo:

  • Ser mulher
  • Estar grávida ou no período pós-parto (até seis meses)
  • Já ter iniciado a menopausa
  • Ter 50 anos ou mais
  • Ter histórico familiar de hipotireoidismo
  • Ter doença auto-imune, caso da síndrome de Hashimoto
  • Ter feito tratamento com iodo radioativo
  • Ter recebido algum tipo de radiação no pescoço ou na parte superior do tronco
  • Ter se submetido a alguma cirurgia de tireoide

Sintomas de hipotireoidismo

sintomas hipotireoidismo

Emily frost/Shutterstock

A doença está sempre relacionada a um organismo com funcionamento mais lento do que o normal, por isso são comuns sintomas de hipotireoidismo como:

  • Fadiga
  • Depressão
  • Batimentos cardíacos desacelerados
  • Intestino preso
  • Menstruação irregular
  • Falhas de memória
  • Pele seca
  • Queda de cabelo e unhas
  • Ganho de peso
  • Baixa libido
  • Colesterol alto

Alguns desses sinais podem não se manifestar ou passarem despercebidos, por isso é importante manter os exames hormonais em dia.

Engorda ou emagrece?

A relação da tireoide com o ganho de peso é complexa, pois há, de fato, uma certa influência da glândula no metabolismo basal (que garante o funcionamento do organismo, mesmo em repouso). No entanto, nem todo mundo com hipotireoidismo terá problemas com o peso.

Isso porque há pessoas que têm uma versão grave da condição, mas não apresentam mudança de peso e há quem tenha um grau mais leve e acabe ganhando mais peso.

Isso significa que outros fatores, não apenas o funcionamento da tireoide, podem influenciar no ganho ou na perda de quilos.

O que de fato ocorre é o acúmulo de proteína nos tecidos e inchaço. Portanto, não há ganho de gordura corporal, mas excesso de líquido. Concomitantemente, pode haver dificuldade em perder peso, já que o corpo passa a gastar menos energia no dia a dia e, por isso, muitas pessoas fazem grandes esforços para emagrecer, mas acabam não vendo resultado.

A disfunção tiroidiana por si só não leva ao ganho de peso, mas facilita que isso aconteça em pessoas que têm um estilo de vida menos favorável ao controle do peso.

A situação só muda após a regulação dos hormônios da tireoide.

Diagnóstico

O diagnóstico de qualquer disfunção da tireoide é feito com um simples exame de sangue para dosar níveis de TSH (hormônio estimulante da tireoide). Mas o médico pode pedir outros testes, como dosagem de T4 livre e do T3 total e/ou livre.

Ainda no exame de sangue, anticorpos que detectam doenças tireoidianas auto-imunes podem ser detectados.

Ultrassonografia e/ou punção, para identificar possíveis nódulos e sua natureza (benigno ou maligno).

E, no caso de bebês, o teste do pezinho, que deve ser feito entre entre o terceiro e sexto dia de vida.

Qual profissional devo procurar?

O médico endocrinologista é o especialista mais adequado para diagnosticar e tratar o hipotireoidismo.

Tem cura?

Não há cura, mas o tratamento permite que o paciente tenha uma vida normal, sem os sintomas de hipotireoidismo.

Contudo, a doença pode sofrer pioras, daí a importância em manter constante monitoramento da glândula junto com um médico, que irá avaliar possíveis mudanças no tratamento.

Tratamento para hipotireoidismo

tratamento para hipotireoidismo

Shidlovski/Shutterstock

Remédios

O tratamento para hipotireoidismo é sempre feito com auxílio de hormônios sintéticos, geralmente a levotiroxina — cujo nome comercial mais comum é Euthyrox 137 —, os quais são ingeridos diariamente por via oral. Os efeitos positivos são notados a partir de duas semanas após o início do tratamento e deixam o paciente gradativamente menos cansado e com níveis de colesterol mais adequados.

É importante manter acompanhamento médico, visto que as doses da medicação podem mudar ao longo da vida.

Medicina alternativa

Embora a maioria dos médicos recomende tiroxina sintética, há quem faça uso de extratos naturais contendo hormônio tireoidiano derivado das glândulas de porcos.

Embora seja regulamentado pela Food and Drug Administration, sua eficácia não é garantida.

Prognóstico

Uma vez iniciado o tratamento, os sintomas de hipotireoidismo devem começar a dar trégua e a qualidade de vida do paciente volta ao normal.

Além da medicação, é importante manter um estilo de vida saudável, como se alimentar adequadamente e praticar exercícios, para ajudar no bom funcionamento do organismo e, consequentemente, manter a tireoide mais regulada.

Complicações

A tireoide não controlada acarreta consequências para o organismo todo. Por isso, quando o tratamento não é seguido, há desordens neurológicas, gastrointestinais, metabólicas e renais, além de consequências como anemia, bócio, infertilidade, depressão, coronariopatia, disfunções respiratórias, glaucoma, hipertensão arterial e insuficiência cardíaca.

No caso de recém-nascidos, pode acarretar em retardo mental, surdez e deficiência de crescimento.

Prevenção

A medicina ainda não descobriu exatamente a causa do hipotireoidismo ou das doenças autoimunes relacionadas a ele. No entanto, há a hipótese de que o estilo de vida da pessoa, como excesso de estresse, possa causar lesões na glândula e posteriormente, complicações.

Deste modo, vale apostar em uma rotina saudável, reduzir o nervosismo e realizar exames de rotina periodicamente.

Fonte

Ministério da Saúde. Hipotireoidismo. Disponível em: bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2197-hipotireoidismo

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. 10 Coisas que Você Precisa Saber sobre Hipotireoidismo. Disponível em: www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-hipotireoidismo