Hidratação: beber água demais faz mal à saúde?

01 de agosto de 2017 ● POR Redação

Que a hidratação é de extrema importância você seguramente já sabe. Quem corre se depara com com uma série de recomendações para beber bastante água, sobretudo durante e após a prática de exercícios físicos. Mas o que acontece se colocarmos no nosso corpo mais líquido do que necessitamos? Beber água demais faz mal?

Por que bebemos 2,5 litros de água?

A disseminação da ideia de que beber muita água por dia é necessário começou em 1945, quando o National Research Council, instituto norte-americano de pesquisas científicas, publicou um artigo aconselhando que um adulto deve ingerir oito copos do líquido por dia, algo em torno de 2,5 litros.

O instituto, no entanto, não levava em consideração que o organismo também aproveita outras fontes de água. A melancia, o alface e o tomate, por exemplo, contam com mais de 90% de água em suas composições.

Em 2002, o pesquisador Heinz Valtin decidiu revisar a literatura sobre o assunto na revista American Physiological Society com o artigo “Beba menos de oito copos de água por dia”.

Faz mal?

Uma de suas conclusões é que não existia documentação científica que apoiasse a recomendação para beber em média 2,5 litros de água por dia. Além disso, beber água demais, principalmente em um curto espaço de tempo, pode provocar a hiponatremia, uma diminuição na concentração de sódio na corrente sanguínea.

Cada litro de suor eliminado durante a prática de atividade física faz com que o corpo perca aproximadamente um grama de sódio. Beber grandes quantidades de água pode diluir o sódio presente na corrente sanguínea e levar a um quadro de hiponatremia.

Em entrevista ao jornal espanhol El País, Lluís Serra-Majem, membro do Centro de Investigação Biomédica em Rede e diretor de Estudos Avançados em Hidratação da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, diz que “não é certo que consumir mais água do que o recomendado ajude a emagrecer ou melhore a saúde”.

Segundo ele, tudo depende de um fator simples: a sede. Respeitar o que o corpo perde é um bom caminho. “Tudo depende da sede. O ser humano sobreviveu dos primórdios até o século XXI bebendo apenas por necessidade. Agora bebemos porque temos mais acesso à informação e pensamos em um determinado número de copos de água por dia”, completou.