Herpes: tipo 1 afeta quase 4 bilhões em todo o mundo

30 de outubro de 2017

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POR Gabriela Simionato

Você sabia que quase 4 bilhões de pessoas abaixo dos 50 anos têm o vírus da herpes tipo 1 em todo o mundo? Os números são do último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o assunto, divulgado em 2015. Ainda segundo a entidade, 417 milhões de pessoas entre 15 e 49 anos têm o vírus do tipo 2 da herpes.

Você provavelmente conhece os dois tipos da doença por herpes labial e herpes genital, respectivamente. Enquanto o primeiro tipo da doença é transmitido por via oral, o segundo é considerado uma infecção sexualmente transmissível (IST). Há, ainda, um terceiro tipo, cujo nome popular é herpes zóster, que geralmente afeta pessoas mais velhas.

Abaixo, você vai conhecer um pouco sobre os diferentes tipos de herpes, seus principais sintomas, formas de transmissão e características mais importantes.

O que é herpes?

A herpes não é uma doença desconhecida da maioria da população mundial. Primeiro porque ela pode se manifestar de diversas formas, segundo porque a incidência dela é altíssima, principalmente quando falamos do tipo 1.

Apesar de ser uma infecção sem cura e sem vacina, a herpes pode ser prevenida por meio de cuidados de higiene e uma imunidade fortalecida. Ela pode atacar homens e mulheres, em qualquer idade, mas o tipo mais comum após a adolescência é a herpes genital. “Ambos podem apresentar dores e irritação que surgem de dois a dez dias após o contágio, manchas avermelhadas, pequenas bolhas com conteúdo líquido claro que se rompem e formam úlceras na região dos genitais, que também podem sangrar”, explica Carolina Lázari, assessora médica para Análises Clínicas em Infectologia do Fleury Medicina e Saúde.

“Enquanto na mulher os grandes e pequenos lábios e a entrada da vagina são os locais mais comuns das lesões, nos homens o vírus da herpes genial costuma aparecer na glande e prepúcio. Contudo, podem surgir em qualquer local que tenha contato com a pessoa infectada: parte externa da vulva, interior da vagina, pele do dorso do pênis, escroto e região perianal.  A dor no local afetado costuma ser bastante intensa e piora ao urinar ou durante a relação sexual”, conclui a especialista.

Os tipos de herpes

Regia Damous, infectologista do Hospital e Maternidade São Luiz, explica que existem dois tipos principais de herpes. “A herpes tipo 1 é o famoso herpes labial, caracterizado por vermelhidão, ardor e pequenas bolhas com líquido claro na região dos lábios ou na parte interna da boca. Já a herpes tipo 2 é o principal responsável pelo quadro de herpes genital — embora o tipo 1 também possa desenvolver para a doença que afeta as genitálias masculina e feminina. As características mais comuns são vermelhidão, ardor e pequenas bolhas com líquido claro na região da vulva, pênis ou ânus, ou ainda nas nádegas e na virilha. Vale ressaltar que a presença de lesões aumenta o risco de contágio por outras doenças e infecções sexualmente transmissíveis”, alerta.

O tratamento deve ser feito com a ajuda de um ginecologista (ou urologista, no caso de homens) e de um infectologista. No caso de infecção genital, especialistas alertam que o cuidado deve ser redobrado. “Lembrando que, em todos os casos de doenças sexualmente transmissíveis, é sempre aconselhável tratar o diagnosticado e também o seu parceiro ou parceira”, alerta Clícia Quadros, ginecologista e especialista em saúde da mulher.

O tratamento antiviral é prontamente indicado para acelerar a cicatrização e reduzir a dor, mas a herpes pode permanecer. “Há cura para as lesões, mas o vírus permanece nos neurônios, sendo que as lesões podem aparecer de novo no mesmo lugar.”, explica Regia Damous.

O vírus tem a capacidade de permanecer no organismo, mesmo sem sintomas aparentes. Por isso, a transmissão do tipo 1, principalmente, é tão comum e atinge tantas pessoas. Mas nem sempre é assim. “Pessoas com imunidade prejudicada podem apresentar lesões persistentes, extensas e profundas, de difícil cicatrização, que só melhoram com o uso de medicamento antiviral”, alerta Carolina Lázari. Ela completa: “Gestantes que têm parto normal na presença de lesões vulvovaginais podem transmitir o vírus para seus recém-nascidos, que podem apresentar doença generalizada e grave”.

Herpes zóster

A herpes zóster é também chamada de herpes do tipo 3. Ela é provocada pelo mesmo vírus da varicela, ou catapora, que permanece no organismo mesmo após o desaparecimento dos sintomas. Ele geralmente só volta a se manifestar após muitos anos, por isso a herpes zóster é uma doença mais comum na terceira idade.

O tipo 3 da herpes é caracterizado por dor e pela presença de lesões na pele que podem durar por semanas e até meses. Estima-se que 90% da população já tenha tido catapora e está suscetível ao surgimento da herpes zóster.

Como se prevenir

Para cada tipo de herpes, existem métodos de prevenção diferentes. Para a herpes labial, é recomendado que se evite o contato íntimo, como beijo, e o compartilhamento de itens como talheres, toalhas e copos com pessoas que apresentem lesões na região dos lábios.

Para quem já tem o tipo 1 da doença e está com lesões aparentes, é importante evitar exposição intensa ao sol. Para se proteger e evitar complicações, o uso de filtros solares é fundamental.

Já para a herpes genital, os meios de prevenção são os mesmos que para outras infecções sexualmente transmissíveis: uso de preservativos e tratamento.

Por fim, a melhor forma de prevenção contra herpes zóster é a vacina, que está disponível para frear a manifestação do vírus da varicela mesmo em quem já teve catapora.