Hepatite B: sintomas, tratamento, cura, vacina e mais sobre a doença

31 de julho de 2018

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POR Bruno Botelho dos Santos

Hepatite B é uma doença contagiosa que geralmente é transmitida pelo sangue, seja por meio do compartilhamento de seringas não esterilizadas ou por relações sexuais sem o uso de preservativos.

A seguir, saiba tudo sobre as causas, sintomas, tratamento e prevenção de hepatite B:

Como se pega hepatite B?

 

vírus hepatite B

Kateryna Kon/Shutterstock

A transmissão da hepatite B ocorre por meio do contato com sangue ou secreções corporais — como sêmen e muco vaginal — contaminadas pelo vírus HBV.

Algumas formas de transmissão são:

  • Contato íntimo sexual e sem proteção com uma pessoa infectada
  • Contato com material perfurante contaminado
  • Compartilhamento de seringas com sangue contaminado
  • De mãe portadora do vírus para o filho por meio da gestação

Outros fluidos corporais, como lágrimas, suor, urina, fezes e leite materno, não são capazes de transmitir a doença.

Saliva pode passar hepatite B?

A saliva de uma pessoa contaminada pode transmitir a doença desde que tenha contato com cortes e fissuras, como as provenientes de aftas e gengivite, que permitam a entrada do vírus.

Fatores de risco

O risco de infecção por hepatite B é maior em pessoas que:

  • Têm múltiplos parceiros sexuais
  • Têm parceiro infectado com HBV
  • Filhos de mães contaminadas com o vírus da hepatite B
  • Toxicômanos (que fazem uso habitual de entorpecentes, principalmente os que envolvem drogas por injeções e compartilhamento de seringas)
  • Pessoas submetidas a atos médicos invasivos
  • Quem fez tatuagens e piercings sem as devidas precauções de higiene
  • Turistas em regiões com endemia de hepatite B, como Asia, Ilhas do Pacífico, África e Europa Oriental
  • Profissionais da saúde

Sinais e sintomas de hepatite B

 

sintomas hepatite B

g-stockstudio/Shutterstock

Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos de hepatite B não apresenta sintomas, mas os demais podem se manifestar de maneira semelhante à hepatite A, apenas se diferenciando na intensidade e gravidade.

Os sintomas da hepatite B mais frequentes são:

  • Cansaço
  • Tontura
  • Enjoo e/ou vômitos
  • Febre
  • Diarreia
  • Dores abdominais
  • Cor da urina alterada
  • Cor amarelada na pele e nos olhos (icterícia)
  • Fezes claras

Os sinais costumam aparecer no período de um a seis meses após a infecção. Como as hepatites virais podem ser doenças silenciosas, é fundamental consultar um médico regularmente e fazer exames para avaliar se está com Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Aguda ou crônica?

A hepatite B pode se desenvolver de duas formas:

  • Aguda: ocorre quando a doença tem curta duração;
  • Crônica: caracterizada pela permanência da doença por mais de seis meses.

O risco de a condição se tornar crônica depende da idade em que ocorre. Crianças são as mais afetadas, sendo que nas com menos de um ano a chance de cronicidade chega de 90%; já nas com um a cinco anos, varia entre 20% e 50%; em adultos, o índice cai para 5% a 10%.

Diagnóstico

O diagnóstico da hepatite por vírus B inclui confirmação laboratorial — com base em exames físicos e de sangue —, visto que somente com os sintomas clínicos não é possível identificar o agente etiológico da infecção.

Em alguns casos, também pode ser necessária a realização de biópsia do fígado.

Qual profissional devo procurar?

Para fazer o acompanhamento e tratamento da doença, é recomendado buscar um hepatologista, gastroenterologista ou infectologista. Eles saberão fornecer orientações adequadas sobre o problema.

Hepatite B tem cura?

Felizmente, o acometimento pode ser curado por meio de tratamento adequado, o qual é eficiente em cerca de 50% dos casos. Na outra metade, acaba se tornando crônico, principalmente se o diagnóstico for tardio.

Complicações

Ter infecção crônica por HBV pode levar a complicações sérias, como:

Cirrose

A inflamação associada à infecção por hepatite B pode levar à extensa cicatrização do fígado, denominada cirrose, que pode prejudicar a capacidade de funcionamento.

Câncer de fígado

Pessoas com infecção crônica por hepatite B têm um risco aumentado de câncer de fígado.

Insuficiência hepática

A insuficiência hepática aguda é uma condição na qual as funções vitais do fígado são interrompidas. Quando isso ocorre, é necessário um transplante do órgão para manter o paciente vivo.

A hepatite B crônica ainda pode evoluir para insuficiência hepática crônica, gerando icterícia, distúrbios de comportamento, aumento do baço e acúmulo de líquido na cavidade abdominal.

Tratamento da hepatite B

Após a exposição

Quem foi exposto ao vírus da hepatite B e não sabe ao certo se foi vacinado deve buscar um médico imediatamente para receber uma injeção de anticorpos que pode evitar a doença, desde que seja administrada dentro de 12 horas após a exposição.

Aguda

Se for determinado o diagnóstico de hepatite B aguda pode não ser necessário tratamento, visto que ela costuma durar pouco e desaparecer espontaneamente. Contudo, ainda assim é indicado repouso, nutrição adequada e muita ingestão de líquidos.

Já em casos graves, podem ser administrados medicamentos antivirais em regime de internação hospitalar.

Crônica

A infecção crônica por hepatite B precisa de tratamento contínuo para o resto da vida, o qual é extremamente necessário para reduzir o risco de doença hepática e transmissão para outras pessoas.

Este cuidado inclui: medicamentos antivirais orais, como entecavir, tenofovir, lamivudina e adefovir; injeções de interferon; e transplante de fígado.

Prevenção

 

Vacina para hepatite B

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Vacina de hepatite B

A melhor forma de prevenção é por meio da vacina contra a hepatite B. Ela está disponível gratuitamente nos posto de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações, bebês devem receber quatro doses da vacina — logo que nascerem, aos 2, 4 e 6 meses. Já em crianças e adolescentes com até 16 anos são necessárias duas doses com intervalo de seis meses. Por fim, a imunização após essa idade só é efetiva quando tomadas as três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda e de cinco meses entre a segunda e a terceira.

A vacina de hepatite B não é recomendada para pessoas que tiveram reações alérgicas graves à dose anterior ou a qualquer componente que é usado na fórmula, como a levedura.

Outras medidas

Além da vacina, é fundamental tomar outros cuidados para prevenir o problema:

  • Ter cuidado redobrado ao ter relações sexuais com pessoas que tenham hepatite B;
  • Usar preservativo em todas as relações sexuais (disponível na rede pública de saúde);
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.