Hepatite autoimune: tudo sobre a doença na qual o corpo ataca o fígado

30 de agosto de 2019

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POR Bruno Botelho dos Santos

Hepatite autoimune é uma doença rara, de causa desconhecida e mais comum em mulheres do que em homens. É um acometimento crônico que causa vermelhidão, inchaço e danos ao fígado. Saiba mais sobre o problema.

O que é hepatite autoimune?

“Hepatite autoimune é um quadro de inflamação no fígado caracterizado pela destruição do tecido hepático pelo próprio sistema imunológico da pessoa acometida”, explica a clínica geral Nicolle Queiroz.

Causas

A doença ocorre quando o sistema imunológico ataca o fígado do próprio organismo, causando inflamação crônica. A causa do comportamento autoimune não está clara, mas sabe-se que fatores genéticos e exposição a vírus ou drogas em particular podem influenciar seu desencadeamento.

Tipos

Existem dois tipos de hepatite autoimune:

Tipo 1 (clássico)

É a forma mais comum da doença e pode ocorrer em qualquer idade, embora acometa mais adolescente e jovens adultos. Costuma afetar mais mulheres do que homens.

Esse tipo está frequentemente ligado a outras doenças autoimunes, como tireoidite, doença de Graves, diabetes tipo 1 e colite ulcerativa.

Tipo 2

É menos comum e, na maioria das vezes, afeta meninas de 2 a 14 anos. Pode estar ligada a outros problemas, como diabetes, vitiligo e tireoidite autoimune.

Sintomas de hepatite autoimune

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e costumam ser perceptíveis somente nas fases mais avançadas. Eles são semelhantes aos manifestados pelas demais hepatites, tais como:

  • Febre
  • Mal-estar generalizado
  • Fadiga
  • Desconforto abdominal
  • Amarelecimento da pele e dos olhos (icterícia)
  • Aumento do fígado
  • Erupções cutâneas
  • Dores articulares
  • Interrupção da menstruação

Diagnóstico

O diagnóstico começa com a anamnese, conversa na qual o paciente conta detalhes do quadro e revela seu histórico familiar ao médico.

Em seguida, o profissional da saúde examina o corpo do paciente, manipulando-o em busca de áreas doloridas, sensíveis ou inchadas.

Podem ser requeridos os seguintes exames:

Exames de sangue: uma amostra de sangue para anticorpos pode distinguir a hepatite autoimune da hepatite viral, além de investigar outras condições com sintomas semelhantes. O teste também ajuda a identificar o tipo da doença apresentado pelo paciente.

Biópsia hepática: procedimento o qual uma pequena parte do tecido do fígado é removida, por meio de uma agulha fina e uma pequena incisão, e analisada em laboratório, a fim de confirmar o diagnóstico e determinar o grau e o tipo de dano hepático.

Tem cura?

A hepatite autoimune não tem cura, porém seu tratamento permite o controle dos sintomas e evita complicações.

Tratamentos para hepatite autoimune

O tratamento funciona melhor quando a hepatite autoimune é diagnosticada nas fases iniciais, porém também é importante nos demais estágios da doença.

Remédios

Corticoides e supressores do sistema imunológico são os medicamentos mais usados ​​para impedir que o corpo ataque o fígado.

O tratamento pode levar de seis meses a alguns anos até a doença entrar em remissão. Algumas pessoas param de tomar remédios nessa fase, mas isso facilita a recidiva do acometimento.

Embora raramente, em alguns casos a hepatite autoimune desaparece sem uso de medicamentos.

Transplante de fígado

A hepatite autoimune avançada, que cursa com insuficiência hepática, cirrose e carcinomas, pode ser tratada com transplante hepático, o qual tem boas taxas de sucesso.

Como a doença é causada por anormalidades no sistema imunológico, há a chance de ela atacar o novo fígado, embora isso não seja tão comum.

Fontes

Clínica geral Nicolle Queiroz, membro do corpo clínico do Hospital São Camilo e do Hospital São Luiz– CRM 151348

American Liver foundation. Autoimmune Hepatitis. Disponível em: liverfoundation.org/for-patients/about-the-liver/diseases-of-the-liver/autoimmune-hepatitis