Hepatite A: tudo o que você precisa saber

23 de outubro de 2017

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POR Vinicius de Vita Cavalheiro

A hepatite A, também conhecida como hepatite infecciosa ou amarelão, é uma inflamação que afeta o fígado e é causada por vírus.

Segundo o último Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, que reúne os dados referentes a 2016, a maioria dos casos de hepatite A está localizada nas regiões norte e nordeste do país, com incidência maior entre crianças com menos de dez anos.

A forma de transmissão mais comum é por meio da ingestão de água ou comida contaminadas, mas o vírus também pode ser transmitido sexualmente. Lugares com condições sanitárias precárias são considerados regiões com risco acrescido de contaminação pelo vírus da hepatite A.

A doença nem sempre manifesta sintomas, por isso é importante realizar testes com frequência para detectar a presença do vírus na corrente sanguínea. Em cerca de 90% dos casos, a doença é curada espontaneamente, sem necessidade de um tratamento específico. Em casos mais graves, porém, a infecção pode provocar complicações sérias de saúde, que exigem atenção médica.

A melhor forma de prevenção contra a hepatite A é a vacina, disponível tanto na rede pública quanto na privada.

Abaixo, nós preparamos um conteúdo para você saber tudo sobre hepatite A e tirar todas as suas dúvidas sobre a doença.

Como está a hepatite A no Brasil e no mundo?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 11 mil pessoas morreram em 2015 em decorrência de complicações de hepatite A em todo o mundo. Já no Brasil, números do governo federal dão conta de que a incidência da doença estava em tendência de queda no ano passado, apresentando 0,6 casos para cada 100 mil habitantes.

Algumas capitais de estados das regiões norte e nordeste, porém, apresentaram taxas bem maiores que a média nacional. É o caso de Boa Vista-RR (5,6), Macapá-AP (4,9), Porto Velho-RO (2,9) e Maceió-AL (2,5). As três capitais do sul também estavam com incidência acima da média em 2016: Florianópolis-SC (1,3), Porto Alegre-RS (1,1) e Curitiba (0,9). Veja no gráfico abaixo:

hepatite A - capitais

Ao todo, o Brasil soma, de 1999 até 2016, 162.847 casos confirmados de hepatite A, sendo 1.066 mortes entre 2000 e 2015.

Surto de hepatite A em 2017

Os números divulgados pelo Ministério da Saúde, porém, não contemplam o recente surto de hepatite A na cidade de São Paulo em 2017.

Os novos casos não param de crescer na capital paulista, principalmente no segundo semestre: até o início de outubro, já havia um crescimento de 708% nos diagnósticos positivos para hepatite A em relação ao ano anterior — 517 casos, sendo 2 mortes, contra 64 casos e nenhum óbito em 2016.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a maioria dos casos (80%) envolve homens de 18 a 39 anos que adquiriram a doença por meio de relações sexuais desprotegidas — muito diferente do padrão: crianças menores de 10 anos que tiveram contato com água ou comida contaminadas com o vírus.

Por ora, quase todos os novos casos estão restritos a São Paulo, mas especialistas acreditam que logo outros estados verão seus números de hepatite A crescerem também.

Na Europa também

O surto de hepatite A não aconteceu só por aqui. A Europa também encara o aumento desproporcional no número de novos casos. Pelo menos é o que indica um relatório da OMS, que disparou o alerta em junho deste ano para o surto em 15 países europeus: Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega, Portugal, Eslovênia, Espanha, Suécia e Reino Unido.

Segundo o órgão internacional, o perfil dos infectados coincide com o identificado aqui no Brasil: homens jovens que contraíram o vírus por meio do sexo sem proteção.

Transmissão da hepatite A

Ingestão de água ou alimentos contaminados

A hepatite A é transmitida pelo vírus VHA por meio, principalmente, da ingestão de água ou de alimentos contaminados com coliformes fecais. Geralmente, a transmissão do vírus se dá da seguinte forma: uma pessoa já infectada elimina o vírus nas fezes, que posteriormente acabam contaminando a água. Isso costumar acontecer em lugares onde não há condições sanitárias adequadas — especialmente em regiões mais pobres.

Assim, pessoas que ingerirem alimentos lavados com água contaminada ou frutos do mar provenientes de águas poluídas com esgoto também podem se contaminar.

Não lavar as mãos após usar o banheiro

Outra forma bastante comum de transmissão é decorrente da falta de higiene adequada após evacuar, quando a pessoa sai do banheiro sem lavar as mãos e manipula alimentos ou objetos.

Muito por causa disso as crianças são o grupo mais afetado pela hepatite A. Muitas vezes elas não lavam bem as mãos e compartilham brinquedos com outras crianças, que os pegam e acabam levando as mãos à boca.

Relações sexuais desprotegidas

Apesar de ser menos comum, a transmissão da hepatite A também pode se dar por meio de relações sexuais — principalmente por via anal-oral. É o que tem acontecido nos casos mais recentes da doença no mundo.

Fatores de risco

É possível elencar uma série de fatores que aumentas as chances de determinadas pessoas contraírem o vírus da hepatite A. São eles:

  • Morar ou viajar para regiões com alta incidência de hepatite A ou com saneamento básico deficiente;
  • Ingerir água não filtrada (da torneira, por exemplo);
  • Se alimentar de frutos do mar crus em lugares onde o esgoto deságua no oceano ou em regiões sem condições adequadas de saneamento básico.

Distribuição geográfica da Hepatite A

A Organização Mundial da Saúde (OMS) costuma tratar da hepatite A como um problema endêmico — ou seja, a doença está muito restrita a regiões que favorecem a proliferação e transmissão do vírus. Em geral, existem três categorias geográficas que variam entre si na probabilidade de uma pessoa ser infectada pelo VHA. Elas são:

Áreas com altos índices de infecção

Nesta categoria, estão países em desenvolvimento com saneamento básico ou hábitos gerais de higiene inadequados. Dados do órgão internacional estimam que 90% das crianças que vivem em áreas com altos índices de hepatite A já foram infectadas pelo vírus VHA alguma vez na vida — sem, necessariamente, manifestar sintomas.

Nessas áreas, é muito difícil a doença sair de um estágio endêmico e avançar para um quadro epidêmico, já que a pessoa, uma vez infectada pelo vírus, fica imune ao vírus pelo resto da vida.

Áreas com índices de infecção intermediários

Países em desenvolvimento ou emergentes muitas vezes contam com regiões onde os avanços da economia ainda não chegaram. Nestes locais, as condições sanitárias podem estar em níveis inadequados ainda, mas os índices de infecção não são tão elevados. Por isso, a incidência de hepatite A em crianças pequenas é mais baixa que em áreas com altos índices de infecção.

Em contrapartida, é possível observar um aumento na incidência da doença entre adultos — principalmente porque eles não a desenvolveram na infância e, portanto, não ficaram imunes.

Áreas com baixos índices de infecção

O número de infecções por hepatite A em países desenvolvidos é muito menor do que em países em desenvolvimento — muito graças a condições sanitárias adequadas e acesso da população ao saneamento básico. Nestes locais, a doença pode ser mais comum entre aqueles que viajam para áreas de risco ou entre as chamadas populações-chave (que você vai conhecer melhor no item abaixo).

A OMS, porém, alerta que hábitos de higiene pessoais precários podem facilitar a proliferação do vírus mesmo em áreas mais desenvolvidas.

Populações-chave

Por uma série de razões, que vão do espectro biológico ao social, alguns grupos de pessoas são mais suscetíveis à contrair hepatite A do que outros. Hoje, o termo “grupo de risco” já está caindo em desuso, sendo recomendado por entidades de todo o mundo o uso do termo “populações-chave” para se referir a esse conjunto de pessoas com risco acrescido de contrair determinada doença ou vírus.

No caso da hepatite A, as principais populações-chave são:

Crianças com menos de 10 anos

Elas representam, até hoje, a maioria dos casos de hepatite tanto no Brasil quanto no mundo. De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais de 2017, crianças com menos de 10 anos correspondem à mais da metade (54,5%) dos casos acumulados da doença entre 1999 e 2016.

A boa notícia é que a popularização da vacina, a chegada do saneamento básico para diversas regiões pobres do país e a elaboração de políticas públicas específicas para introjetar melhores hábitos de higiene na população têm causado uma redução significativa no número de crianças infectadas.

Desde 2005, como se vê no gráfico abaixo, observa-se uma queda bastante acentuada de novos casos de hepatite A, mas sem dúvidas o grupo das crianças menores de 10 anos foi um dos mais beneficiados.

hepatite A - idade

 

Também é possível verificar que a incidência de hepatite A diminui conforme a faixa etária. Pessoas com idade entre 10 e 19 anos são menos propensas a contrair o vírus VHA, mas levemente mais suscetíveis do que aquelas que têm entre 20 e 29 anos — e assim por diante.

Homens que fazem sexo com homens (HSH)

Homens que mantém relações sexuais com outros homens — os chamados HSH, que não incluem somente homossexuais — também têm demonstrado maior vulnerabilidade ao vírus da hepatite A.

Na realidade, eles têm sido as principais vítimas do atual surto que acontece em São Paulo e em outras cidades do mundo. E há uma série de razões para isso.

Além do fator biológico (o tipo de relação sexual praticada), fatores sociais também estão envolvidos — que não à toa os inclui entre as principais populações-chave para uma série de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A vulnerabilidade social, a falta de acesso a um sistema de saúde eficiente, o descaso do poder público e, principalmente, a discriminação em decorrência da orientação sexual são propulsores dos novos casos de hepatite A entre essas pessoas.

Outras populações

Outros grupos de pessoas, além dos de cima, também podem ter risco acrescido de contrair hepatite A, principalmente se viverem em áreas consideradas de risco. Confira:

  • Familiares de pessoas com hepatite A — especialmente pais e mães de crianças que estejam infectadas pelo vírus VHA;
  • Parceiros de pessoas com hepatite A que não fazem uso de preservativos nas relações sexuais;
  • Médicos e paramédicos que trabalhem em hospitais;
  • Usuários de drogas injetáveis que compartilham seringas;
  • Trabalhadores envolvidos na recolha de lixos;
  • Funcionários de escolas, instituições comunitárias, orfanatos etc;
  • Pessoas com o sistema imunológico comprometido — principalmente soropositivos;

Sintomas

O período de incubação do vírus VHA é de aproximadamente duas a quatro semanas, de modo que os principais sinais e sintomas da hepatite A só costumam aparecer depois deste período.

Pode acontecer, também, da doença não manifestar nenhum sintoma, evoluindo naturalmente para a cura passando despercebida.

Quando aparecem, os sintomas mais frequentes da hepatite A são:

  • Sensação forte de cansaço e fadiga;
  • Falta de apetite;
  • Náuseas e vômitos;
  • Dor muscular;
  • Febre baixa.

Depois de alguns dias, porém, algumas pessoas também podem apresentar alguns sinais de problemas no fígado, também provocados pela ação do vírus da hepatite A no organismo:

  • Urina de cor escura;
  • Fezes de cor mais clara ou esbranquiçadas;
  • Icterícia (quando a pele fica com aspecto amarelado) — sintoma pouco comum em crianças menores de 6 anos;
  • A área branca dos olhos também pode ficar amarelada em alguns casos de icterícia;
  • Dor no estômago, no abdômen ou mais precisamente na região onde fica o fígado;
  • Pele ressecada, com os chamados “comichões”, que dão vontade de coçar a superfície da pele;

Muita atenção para sintomas comuns da hepatite A em crianças:

  • Sintomas muito parecidos com os da gripe;
  • Tosse;
  • Dor de garganta.

Geralmente, pessoas que vivem há muito tempo com algum problema de saúde no fígado podem sofrer da chamada hepatite fulminante. A doença geralmente afeta pessoas com mais de 50 anos e pode ser caracterizada por alguns sintomas específicos:

  • Problemas de coagulação sanguínea;
  • Confusão mental;
  • Déficit de atenção;
  • Funções do fígado comprometidas e piora contínua;
  • Icterícia grave: o aspecto amarelado da pele e dos olhos pode ficar ainda mais evidente.

Outros possíveis sinais

Na visita ao médico, é importante relatar a ele todos os sintomas que você estiver sentindo, mesmo que eventualmente eles possam ter nada a ver com hepatite A ou com outro problema no fígado. Fique atento se você apresentar também:

  • Sensibilidade na pele próxima à região do fígado (geralmente acima da área onde fica o estômago);
  • Inchaço na região abdominal (pode estar relacionado a um inchaço do fígado ou do baço);

Quando os sintomas vão embora?

A manifestação de sintomas varia muito de pessoa para pessoa — e isso vale não só para hepatite A, mas sim para praticamente todas as doenças. Geralmente, os sinais manifestados por um problema de saúde específico também podem variar em sua intensidade, então não há um padrão exato a ser identificado.

No caso da hepatite A, muitas vezes os sintomas desaparecem sozinhos. É bom consultar um médico para ver se há necessidade de tomar medicamentos específicos ou se existe algum método que ajude a aliviar os sintomas ou afastá-los mais rapidamente.

Em geral, os sintomas da hepatite A vão embora espontaneamente após uma ou duas semanas, de modo que grande parte das pessoas diagnosticadas com a doença sentem-se muito melhor já na terceira semana. Crianças pequenas, no entanto, podem demorar mais para ficarem boas. No caso dos pequenos, os sinais podem permanecer por até dois meses até desaparecer por completo — por isso consultar um pediatra é fundamental.

Pacientes que têm problema crônicos no fígado ou que estejam com a infecção viral em estágio mais avançado também podem permanecer com os sintomas por alguns meses. Nestes casos, acompanhamento médico também é essencial.

Diagnóstico

Muitas vezes, quando o paciente chega ao consultório e relata seus sintomas, é possível estimar um diagnóstico somente com base num exame clínico. Mas é muito comum médicos solicitarem um exame de sangue para identificar a presença do vírus da hepatite A na corrente sanguínea.

Uma amostra de sangue é coletada e enviada para laboratório. O tempo para sair o resultado costuma demorar de acordo com o método utilizado. No Brasil, existem alguns testes rápidos que identificam rapidamente a presença dos vírus causadores das hepatites B e C no sangue, mas não para hepatite A. Os exames para diagnóstico de hepatite A são os tradicionais, que costumam demorar alguns dias para fechar um diagnóstico.

Qual médico é responsável pelo diagnóstico?

Quando a hepatite A manifesta sinais, os sintomas podem ser facilmente confundidos com outros problemas de saúde, então é comum que a pessoa procure um clínico geral para ver o que se trata. Ele pode encaminhar a pessoa para um infectologista — médico responsável por doenças infecciosas, que é o caso das hepatites — ou ele mesmo solicitar o exame de sangue para fechar o diagnóstico.

O acompanhamento médico, porém, deve ser feito com um infectologista.

Populações-chave devem ter atenção especial

Assim como em qualquer outra doença, as populações-chave para hepatite A devem ter atenção especial para o problema. É preciso estar sempre em dia com os exames e consultar um médico com regularidade para garantir que está tudo certo.

Tratamento da Hepatite A

Quando o diagnóstico para hepatite A é fechado, o médico passa uma série de recomendações para o paciente, a fim de que ele tenha a melhor recomendação possível e espante rapidamente os sintomas da doença.

Em geral, não são necessários medicamentos. Algumas práticas caseiras já dão conta do recado, como:

Descanso

Para quem está com hepatite A, a palavra de ordem é “repouso”. Colocar as pernas para o alto é a melhor forma de combater a ação do vírus no organismo — mesmo porque é comum sentir-se cansado e sem disposição –, mas não é necessário fazer repouso absoluto. Basta evitar atividades que exijam muita energia.

Intervalos pequenos entre refeições

Para combater as náuseas provocadas pelo vírus, procure manter-se sempre bem alimentado, fazendo intervalos menores entre as refeições. Para isso, é recomendável fazer pequenos lanches durante o dia e observar bem o que põe no prato. Prefira alimentos leves, pouco gordurosos, ricos em fibras e vitaminas.

Dê férias para seu fígado

Como se trata de uma doença hepática, é imprescindível cuidar da saúde do fígado. Por isso, evite bebidas alcoólicas, alimentos muito pesados e o uso desnecessário de medicamentos, como analgésicos e anti-inflamatórios.

Não se automedique

É difícil o médico prescrever um medicamento para o tratamento da hepatite A, mas ele eventualmente pode recomendar remédios que ajudem a aliviar alguns sintomas da doença, como febre, dores musculares e náuseas.

No entanto, é importante não se automedicar, pois alguns medicamentos podem prejudicar o fígado. Na dúvida, consulte seu médico sobre quais remédios você pode tomar.

Prognóstico da Hepatite A

Quem está com hepatite A e está seguindo as recomendações médicas, ainda assim precisa ficar atento, pois é uma doença que pode ser transmitida de pessoa para pessoa. Neste caso, é importante ficar atento para não passá-la para outras pessoas, principalmente aquelas que estão em seu ciclo de convivência. Confira algumas recomendações importantes:

Evite relações sexuais

Embora não seja exatamente uma infecção sexualmente transmissível (IST), a hepatite A também pode ser transmitida por via sexual. Por isso, durante o período do tratamento e até que seu médico dê alta, é importante evitar o contato sexual.

Capriche na higiene

Sempre lave muito bem as mãos após usar o banheiro e garanta que elas estão limpas se for cozinhar. Alguns médicos recomendam até mesmo não cozinhar, mas mantendo uma higiene correta, as chances de transmitir o vírus da hepatite A são praticamente nulas.

Possíveis complicações

A maioria dos casos de hepatite A não acarreta em complicações para a saúde do paciente, porque é comum que a doença se cure sozinha. Em alguns casos, porém, pode ser que os sintomas não desapareçam dentro do tempo médio — e, dependendo, podem evoluir para outros problemas.

Também pode acontecer de os sintomas desaparecem espontaneamente e depois voltarem sozinhos. Em casos raros, a hepatite A pode evoluir para insuficiência hepática aguda — perda gradual das funções do fígado –, mais comum entre pessoas que já enfrentavam problemas no fígado quando contraíram hepatite A ou entre pessoas mais velhas.

Casos graves de insuficiência hepática podem exigir transplante de fígado, por isso é bom ficar de olho, consultar um médico e fazer acompanhamento frequente.

Prevenção

A melhor forma de se prevenir contra hepatite A é por meio da vacina, disponível no Brasil na rede pública e em redes particulares. No geral, a prevenção da hepatite A pode se dar por meio de três pilares:

  • Imunização (vacinas)
  • Condições sanitárias adequadas
  • Segurança alimentar

Vacinas

A vacina contra hepatite A antigamente era dividida em duas doses: a inicial e uma de reforço após seis meses. Agora, a dose é única. Geralmente, a imunização acontece na infância e é recomendada para os seguintes públicos:

  • Crianças de até dois anos de idade ou mais velhas que ainda não receberam a vacina;
  • Médicos, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde que entrem em contato com sangue de pacientes;
  • Pessoas que pretendem fazer viagens para regiões consideradas de risco para hepatite A;
  • Pessoas diagnosticadas com problemas crônicos no fígado, como cirrose ou insuficiência hepática;
  • Pessoas com o sistema imunológico prejudicado, principalmente soropositivos.

A vacina também pode ser recomendada para outros grupos de pessoas. Para saber onde tomar a dose da vacina, basta acessar o site da Secretaria de Saúde do seu município.

Calendário da vacina da Hepatite A no Brasil

O calendário da vacina da hepatite A começa em julho e vai até setembro. Confira os estados que serão contemplados pelo programa de imunizações de acordo com o mês:

Julho Agosto Setembro
Acre Amazonas Roraima
Rondônia Amapá São Paulo
Alagoas Tocantins Paraná
Ceará Bahia
Maranhão Paraíba
Piauí Rio Grande do Norte
Pernambuco Sergipe
Distrito Federal Mato Grosso
Goiás Mato Grosso do Sul
Espírito Santo Rio de Janeiro
Minas Gerais Santa Catarina
Rio Grande do Sul Pará
Fonte: Ministério da Saúde

Cuidados básicos

Além da vacina, existem outras maneiras de se prevenir contra a hepatite A. Evite ingerir alimentos mal cozidos, especialmente frutos do mar, e quando for comer peixe cru (comum em restaurantes japoneses), certifique-se de que o estabelecimento respeita as normas da vigilância sanitária.

Tome cuidado, também, com frutas que possam ter sido lavadas com água contaminada. Por isso, é recomendável não comprar frutas na rua, ainda mais em áreas de risco.

Dúvidas referentes à vacina de hepatite A

Quem pode tomar a vacina na rede pública?

A vacina gratuita para hepatite A, presente nos postos de saúde especializados da rede pública, está disponível para crianças de até cinco anos. Até o ano passado, a imunização só era estendida para crianças de até dois anos.

Agora, crianças poderão tomar uma dose aos 15 meses ou até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.

Gestantes podem tomar a vacina?

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos diz que a segurança da vacina contra hepatite A para gestantes ainda não foi 100% confirmada. Porém, como a vacina é produzida com vírus inativos, as chances de uma mulher grávida apresentar sintomas ou do bebê ter algum problema de saúde decorrente da imunização são muito pequenas.

O próprio órgão norte-americano conduziu testes para saber se a vacina poderia causar algum problema não desejado, e nada foi identificado.

A vacina pode gerar efeitos colaterais?

A vacina contra hepatite A é feita a partir de vírus VHA inativos, então a probabilidade de dar efeitos adversos é muito baixa, mas nas raras ocasiões em que a vacina causa reações, pode haver sensibilidade, vermelhidão e inchaço no local da injeção e o surgimento de sintomas muito semelhantes aos da gripe num período de até 14 dias.

É possível tomar a vacina da hepatite A junto com a dose da hepatite B?

Sim. No Brasil, as duas doses são administradas ao mesmo tempo, mas suas recomendações são diferentes, uma vez que as possíveis causas da hepatite B são diferentes também.