O que é a gripe H1N1? Veja como ocorre sua transmissão

Atualizado em 25 de julho de 2018

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POR Lucas Coelho

A gripe H1N1 se tornou mais conhecida a partir de 2009, quando aconteceu um surto mundial que ligou o sinal de alerta em diversos países. Muito semelhante à gripe comum, a – também conhecida como gripe suína – é causada pelo vírus H1N1, podendo trazer complicações sérias e até levar à morte.

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que, em 2016, o Brasil apresentou pouco menos de 2 mil mortes causadas pela gripe do H1N1. Ainda de acordo com o governo brasileiro, quase 70% dos casos eram em pessoas dentro dos grupos de risco, a maioria sendo idosos acima dos 60 anos de idade e indivíduos com doenças cardiovasculares crônicas.

Não existem dados concretos sobre a incidência mundial da doença, mas estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2013, quatro anos após a pandemia de 2009, apontavam que uma em cada cinco pessoas da população mundial havia sido infectada durante o período de crise.

Como a maioria dos infectados não apresenta sintomas, a gripe H1N1 causou menos mortes do que gripes sazonais.

O que é a gripe suína?

A gripe suína é exatamente o que o nome diz: uma gripe que afeta e é transmitida entre os porcos, altamente contagiosa, mas que oferece pouco risco aos animais.

O consenso geral é de que a gripe suína que causou a epidemia entre humanos surgiu a partir de porcos infectados também com a gripe humana e aviária, gerando novos tipos de vírus.

O que é H1N1?

O H1N1 é, portanto, um subtipo do vírus Influenza A, que por sua vez é o vírus mais comum da gripe humana. Possivelmente, este subtipo é resultado de uma mutação que combinou materiais genéticos dos vírus da gripe em humanos, gripe aviária e a gripe suína.

Essa mutação aparentemente se desenvolveu nos porcos, e por isso o surto de H1N1 foi chamado primeiramente de surto de gripe suína. Depois, passou a ser chamada de Gripe A H1N1, quando ficou claro que era uma variação do influenzavírus e a carne de porco não tinha relação com sua transmissão.

A letra H no nome se refere à proteína hemaglutinina que compõe o vírus com a função de liga-lo às células do organismo infectado. Já a letra N refere-se à proteína neuraminidase, que faz o papel inverso, desligando o vírus das células infectadas. Isso ajuda os vírus recém-replicados a se espalharem pelo corpo.

Pandemia de 2009

Humanos que tem contato constate com suínos raramente apresentavam o contágio causado pelo vírus da gripe suína, mas isso mudou com a nova variação H1N1 em 2009. Surgindo primeiro na América do Norte, a doença se espalhou para todos os outros continentes em pouco tempo, e órgãos de saúde do mundo todo entraram em alerta.

A OMS decretou o estado de pandemia em junho do mesmo ano e, após esforços e colaboração de diversas nações, o fim do surto foi declarado em agosto de 2010.

O receio inicial de que a gripe fosse transmitida pelo consumo de carne de porco causou impactos significativos nas exportações de vários países. Após estudos mais detalhados, ficou comprovado que comer a carne suína não representava risco algum, principalmente se ela estivesse cozida.

Transmissão do vírus

As formas de transmissão do vírus H1N1 é igual a de qualquer outro vírus de gripe. O período de incubação – entre a infecção até surgirem os primeiros sintomas – dura no máximo 5 dias, e durante esse intervalo a pessoa infectada já está transmitindo o vírus.

O H1N1 é basicamente transportado através de secreções respiratórias, como gotículas de alguém infectado quando a pessoa tosse, espirra ou fala. É possível também o contágio ao tocar uma pessoa infectada ou alguma superfície que esteja contaminada, como um copo de bebida, um talher, uma maçaneta de porta etc.

Como já foi dito, o vírus não é transmitido através da carne suína. Cozinhar qualquer carne a no mínimo 70° já é suficiente para destruir qualquer agente infeccioso que ela possa conter.

Grupos de risco

Muitas das pessoas infectadas não apresentam sintoma algum, ou seja, não desenvolvem a gripe. Há, porém, grupos de risco que estão mais sujeitos a desenvolverem a doença quando expostas ao vírus:

  • Gestantes e puérperas (mulheres no período logo após o parto, quando elas ainda estão em recuperação);
  • Os trabalhadores da área de saúde;
  • Povos indígenas;
  • Pessoas com mais de 60 anos de idade;
  • Crianças com menos de 5 anos de idade;
  • População carcerária e funcionários do sistema prisional;
  • Pessoas portadoras de doenças respiratórias, cardíacas, renais, hepáticas e neurológicas crônicas;
  • Diabéticos;
  • Pessoas com sistema imunológico debilitado em geral;
  • Portadores da Síndrome de Down;
  • Pessoas com obesidade grave, chamada de grau III;
  • Pessoas que receberam transplante de órgão.

Quais são os sintomas?

De acordo com o infectologista do Hospital Santa Paula, de São Paulo, Dr. Marcelo Mendonça, os sintomas e complicações da gripe H1N1 são os mesmo da gripe comum. “O paciente infectado pode apresentar calafrios, febre, espirros, dores no corpo, dor de cabeça, fadiga, dor de garganta e tosse. Algumas pessoas podem sofrer também com diarreia e vômitos”, afirma o médico.

As possíveis complicações

A gripe H1N1 pode causar pneumonia viral, ou pneumonias bacterianas secundárias e insuficiência respiratória. Quanto mais graves forem os problemas originados a partir da gripe, maior a chance de morte, especialmente em pacientes dentro dos grupos de risco. Por isso é tão importante buscar o atendimento médico e não tentar tratar qualquer gripe por conta própria.

Como é feito o diagnóstico

Por ter sintomas semelhantes aos da gripe comum, não é possível determinar se a pessoa está contaminada pelo H1N1 apenas através de um exame clínico.

“O diagnóstico é feito por meio de uma pesquisa do vírus em secreção respiratória”, conta Mendonça. “Normalmente, este exame é feito apenas nos pacientes internados com formas graves da doença.”

Tratamento da gripe H1N1

Se os sintomas não forem muito intensos, o tratamento tende a ser apenas sintomático, aliviando os incômodos até que o vírus cumpra seu ciclo. Nesses casos, medicamentos como analgésicos e antipiréticos – para redução da febre – podem ser utilizados para diminuir os sintomas.

Já em casos extremos, podem ser receitados antivirais aos pacientes. “Formas graves de H1N1 são tratadas com os medicamentos Oseltamivir (Tamiflu) e Zanamivir (Relenza), que devem ser iniciados até o segundo dia do início dos sintomas”, explica o Dr. Marcelo.

Não há jeitos caseiros de tratar a doença. É sempre importante buscar um médico quando qualquer sinal da gripe surgir. Além dos remédios, as recomendações principais são repouso e se manter hidratado.

Prevenção e vacina

Existem cuidados gerais que podemos tomar contra qualquer tipo de gripe. Evitar permanecer em lugares sem circulação de ar, lavar sempre as mãos ou utilizar o álcool em gel, não compartilhar objetos de uso pessoal etc. São muitas medidas de higiene que são importantes para prevenir vários tipos de doenças contaminantes.

No entanto, além disso tudo, a forma mais eficaz de prevenção é tomar a vacina. Ela faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e pode ser tomada gratuitamente em qualquer posto de saúde.

“Somente as pessoas com hipersensibilidade aos componentes da vacina (por exemplo, as proteínas do ovo), pessoas com doenças febris agudas atuais, imunodeficiência congênita ou adquirida, neoplasia maligna e tratamento com corticoides não devem tomar a vacina”, atenta Mendonça.

Mulheres grávidas devem tomar a vacina da gripe. Qualquer preocupação nesse sentido é infundada, pois os efeitos colaterais são extremamente raros.

E o H3N2?

Recentemente, muitas pessoas têm mostrado preocupação em relação a essa nova variação do vírus Influenza A. O H3N2 foi responsável por uma epidemia nos Estados Unidos em 2017, pois o subtipo não foi contemplado pela vacina aplicada.

No entanto, as versões recentes das vacinas administradas inclusive no Brasil já fornecem defesa contra o H3N2.