Glicose alta: 7 perguntas essenciais sobre hiperglicemia e suas respostas

10 de setembro de 2018

|

POR Vinícius De Vita

A alta taxa de glicose no sangue, também conhecida como hiperglicemia, é um problema comum em pacientes com diabetes dos tipos 1 e 2 e ocorre quando o corpo não consegue produzir insulina suficiente para transformar a glicose (açúcar) em energia.

A doença, quando não tratada, pode levar a uma série de complicações, como comprometimento de vasos sanguíneos e até mesmo de órgãos ou nervos do corpo.

Para saber se uma pessoa está com hiperglicemia ou não, basta realizar um teste de glicose, que é simples e mede a taxa de açúcar presente na corrente sanguínea. A taxa normal é de até 110 mg/L. Valores maiores já indicam glicose alta no organismo e devem ser controlados.

Quais os sintomas da glicose alta?

 

Dor de cabeça.

MDGRPHCS/Shutterstock

Reconhecer os sintomas da hiperglicemia não é difícil e é muito importante para tratar o problema antes que provoque complicações mais sérias.

Existem alguns sinais de glicose alta aos quais devemos ficar atentos. Os chamados sintomas precoces são mais simples de serem tratados:

  • Sede excessiva
  • Visão embaçada
  • Sensação de cansaço
  • Dor de cabeça
  • Vontade constante de urinar

Já os sintomas tardios de glicose alta, que geralmente ocorrem quando o paciente não percebe os sinais precoces emitidos pelo organismo, são os seguintes:

  • Perda de peso provocada pela falta de insulina – o corpo começa a gastar a gordura estocada em vez do açúcar, que não consegue ser metabolizado e transformado em energia
  • Boca seca
  • Náuseas e vômitos
  • Sensação constante de cansaço
  • Mau hálito
  • Confusão mental
  • Respiração curta
  • Dor abdominal

O que provoca a hiperglicemia?

Como mencionamos, a hiperglicemia ocorre quando o organismo não consegue produzir insulina em quantidade suficiente para remover o excesso de açúcar da corrente sanguínea e transformá-lo em energia.

Há diversas razões pelas quais este quadro pode se instalar. A mais comum delas é a diabetes – tanto do tipo 1 quanto do tipo 2 –, mas podem haver outras causas, tais como:

Antes de qualquer preocupação, porém, é importante consultar um médico para saber do que se trata. Nem sempre uma crise de hiperglicemia indica que há presença de alguma doença grave, como um tumor. Além disso, existem outros gatilhos que podem desencadear o quadro de glicose alta:

  • Estresse emocional
  • Mudança de medicamento
  • Alteração na dieta
  • Comer demais
  • Sedentarismo
  • Gripes ou resfriados
  • Pós-operatório ou machucado recente
  • Dose errada ou insuficiente de insulina (no caso de pacientes com diabetes)

Quais são os tipos de hiperglicemia?

Também é muito importante não confundir os dois tipos existentes de hiperglicemia. Há aquela provocada por jejum de períodos iguais ou superiores a 8 horas, em que a taxa de glicose pode chegar a 130 mg/L.

Já a hiperglicemia pós-refeição ocorre quando a quantidade de açúcar no sangue é superior a 180 mg/L – taxa normal até duas horas após uma refeição importante do dia, como almoço ou jantar.

O que fazer quando estiver com a glicose alta?

 

Paciente recebendo tratamento individualizado.

Have a nice day Photo/Shutterstock

Se você tiver diabetes, o recomendado é que o acompanhamento de sua taxa de glicose seja feito três vezes ao dia. Se houver crise de hiperglicemia, o indicado é que o paciente faça reposição de insulina. Mas se o quadro persistir, a melhor coisa a se fazer é consultar um médico para que ele oriente o tratamento mais adequado para seu caso.

Mas se você não tiver diabetes, fique atento aos sintomas de glicose alta descritos acima e procure atendimento médico.

Quando ligar para a emergência?

Ligue para o serviço médico de emergência se você estiver doente e não conseguir se alimentar ou se sua glicose alta estiver persistentemente acima de 240 mg/L.

Quais são as complicações da glicose alta?

Em longo prazo, a hiperglicemia pode gerar:

  • Doença cardiovascular
  • Danos nos nervos
  • Danos nos rins ou insuficiência renal
  • Prejuízos aos vasos sanguíneos da retina, o que pode resultar em cegueira
  • Catarata
  • Pé diabético: danos nos pés causados ​​por nervos danificados ou fluxo sanguíneo deficiente, o qual pode gerar infecções, ulcerações e amputação
  • Problemas nos ossos e articulações
  • Problemas ósseos e articulares, como gengivite

Já em curto prazo, a glicose alta pode levar a:

Cetoacidose diabética

Ocorre quando não há insulina insuficiente no organismo, o que pode fazer com que o corpo comece a quebrar gordura para obter energia. Isso gera cetonas, que em excesso pode resultar em coma diabético e morte.

Estado hiperosmolar hiperglicêmico

É caracterizada pela produção de insulina que não funciona corretamente, levando à saída de glicose pela urina, com potencial risco de desidratação e morte.

Como evitar novos episódios de hiperglicemia?

 

Syda Productions/Shutterstock

Bons hábitos de vida e glicose estável têm tudo a ver um com o outro. Ou seja, seguir uma dieta regrada – seja você diabético ou não – é fundamental, bem como praticar exercícios físicos com regularidade.

Fazer uso da medicação prescrita pelo médico e medir a taxa de glicose pelo menos três vezes ao dia também são recomendações às quais os pacientes com diabetes devem ficar atentos.

 

Fontes

Mayo Clinic

Manual Merck

American Diabetes Association

National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases