Gastrite nervosa: estresse e ansiedade afetam o estômago

12 de janeiro de 2018 ● POR Bruno Botelho dos Santos

As gastrites são inflamações no revestimento do estômago, que podem ser causadas por diversos fatores e que podem durar por pouco tempo ou até mesmo meses e anos.

Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), cerca de 70% da população brasileira apresenta algum tipo de gastrite. E um das suas manifestações mais comuns é a chamada gastrite nervosa, conhecida também como dispepsia funcional, que pode apresentar diversos sintomas parecidos com a gastrite normal.

A diferença está na sua origem. Enquanto os sintomas do tipo tradicional de gastrite está diretamente relacionado à alimentação e ao estilo de vida da pessoa, a gastrite nervosa tem origem em fatores emocionais que desencadeiam sintomas semelhantes.

De modo geral, esse tipo de gastrite costuma atingir mais os jovens e as mulheres. Abaixo, conheça mais sobre gastrite nervosa e saiba identificá-la.

O que é gastrite nervosa?

É uma doença que não causa inflamação no estômago da mesma forma que a gastrite aguda, mas apresenta diversos sintomas parecidos com o tipo mais comum da doença, como azia, queimação e sensação constante de estar com o estômago cheio.

Esse tipo de gastrite está muito relacionado a questões emocionais, já que costuma surgir por causa de problemas como o estresse, ansiedade, irritação e nervosismo.

Da mesma forma que a gastrite aguda, porém, ela também pode estar associada a uma alimentação inadequada, que tende a piorar o quadro. Um exemplo é o consumo exagerado de café ou de doces para tentar driblar o cansaço e o estresse.

Tanto esses fatores emocionais quanto maus hábitos no dia a dia acabam resultando em um aumento da produção de ácido dentro do estômago, o que provoca as características dores da doença.

Causas possíveis

Como diz o próprio nome, a principal causa da gastrite nervosa está na sua relação com os nervos. O estresse e a ansiedade, além de outros fatores do nosso emocional, podem fazer com que a secreção de ácidos no estômago aumente e provoque os sintomas clássicos da gastrite.

Outra causa possível para o problema é a utilização de medicamentos que afetam a proteção gástrica, como é o caso dos anti-inflamatórios. Seu uso prolongado ou frequente pode comprometer o escudo natural do estômago contra a acidez do suco gástrico, que dissolvem os alimentos que ingerimos.

Sintomas

A gastrite nervosa apresenta sintomas bem parecidos com os de outros tipos de gastrite. E da mesma forma, eles podem se manifestar a qualquer hora, sendo mais comuns durante períodos de maior estresse ou tensão emocional – responsáveis por desencadear os sintomas.

Os sintomas mais comuns são:

  • Dor aguda, a que surge de repente e tem pouca duração;
  • Azia, queimação na boca do estômago, principalmente depois de comer;
  • Sensação de estar “estufado” mesmo depois de comer pouca quantidade de alimentos;
  • Enjoos e vômitos;
  • Arrotos e gases com frequência;
  • Perda de apetite;
  • Dificuldade de digestão.

Gastrite nervosa tem cura?

Ao contrário de outras gastrites, como a crônica e aguda, a gastrite nervosa pode ser neutralizada ou curada por meio de algumas mudanças no comportamento e com alguns tratamentos.

Mas para que o resultado seja alcançado, é necessário que o paciente siga à risca o tratamento recomendado pelos especialistas. Abaixo, explicamos melhor como funciona cada um deles.

Controle do estresse

Como a gastrite nervosa tem origem nos nossos aspectos emocionais, é importante entender o que pode estar acontecendo e agir para controlar o estresse, a ansiedade ou qualquer outro problema que possa estar tirando seu sono.

É importante deixar claro, porém, que é difícil encontrar soluções para questões emocionais no curto prazo. Por isso, quanto antes começar, melhor.

Então, qual o primeiro passo? Você pode começar:

  • Consultando um psicólogo e acertando uma rotina semanal de terapias;
  • Consultando um psiquiatra, dependendo do caso;
  • Fazendo exercícios físicos, que ajudam a reduzir o estresse e a irritabilidade;
  • Praticando ioga e meditação, que podem trazer diversos benefícios à qualidade de vida;
  • Fazendo acupuntura, que também ajuda a desestressar.

Mudanças na alimentação

Uma dos primeiras medidas que também devem ser tomadas é fazer mudanças na alimentação. Opte por comer alimentos mais leves, saudáveis e cortar aqueles que servem como “gatilho” para crises de gastrite, como os ricos em gordura, sucos cítricos e outros alimentos e bebidas “ácidos”.

Comidas de fácil digestão e que provoquem “efeito calmante” são uma ótima pedida.

Além disso, tome outros cuidados importantes, como não se deitar logo após as refeições, evitar beber líquidos durante as refeições, comer devagar e se alimentar em locais tranquilos e não muito barulhentos ou tumultuados.

O que comer?

  • Frutas (com exceção de algumas cítricas);
  • Legumes;
  • Verduras;
  • Iogurtes;
  • Cereais;
  • Carboidratos integrais;
  • Peixes e carnes magras cozidas, assadas ou grelhadas, que são fonte de fibras, proteínas e ainda têm propriedades antioxidantes.

O que não comer?

  • Alimentos fritos, muito temperados ou condimentados;
  • Comidas industrializadas enlatadas;
  • Carne vermelha;
  • Linguiça, bacon ou salsicha;
  • Café;
  • Chocolate;
  • Chás preto, verde e mate
  • Pimentas;
  • Massas;
  • Doces e carboidratos em excesso.

Caso ocorra alguma crise de dor ou indisposição, a recomendação é beber bastante água e retomar a alimentação aos poucos.

Cada organismo reage de uma forma à ingestão de determinados alimentos, mas alguns costumam provocar irritação com mais frequência do que outros, além de causarem desconfortos.

Também é fundamental evitar o jejum, já que ficar muito tempo sem comer só piora o quadro de gastrite.

Mudança de hábitos

Para prevenir novas crises de gastrite, também é importante deixar alguns hábitos não-saudáveis e vícios de lado, como fumar, consumir bebidas alcoólicas, refrigerantes e água com gás.

Uso de medicamentos

O tratamento com medicamentos costuma ser por meio de antiácidos, indicados para aliviar os sintomas, e medicamentos calmantes — sempre que necessário para acalmar as crises de ansiedade e estresse.

Vale lembrar que os medicamentos só podem ser tomados assim que o médico for consultado e passe a prescrição. Nunca se automedique!