Esquistossomose: sintomas, transmissão e mais sobre barriga d’água

29 de julho de 2019

|

POR Manuela Sampaio

A doença esquistossomose é transmitida no Brasil pelo parasita Schistosoma mansoni, está relacionada à água doce e tem o caramujo como um de seus hospedeiros. Inicialmente assintomática, a condição pode causar febre, fraqueza, diarreia, entre outros sintomas, além de progredir de forma a causar sérios prejuízos à saúde. Felizmente, é possível tratá-la.

O que é esquistossomose?

Esquistossomose é uma doença causada por um parasita chamado Schistosoma mansoni. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil ela é também conhecida como barriga d’água ou doença do caramujo.

A contaminação acontece em locais de água doce, mas é preciso que neles existam caramujos infectados. Uma vez dentro do corpo humano, o parasita se instala nas veias do mesentério – dobra no revestimento interno do abdômen – e do fígado, onde pode causar obstrução e gerar sintomas.

Ciclo da esquistossomose

1. Em humanos

O ciclo da esquistossomose possui dois hospedeiros: um definitivo e outro intermediário. O caramujo é o intermediário, enquanto o ser humano é o definitivo.

Os ovos do Schistosoma mansoni são eliminados por meio das fezes humanas.

2. Em caramujos

As fezes abrigam os ovos do parasita, que eclodem e liberam a larva. Caso isso ocorra em locais de água doce, o Schistosoma mansoni será capaz de se reproduzir em hospedeiros intermediários, caso estejam presentes. Tratam-se de caramujos gastrópodes aquáticos, que habitam água parada ou com pouca correnteza.

3. Transmissão para outros seres humanos

Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, após quatro semanas as larvas abandonam o corpo do caramujo e ficam livres na água, onde poderão infectar outros humanos, reiniciando o ciclo.

Fases da esquistossomose

Inicial

De acordo com o Ministério da Saúde, é o momento em que ocorre a penetração das larvas na pele.

Pode ser assintomática – o que acontece na maior parte dos casos – ou gerar sintomas agudos, que incluem alterações dermatológicas, como alergias e formação de pápulas avermelhadas, febre, dor de cabeça, dor abdominal, diarreia, vômito e aumento do tamanho de fígado e baço.

Tardia

Após seis meses da infecção, surgem formas crônicas que podem durar anos, causar sérios danos à saúde e até colocar a vida em risco. Existem diferentes apresentações clínicas, a depender dos órgãos de maior acometimento, que costumam ser fígado, intestino e baço.

Causas e transmissão

A causa direta é o parasita Schistosoma mansoni. Mas, para que ele dê origem à doença, é preciso que haja as condições certas: falta de saneamento básico, água doce e a presença do hospedeiro intermediário.

Fatores de risco

Os fatores de risco para esquistossomose são:

  • Presença do caramujo transmissor
  • Contato com água contaminada
  • Falta de saneamento básico
  • Ausência de água potável
  • Realizar tarefas domésticas (como lavar roupa) em água contaminada
  • Morar em comunidades rurais

Sinais e sintomas de esquistossomose

Os sintomas da esquistossomose variam de acordo com a fase da doença.

Na aguda, há febre, dor de cabeça, dor abdominal, sensação de fraqueza, diarreia, suor e calafrio.

Na fase crônica, poderá haver tontura, coceira anal, palpitação, emagrecimento e aumento do fígado.

Em casos graves e com progressão da doença, os sintomas podem mudar e ou ficar mais graves, gerando emagrecimento e fraqueza acentuada, além de inchaço abdominal, motivo pelo qual a doença é popularmente chamada de barriga d’água.

Diagnóstico

O diagnóstico é obtido por exame de fezes, que detecta a presença dos ovos do parasita. Outros testes podem ser pedidos, como testes de anticorpos e exames de imagem.

Qual profissional procurar?

Caso haja sintomas agudos, o ideal é procurar um serviço de emergência. O médico especialista em casos de parasitas é o infectologista.

Tem cura?

A cura da esquistossomose é possível. Após o uso das medicações, são realizados três exames de fezes no quarto mês após o tratamento para determinar a cura.

Tratamento

O tratamento é realizado com o antiparasitário Praziquantel e medicações para aliviar os sintomas. Em casos graves, pode ser necessária internação e até cirurgia.

Prognóstico

O prognóstico da esquistossomose tende a ser pior quando não é curada na fase inicial e cursa com complicações que se tornam crônicas.

No caso da forma vasculopulmonar, por exemplo, há hipertensão pulmonar e obstrução de vasos causada por ovos e vermes mortos. Como consequência, pode haver síncope de esforço e sinais de insuficiência cardíaca crônicos.

Outro exemplo é a forma hepatoesplênica da esquistossomose, em que fígado e baço se tornam palpáveis, pode haver fibrose do fígado, varizes de esôfago e desnutrição acentuada.

Complicações

A esquistossomose pode gerar diferentes complicações a depender da forma com que se apresenta – que é definida basicamente pelo local principal de acometimento da larva no corpo. Esses locais costumam ser fígado, baço, intestino e pulmões e é por isso que as principais complicações são:

  • Aumento do fígado e do baço
  • Hemorragia digestiva
  • Hipertensão pulmonar
  • Hipertensão da veia aorta (que leva o sangue do fígado ao intestino)

Prevenção

A melhor forma de prevenir a esquistossomose é evitar contato com águas contaminadas e com presença de caramujos, além de garantir acesso à água potável e a saneamento básico a todos.

Fontes

Ministério da Saúde. Esquistossomose. Disponível em: www.saude.gov.br/saude-de-a-z/esquistossomose

Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo. Esquitossomose. Disponível em: www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-por-vetores-e-zoonoses/esquistossomose.html

Centro de Vigilância Epidemiológica. ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA. Disponível em: www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-transmitidas-por-agua-e-alimentos/doc/2009/2009informe_esquisto.pdf

Diretrizes técnicas do Ministério da Saúde. VIGILÂNCIA DA ESQUISTOSSOMOSE MANSONI. Disponível em: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigilancia_esquistossome_mansoni_diretrizes_tecnicas.pdf