Esofagite: o que é, tipos, sintomas, remédios e prevenção

25 de abril de 2019

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POR Gabriele Amorim

Refluxo, tosse noturna e dor na “boca do estômago” podem ser sintomas de esofagite, doença que afeta o esôfago e prejudica a qualidade de vida. Entenda o que é esse processo inflamatório, como identificar seus sintomas e tratá-los.

O que é?

Esofagite ou esofagite erosiva é o processo inflamatório da mucosa do esôfago, que é órgão que antecede o estômago e direciona todo conteúdo que é ingerido até ele.

Causas

A principal causa de esofagite é o refluxo gastroesofágico, doença digestiva caracterizada pelo retorno do suco gástrico do estômago para o esôfago. A condição é fruto do aumento da acidez gástrica devido a hábitos alimentares e comportamentais ruins, associados a alterações anatômicas na região.

Tipos de esofagite

Existem quatro tipos de esofagite, sendo cada um deles causado por um fator distinto:

  • Esofagite de refluxo: o tipo mais comum, causada por refluxo,
  • Esofagite de eosinófilos: causada pelo acúmulo de células de defesa na região, devido a alergias;
  • Esofagite por medicamento: gerada pelo contato prolongado de medicamentos no esôfago;
  • Esofagite infecciosa: causada pela propagação de vírus, fungos ou bactérias no local.

Fatores de risco

Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver a doença, como:

  • Quadro de refluxo
  • Quadro de hérnia de hiato
  • Alimentação rica em gorduras, alimentos processados, doces e sal
  • Estresse
  • Consumo de bebidas alcoólicas e cafeína em excesso
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Má mastigação

Sintomas de esofagite

  • Refluxo
  • Dor no peito
  • Dor na “boca do estômago”
  • Arroto
  • Azia
  • Queimação
  • Tosse noturna
  • Engasgos
  • Regurgitação
  • Enjoo
  • Vômitos
  • Dor de garganta
  • Dor para engolir

Diagnóstico

Ao perceber os sintomas, primeiro é preciso procurar um gastroenterologista, endoscopista ou gastrocirurgião.

Então, alguns exames serão solicitados para confirmar o diagnóstico de esofagite, como:

  • Endoscopia: exame no qual é introduzido um tubo fino, com uma câmera pequena, pela boca do paciente até o esôfago e/ou estômago, a fim de analisar a aparência dos órgãos e realizar pequenos procedimentos;
  • Manometria esofágica: teste que mede a força dos músculos do esôfago;
  • Phmetria esofágica: mede acidez estomacal e por quanto tempo o esôfago é exposto a ela.

Após a confirmação do diagnóstico, o paciente deve ser encaminhado para o tratamento adequado para o quadro.

Graus de esofagite

A classificação Los Angeles divide os graus de esofagite em:

Grau A: apresenta ao menos uma lesão menor de até 5 mm que não afeta a parte superior ou dobras do esôfago.

Grau B: tem ao menos uma lesão maior que 5 mm que não está na parte superior ou nas dobras esofágicas.

Grau C: engloba uma ou mais rupturas na parte superior ou dobras, afetando menos de 75% do órgão.

Grau D: mais grave, afeta 75% ou mais do esôfago.

Tratamentos

O tempo de tratamento varia de acordo com o grau da lesão.

Mudança de hábitos e dieta

O primeiro passo do tratamento é deixar de lado hábitos ruins que influenciam diretamente na doença, como alimentação rica em gorduras, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo.

No caso da esofagite medicamentosa, é necessário ter cuidado redobrado com os remédios ingeridos e avaliar prós e contras de cada fórmula com um especialista.

Já na esofagite eosinofílica, é preciso identificar se há alergia a algum alimento e eliminá-lo do cardápio.

Remédios

Pode ser necessário o uso de medicamentos que cicatrizam a mucosa inflamada, reduzem a produção ácida e auxiliam na digestão, como antiácidos, bloqueadores do receptor H-2, esteroides, inibidores da bomba de prótons e procinéticos.

Entre os remédios mais comuns para esofagite estão: omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, cimetidina, ranitidina, famotidina, ranitidina e metoclopramida.

No caso da esofagite infecciosa, o médico pode prescrever antibióticos, antivirais, antifúngicos ou antiparasitários.

Cirurgia

Em casos mais graves, como nos que outras abordagens se mostraram ineficazes, o tratamento pode ser cirúrgico.

No procedimento, parte do estômago é envolvida em torno da válvula que separa o esôfago e do estômago, chamada de esfíncter esofágico, a fim de fortalecê-la e, assim impedir a entrada do ácido no esôfago.

Outra abordagem visa colocar um anel de titânio ao redor da junção do estômago com o esôfago, a fim de fortalecer o esfincter.

Prognóstico

A esofagite é um processo inflamatório que apresenta altos índices de cura.

Exige tratamento em longo prazo que, se seguido à risca, é capaz de melhorar muito a qualidade de vida do paciente.

Após determinado período, é possível reduzir o uso de medicamentos e evitar o retorno do quadro apenas com hábitos saudáveis.  

Complicações

O não tratamento , além de causar grande desconforto para quem a sofre, também pode gerar a progressão para quadros de estreitamento do órgão, úlceras ou câncer de esôfago.

Por isso, procurar um médico e seguir o tratamento correto é imprescindível.

Prevenção

Adotar bons hábitos alimentares e comportamentais é de extrema importância para prevenir esofagite. Os principais são:

  • Manter uma alimentação saudável e regrada
  • Evitar se alimentar e deitar em seguida
  • Praticar exercícios físicos continuamente
  • Não fumar
  • Manter IMC (abre em uma nova aba)">IMC adequado
  • Fazer acompanhamento médico anual, mesmo que não sinta sintomas
  • Beber muita água junto com remédios

Fontes

Gastrocirurgião e endoscopista Eduardo Grecco, do Instituto EndoVitta – CRM 97960

Cirurgiã do aparelho digestivo e proctologista Vanessa Prado, médica do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho, membro da Sociedade Brasileira do Aparelho Digestivo (SBAD) e da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) – CRM 129114