Escarlatina: o que é, como se pega, sintomas e tratamento

Atualizado em 14 de agosto de 2019

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Escarlatina é uma infecção que causa inflamação avermelhada na pele e que recebe tal nome justamente pelo tom “escarlate” da lesões. O acometimento gera dor de garganta, febre, descamação da pele e outros sintomas muito incômodos, mas pode ser facilmente aliviado com o tratamento adequado.

Entenda tudo sobre ela a seguir.

Causas

bactéria estreptococo
Kateryna Kon/Shutterstock

A doença escarlatina é uma infecção causada por uma bactéria chamada estreptococo beta hemolítico do grupo A. Todavia, não é o micro-organismo em si o desencadeador da condição, mas uma toxina produzida por ele.

Por isso, o quadro geralmente engloba dois acometimentos ao mesmo tempo: a infecção de garganta ou pele, que a bactéria em si causa, e a escarlatina, gerada pelas substâncias por ela excretadas.

É contagioso?

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention, órgão de saúde dos Estados Unidos, a escarlatina é contagiosa e transmitida por meio de gotículas provenientes de boca e nariz.

Sendo assim, é possível contraí-la por proximidade com alguém doente ou após tocar objetos contaminados por gotículas de outras pessoas e levar as mãos à boca, olhos ou nariz.

Beber no mesmo copo, comer no mesmo prato ou entrar em contato com feridas de pele causadas pelo estreptococo em questão também podem levar à contaminação.

A escarlatina pega mais em crianças pelo comportamento típico delas, que tendem a levar muito a mão à boca e ter contato próximo entre si, principalmente em creches e escolinhas.

Fatores de risco

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, a doença pode acometer qualquer pessoa, mas é mais comum naquelas com idades de 5 a 18 anos.

Escarlatina em bebê

A escarlatina é rara no lactente e em bebês com até 24 meses, segundo a Secretaria da Saúde. Isso acontece por causa da transferência de anticorpos maternos contra a toxina produzida pela bactéria.

Sintomas de escarlatina

Entre os principais sintomas de febre escarlate estão:

  • Erupção cutânea avermelhada (comumente, é o que mais chama atenção em fotos de escarlatina que circulam pela internet)
  • Dobras de pele avermelhadas
  • Rosto corado
  • Língua avermelhada coberta com película branca
  • Febre com calafrios
  • Garganta inflamada
  • Dificuldade de engolir
  • Dor de cabeça
  • Náuseas e vômitos
  • Inchaço no pescoço

Coça?

A erupção cutânea gerada pela escarlatina pode gerar descamação e consequente coceira na pele em algumas pessoas, apesar de não ser regra.

É indicado evitar coçar a região já sensibilizada a fim de não formar lesões ou fissuras que aumentem as chances de contrair outras infecções.

Diagnóstico

O diagnóstico médico é feito prioritariamente com base no relato do paciente, mas alguns exames também podem ser solicitados.

A Secretária de Estado da Saúde de São Paulo recomenda a cultura de orofaringe como exame de primeira escolha para detectar a bactéria causadora de escarlatina. Essa testagem é feita pela coleta da secreção do fundo da boca com um utensílio que lembra um cotonete e posterior envio para análise laboratorial

Também podem ser feitas análises para detectar a presença do anticorpo da escarlatina no sangue e hemograma para analisar possíveis alterações nos níveis das células de defesa do corpo em resposta à infecção.

Qual profissional devo procurar?

Busque ajuda médica imediata ao notar os sintomas de escarlatina.

Médicos infectologistas são especialistas nesse tipo de doença, porém, como é importante começar o tratamento quanto antes – não apenas para amenizar o curso da doença, mas também para diminuir sua transmissibilidade – vá a um pronto-socorro, em que os profissionais saberão diagnosticar e recomendar o melhor tratamento sem perda de tempo.

Após o início do tratamento, a doença será transmissível apenas pelas 24 horas seguintes. Entretanto, caso não seja adequadamente tratada, esse período pode se prolongar por até 21 dias.

Tem cura?

A escarlatina tem cura e, apesar de o tratamento com antibióticos ser recomendado por cerca de 10 dias, a melhora dos sintomas pode surgir em apenas um ou dois dias.

Caso não haja sintomas após 24 horas e o médico permita, o paciente pode voltar às suas atividades normais.

Tratamento de escarlatina

remédio para escarletina
sakhorn/Shutterstock

O tratamento da escarlatina é feito com uso de antibióticos para eliminar a bactéria cujas toxinas geram a reação. Um cuidado importante é tomar a medicação por todo o tempo recomendado pelo médico, mesmo que haja alívio dos sintomas antes disso.

Também podem ser prescritos medicamentos para reduzir a febre escarlatina e loções para hidratar a pele e amenizar a coceira.

Prognóstico

A doença costuma ser tratada com antibióticos por um período de cinco a dez dias e o alívio dos dos sintomas surge nos primeiros dias. Depois do fim do tratamento, o paciente é considerado curado.

Pega mais de uma vez?

A infecção por escarlatina não garante que você crie imunidade à bactéria estreptococo beta hemolítico do grupo A. Portanto, é possível tê-la uma segunda vez ou mais.

Complicações

A escarlatina pode gerar diversas complicações relacionadas principalmente à passagem da infecção para outras partes do corpo. Elas podem acontecer durante o curso da doença ou após a cura.

Entre as do primeiro grupo, estão as infecções de ouvido, dos sinus da face (sinusite), da laringe e de outras regiões do corpo.

Em longo prazo, pode surgir febre reumática, doença autoimune que causa lesões nas válvulas do coração e tem na infecção por este tipo de estreptococo sua origem, e glomerulonefrite, doença renal que causa insuficiência pelo estreptococo, entre outros acometimentos.

Prevenção

A prevenção da escarlatina envolve cuidados básicos comuns à profilaxia de uma série de doenças infecciosas, a começar pelas gripes e resfriados.

Evite aglomerações, lave as mãos com frequência, principalmente após circular em locais com muita gente, como estações do metrô, ônibus, shopping centers e outros.

Nesses ambientes, evite levar a mão ao nariz, boca ou olhos. Manter um álcool em gel na bolsa também pode ser útil quando não houver sanitários próximos.

Não compartilhe copos ou pratos com ninguém e cubra o nariz e a boca com a face anterior do cotovelo ao tossir ou espirrar.

Fontes

Centers for Disease Control and Prevention. Scarlet Fever: A Group A Streptococcal Infection. Disponível em: www.cdc.gov/features/scarletfever/index.html

Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. ESCARLATINA: ORIENTAÇÕES PARA SURTOS. Disponível em: www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/escarlatina/documentos/if_escarla07.pdf