Enxaqueca: causas, tipos, sintomas e tratamentos para a dor de cabeça

Atualizado em 16 de agosto de 2019

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Enxaqueca é um tipo específico de dor de cabeça cuja denominação médica é hemialgia ou migrânea. Trata-se de uma doença que pode ser crônica ou aguda e afeta tanto adultos quanto crianças. Sua prevalência é de 10% a 15% da população e, segundo o Ministério da Saúde, é mais comum nas mulheres do que nos homens.

A dor é considerada uma das maiores que existem e costuma estar acompanhada de outros sintomas, como alterações visuais e enjoo.

Causas de enxaqueca

Ainda não se sabe ao certo o que pode ser enxaqueca, porém acredita-se que ela tenha relação com anormalidades no processamento neuronal central e comprometimento dos neurônios no nervo trigêmeo que inervam os vasos sanguíneos do cérebro.

Geralmente, tais alterações são fruto de herança genética e/ou hipersensibilidade a alguns desencadeantes.

Grupos de risco

Todas as pessoas estão sujeitas a sofrerem com enxaqueca, mas alguns grupos apresentam maior chance de desenvolvê-la, como:

  • Mulheres
  • Adolescentes na menarca
  • Pessoas de 25 a 45 anos

O que desencadeia as crises?

Situações que podem estar diretamente relacionadas com enxaqueca são chamadas de desencadeadoras. Elas incluem desde alterações hormonais até consumo de determinados alimentos.

Vale lembrar que tais desencadeadores afetam a cada indivíduo de forma diferente. Por exemplo, o consumo de chocolate pode causar enxaqueca em algumas pessoas e em outra não.

Os principais agentes que geram crises de enxaqueca são:

  • Menstruação;
  • Menarca;
  • Puerpério;
  • Estresse;
  • Ficar muito tempo sem comer;
  • Odores;
  • Luz intermitente;
  • Som alto;
  • Ar-condicionado;
  • Cansaço;
  • Dormir pouco;
  • Alimentos açucarados ou industrializados.

Tipos

Mulher com mão na testa e olhos fechados, aparentando dor de cabeça.
demaerre/IStock

As enxaquecas podem ser classificadas em:

Enxaqueca com aura: gera alterações sensitivas que precedem a dor, como visualização de pontos brilhantes ou escuros, tontura, formigamento e dificuldade de fala.

Enxaqueca sem aura: a versão comum da doença não apresenta aura e engloba os clássicos sintomas de dor, sensibilidade a sons e luz e enjoo.

Enxaqueca silenciosa: causa todos os sintomas de enxaqueca, exceto a dor de cabeça, o que torna o diagnóstico um tanto complicado.

Hemiplégica: tipo cujos sintomas parecem com os de acidente vascular cerebral (AVC), podendo gerar fraqueza, falta de sensibilidade, dor no corpo e, em alguns casos, dor de cabeça prolongada.

Retiniana: gera perda da visão de um olho por dias ou meses.

Enxaqueca da artéria basilar: tipo raro, causa tontura, dificuldade de coordenação, fraqueza e alteração da consciência.

Enxaqueca aguda x crônica

O que diferencia a enxaqueca aguda da crônica é a frequência na qual ocorre.

No primeiro caso, os sintomas surgem em crises isoladas ou em menos da metade do mês.

Já a enxaqueca crônica ocorre pelo menos 15 dias por mês, intervalados ou consecutivos, levando o paciente acometido a fazer uso de diversos medicamentos na tentativa de aliviar os incômodos.

Sintomas de enxaqueca

A dor de cabeça da enxaqueca é pulsátil e acomete geralmente apenas um lado da cabeça; Às vezes, as dores são o único sintoma, mas em outros casos há incômodos associados, como:

  • Enjoo
  • Vômito
  • Sensibilidade a barulhos
  • Sensibilidade à luz
  • Sensibilidade a cheiros
  • Tonturas
  • Suor e transpiração
  • Formigamentos
  • Alterações visuais
  • Alterações auditivas

Diagnóstico

A investigação da doença começa com anamnese, que é a conversa que o médico estabelece com o paciente com o intuito de entender mais sobre o quadro. Nessa fase, o especialista pode perguntar:

  • Quando o problema começou?
  • A dor de cabeça ocorre em um ou nos dois lados da cabeça?
  • Qual a frequência da dor de cabeça?
  • Ela surge junto a outros sintomas?
  • A dor ocorre após alguma situação específica?
  • Foi usado algum remédio contra a dor?
  • Há outro problema de saúde?

Em seguida, é feito um exame físico e são solicitados exames neurológicos, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Prognóstico

A enxaqueca pode ser tolerável para alguns pacientes, mas para outros pode ser motivo de dificuldade e abandono de tarefas diárias.

Se o tratamento preventivo e/ou ocasional for mantido e os desencadeadores da doença evitados, a pessoa com a doença poderá levar uma vida normal e longe da dor.

Enxaqueca tem cura?

A doença não tem cura, mas pode ser controlada por meio de tratamento adequado.

Remédios para enxaqueca

Abortivos

Alguns remédios visam abortar crises, como vasoconstritores, anti-inflamatórios e derivados de triptano.

Como geralmente são acompanhadas de aversão por barulho e luz, bem como náuseas, as crises também pode ser tratadas com analgésicos comuns (dipirona ou acetaminofen), antieméticos (metoclopramida), além de repouso em ambiente escuro e calmo.

É fundamental não abusar de remédios, afinal, eles podem causar efeitos colaterais. O ideal é procurar auxílio de um neurologista e nunca se automedicar.

Caso os remédios orais não funcionem, o especialista pode indicar medicamentos intravenosos.

Preventivos

Existem diversas abordagens profiláticas que podem ser utilizadas para prevenção de crises crônicas, como anticonvulsivantes, antidepressivos, betabloqueadores, melatonina e anti-hipertensivos.

Outros tratamentos para enxaqueca

Neuromodulação

Consiste no estímulo elétrico ao nervo trigêmeo. É pouco invasivo e pode ser usado em casa ou no consultório.

Terapia

Pessoas cujas crises são desencadeadas por estresse podem recorrer à psicoterapia para aprender a lidar melhor com suas emoções.

Botox

A toxina botulínica pode paralisar músculos relacionados às dores, de modo a evitar enxaqueca.

Contraceptivos

Pessoas cuja doença está relacionada à variação hormonal ou à menstruação podem fazer uso de métodos anticoncepcionais para evitar o problema.

Complicações

O acometimento dificilmente reflete em sequelas, porém o grande prejuízo se refere à queda na qualidade de vida.

Como evitar

É importante identificar os fatores desencadeantes e evitá-los. Para isso, vale fazer um diário da dor, ou seja, anotar hábitos e alimentos consumidos, além das crises, a fim de relacioná-los.

No caso de enxaqueca crônica, vale recorrer ao tratamento profilático.

Fontes

Neurologista Sandro Luiz de Andrade Matas, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

The Migraine Trust. More than just a headache. Disponível em: www.migrainetrust.org/about-migraine/migraine-what-is-it/more-than-just-a-headache

NHS. Overview Migraine. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/migraine/