Envelhecimento do corpo: a influência genética

24 de abril de 2018 ● POR Redação

Vários trabalhos científicos expõem os fatores e condições que levam o nosso corpo a envelhecer. Entre eles, algumas teorias reforçam que os fatores genéticos são extremamente importantes neste processo de envelhecimento do corpo.

Nossos genes são responsáveis pela transmissão de nosso código genético para duplicação e replicação celular, bem como todas as funções de nosso organismo, perfazendo uma gama de reações químicas nas quais reproduzem constantemente a renovação de nosso corpo. O nosso DNA é composto por bases nitrogenadas no total de 46 cromossomos (22 pares de autossomos e um par sexual – XX para mulher e XY para o homem). Cada cromossomo contém centenas de genes, sendo o total do genoma humano composto por cerca de 50.000 genes estruturais, além de genes reguladores.

Os genes, em geral, codificam a informação necessária para a síntese de proteínas. No entanto, diversos tipos de gene não-codificantes de proteínas já foram identificados, como por exemplo, genes precursores de microRNAs (miRNA) ou de RNAs estruturais, como os ribossômicos. Vamos descobrir qual a relação disso com o envelhecimento do corpo.

Células replicantes e o envelhecimento do corpo

As proteínas, por sua vez, podem atuar como enzimas (catalisadores) ou apenas estruturalmente, funções estas diretamente responsáveis pelo fenótipo final de um organismo. O conceito de “um gene, uma proteína” é simplista e equivocado. Por exemplo, um único gene poderá produzir múltiplos produtos (diferentes RNAs ou proteínas), dependendo de como a transcrição é regulada e como seu mRNA nascente é processador pela maquinaria de splicing.
Como podemos perceber, nosso organismo é composto um mecanismo complexo de reações químicas, nas quais o seu perfeito funcionamento depende de múltiplo fatores intrínsecos e extrínsecos.

Nas extremidades dos cromossomos,denominadas telômeros, existem sequências repetitivas de DNA. Estas estruturas estão envolvidas em diversas funções biológicas essenciais, entre elas proteger os cromossomos de recombinações e fusões das sequências finais com outros cromossomos; reconhecer danificações no DNA; estabelecer mecanismos para replicações dos cromossomos; contribuir na organização funcional cromossômica no interior do núcleo; participar na regulação da expressão genética, e servir à maquinaria molecular como um “relógio” que controla a capacidade replicativa de células humanas e a entrada destas em senescência celular.

Os telômeros consistem de longas séries de sequências curtas e repetidas, em tandem, formadas por bases TTAGGG e por proteínas associadas. Durante a replicação, no entanto, ocorre a perda progressiva de DNA das extremidades dos cromossomos, pois a DNA polimerase convencional não pode reproduzir a extremidade 3′ da molécula linear (problema da replicação final). Este fato leva ao encurtamento progressivo do cromossomo ao longo das divisões de uma linhagem celular, levando à perda de capacidade replicativa e ao aumento do envelhecimento do corpo.

Recuperação sucessiva

O comprimento telomérico está relacionado ao envelhecimento celular, pois, superados alguns limites de encurtamento dos telômeros, ocorre a morte celular, e células senescentes apresentam telômeros que não se recuperam com a mesma velocidade com que o fazem as células jovens. Portanto, o rápido encurtamento dos telômeros seria devido a uma redução progressiva da síntese de telomerase à medida que a idade avança. Quando a telomerase está atuante, permite a alta capacidade de divisões celulares por mitoses sucessivas, o que seria uma proteção contra a senescência.

Existem ainda os fatores intrínsecos ligados à deficiência hormonais, déficits de vitaminas e de oligoelementos, aumento dos agentes oxidantes, déficits enzimáticos, dentre outros.
Os fatores extrínsecos são diagnosticados através de exames específicos nos quais pesquisaremos intoxicação por metais pesados, agentes químicos, agentes inalantes, agentes alimentares, poluição, dentre outros. A maioria destes agentes apresenta um mecanismo de ação similar nos quais provocam alteração do DNA e RNA, aumento dos agentes oxidantes (ROS), diminuição do sistema antioxidante, alterações enzimáticas, processo inflamatório, processo autoimune, reações alérgicas, doenças degenerativas, etc.