Endocardite: causas, sintomas e tratamentos da infecção

Atualizado em 31 de outubro de 2019

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POR Bruno Botelho dos Santos

Endocardite infecciosa é uma doença grave, que é caracterizada pela invasão de micro-organismos (bactérias ou fungos) na superfície endotelial do coração, também chamada de endocárdio ou de material protético.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Então, a endocardite é uma condição que requer atenção.

Conversamos com a cardiologista Karina Cindy Ladeia de Oliveira, especialista no tratamento de arritmias cardíacas, para entender mais sobre o acometimento. Confira:

Quais são as causas?

“A principal causa é a entrada de bactérias [endocardite bacteriana] ou fungos na corrente sanguínea, os quais se aderem ao coração (geralmente com algum problema de saúde pré-existente, como válvulas deformadas) e causam destruição do tecido ou da prótese”, explica a cardiologista.

Os micro-organismos causadores do problema costumam entrar no sangue por meio de lesões na pele, mucosa ou gengiva, como gengivite — inflamação das gengivas —, periodontite e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), e cateteres e agulhas.

Lembrando que pessoas que já apresentam algum problema cardíaco têm mais chance de desenvolver a endocardite.

Endocardite dentária

Dentre as principais causas da endocardite, se destaca a relação com a saúde bucal, já que as feridas podem ser uma porta de entrada para bactérias — como as da cárie ou as que já estão presentes naturalmente na boca —, que posteriormente viajam até o coração.

Fatores de risco

Alguns fatores podem favorecer o risco de contrair endocardite.

Alto risco

  • Portadores de próteses valvares
  • Histórico prévio de endocardite
  • Portadores de cardiopatia congênita cianótica — defeitos na estrutura do coração que alteram o fluxo sanguíneo
  • Pacientes que tenham problemas nas gengivas ou dentes, como cáries e gengivite
  • Indivíduos com histórico de uso de drogas injetáveis

Risco moderado

  • Pessoas com cardiopatias congênitas acianóticas — defeitos na estrutura do coração que não alteram o fluxo sanguíneo
  • Pessoas com disfunção valvar por doença reumática ou colagenose — doença autoimune que ataca o colágeno do corpo
  • Indivíduos com cardiomiopatia hipertrófica — problema que leva ao aumento do coração
  • Pacientes com prolapso da válvula mitral com regurgitação — popularmente chamado de sopro no coração

A especialista conta que esses fatores têm risco moderado de endocardite. Já as outras doenças do coração, de acordo com ela, são de baixo risco.

Tipos de endocardite

Aguda

Esse tipo costuma começar subitamente e evoluir rapidamente. Pode afetar o cérebro, pulmões, fígado, rins e, inclusive, levar à morte se não diagnosticada e tratada corretamente.

É mais comum em pessoas que utilizam drogas intravenosas, já que as seringas sujas permitem a entrada da bactéria na corrente sanguínea.

Subaguda

Já nesse tipo, os sintomas são causados gradualmente e pode persistir por mais de um ano. É mais comum em pessoas que possuem piercings na boca ou tumores no sistema digestório, principalmente o câncer de colorretal.

Sinais e sintomas de endocardite

“Os sintomas mais comuns da endocardite são febre e calafrios. Mas, na endocardite subaguda, surgem manifestações inespecíficas, como falta de ar, cansaço, perda de apetite, dores no corpo e suores noturnos”, afirma Karina.

Veja como cada tipo se manifesta:

Aguda

  • Febre alta
  • Calafrios
  • Dor no peito
  • Falta de ar
  • Tosse
  • Hemorragia na palma das mãos e na planta dos pés.

Subaguda

  • Falta de ar
  • Perda de apetite
  • Cansaço
  • Dores no corpo, principalmente nos músculos e articulações
  • Suores noturnos
  • Febre baixa
  • Calafrios
  • Dor de cabeça
  • Emagrecimento não explicado
  • Pequenos nódulos doloridos nos dedos das mãos ou dos pés
  • Ruptura de pequenos vasos sanguíneos na parte branca dos olhos, no céu da boca, no interior das bochechas, no peito ou nos dedos das mãos e pés

Diagnóstico

O médico mais indicado para realizar o diagnóstico e determinar o tratamento desta condição é o cardiologista, já que trata de problemas que afetam o  sistema cardíaco no geral, contudo há casos em que a descoberta da doença ocorre por meio de outros especialistas.

Na consulta, o profissional usa um estetoscópio para escutar o coração em busca de algum sinal de alteração. Caso seja notada, podem ser pedidos alguns exames, tais como:

  • Exames de sangue, para ver se há presença de bactérias
  • Eletrocardiograma
  • Ecocardiograma transesofágico, que permite ao médico chegar mais próximo das válvulas cardíacas
  • Raio-x do tórax
  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética

Endocardite tem cura?

Existe cura para a endocardite, mas ela dependerá das condições do paciente, progresso da doença e tratamento realizado.

Apesar disso, há chance de recidiva e, por este motivo, é necessário manter cuidados constantes.

Tratamentos

tratamento para endocardite
Ocskay Mark/Shutterstock

De acordo com a cardiologista, “o tratamento é baseado na utilização de antibióticos endovenosos em altas doses e por um longo período (pelo menos um mês). Por ser uma doença com alta mortalidade, em torno de 25%, os cuidados devem ser instituídos o mais rápido possível, antes do agravamento das lesões cardíacas”.

Podem ser necessárias intervenções cirúrgicas para restaurar danos graves no tecido cardíaco ou substituir válvulas danificadas por outras de origem mecânica ou biológica (doador animal ou humano).

Medicamentos para endocardite

Antibióticos como amoxicilina e eritromicina são usadas para tratar endocardite.

Vale lembrar que somente um especialista pode prescrever medicamentos adequados ao quadro apresentado, uma vez que a automedicação oferece graves riscos à saúde, como piora da doença e efeitos colaterais significativos.

Complicações

As complicações da endocardite infecciosa são bem graves, como:

  • Agravamento da lesão valvar pré-existente
  • Insuficiência cardíaca
  • Embolias sépticas sistêmicas
  • Insuficiência renal
  • Infarto

Como prevenir?

“É importante orientar toda a população, mas principalmente pessoas de maior risco (portadores de próteses valvares, cardiopatias reumáticas, prolapso de valva mitral com regurgitação ou que já teve endocardite), a manter condições de saúde adequadas, incluindo higiene dental. Essa é a melhor forma de prevenção”, conclui a especialista.

Já em outras situações, como certos procedimentos ou cirurgias gastrointestinais, ginecológicas ou urológicas, pode ser necessário o uso de antibióticos profiláticos a fim de prevenir o problema.

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo também recomenda que pessoas que tenham problemas no coração busquem dentistas especializados em pacientes especiais, principalmente se for necessário realizar algum tratamento odontológico.